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Suíça: a extrema-direita caiu mas continua dominando

24 Oct

A extrema-direita suíça representada pelo partido SVP (ou UDC na Suíça francesa) continua poderosa mas um pouquinho menos. Graças a Deus. O maior partido político suíço é abertamente xenófobo, racista, machista, anti-Islã, ultra-conservador e anti- União Européia. As idéias e as campanhas do SVP são de extremo mau gosto e agressivas.

As eleições ontem , onde votamos nos representantes legislativos federais – ou no Brasil, os deputados federais e os senadores- marcaram a ligeira queda do SVP na preferência nacional. A projeção do partido dizia que eles teriam mais de 30% dos votos mas pela primeira vez em vinte anos, o SVP perdeu 2,3% de eleitores e sete deputados na Câmara. Apesar da queda, o SVP continua sendo o partido mais poderoso da Suíça, agora com 54 deputados na Câmara. É muito. Ao todo são 200 deputados. O que não é ocupado pelo SVP é dividido entre partidos de centro-direita (a maioria), de esquerda e os verdes que perderam várias cadeiras na Câmara.

Ainda é muito cedo para comemorar. Um dos partidos que teve um grande aumento de eleitores – cresceu mais de 5 % – é exatamente o BDP, uma dissidência do SVP.

O partido Pirata e o dos Animais  e também os Secondo Plus, grupo que representa o interesse dos estrangeiros, não conseguiram eleger ninguém.

Barbaridade

21 Oct

Pior do que assistir a festa pela morte, de quem quer que seja, só o desconforto de assistir todo mundo filmando e fotografando a agonia e a morte. Primeiro foi a execução do Saddam Hussein. As imagens dele sendo enforcado passaram dezenas vezes nas emissoras de televisão e na Internet então, nem se fala, podiam ser vistas milhares de vezes. As ruas tomadas por jovens sorridentes comemorando a morte do Bin Laden também foram assustadoras. E ontem mais assustador ainda com o Gaddafi. As imagens da agonia do ditador líbio e as fotos dos rebeldes fotografando o corpo de Gaddafi são desconcertantes.

É como se agora as exceções virassem regras. As mortes não têm mais privacidade e dignidade. Ninguém mais tem julgamento? E se tem, tem que ser como no caso do Saddam, arcaico  e vergonhoso. Quanto mais violência, mais barbárie, melhor. No caso dos ditadores parece que o show da morte tem que se igualar a eles em truculência e em horror. A audiência deve subir e muito. E pior ainda: ninguém nem sabe mais se as imagens são reais ou manipuladas ou um pouco de tudo. Daqui a pouco vão criar editores de filmes e fotos que já vêm com efeitos mórbidos.

No Brasil a mídia ainda previne. Muitos sites vêm com um aviso sobre o conteúdo de fotos e filmes. Como se o aviso tirasse a culpa do veículo de banalizar a morte. Aqui não. Ninguém precisa procurar nada. A morte é oferecida de bandeja como prato principal.  E quando digo aqui me refiro a Suíça e a Alemanha porque a Suíça sozinha não produz nem um décimo da mídia consumida no país. O negócio é e está ficando cada vez mais escancarado.

Esta semana vários sites de grandes jornais mostravam como chamada principal, além da matéria sensacionalista sobre o velejador alemão  supostamente comido por um canibal,  o video da menininha chinesa de dois anos que foi atropelada e ficou largada agonizando no chão enquanto as pessoas passavam e não faziam nada. Uma coisa horrorosa. Estava lá, e ainda deve estar, para quem quisesse ver. Entrou para os top qualquer coisa e não saiu mais. Talvez os pais desta criança nem saibam que o espetáculo monstruoso da morte de sua filha roda o mundo fazendo sucesso.

Os videos de acidentes de carro com mortos também pipocam a toda hora nos sites de notícias com imagens impressionantes. Se o show da morte de uma figura pública já é horrível, o de “qualquer um” é mais horrível ainda. Eu não gostaria de saber que a dor e o horror de alguém que eu conheço está entretendo um outro alguém em alguma parte do mundo. As pessoas estão ficando tão acostumadas que nem ligam mais. Está ficando banal. Cada vez viramos mais nada.

Barbarei

Schlimmer als die Freudenfeste um den Tod sich anzusehen, von wem auch immer, ist nur das Unbehagen, zu sehen, wie die Agonie und der Tod gefilmt und fotografiert wird. Angefangen hat es mit der Hinrichtung von Saddam Hussein. Die Bilder des Erhängten wurden von zig Fernsehstationen und über das Internet ausgestrahlt und wohl von Millionen von Schaulustigen betrachtet. Auch die Bilder von den lachenden jungen Leuten, welche den Tod von Bin Laden feierten, waren erschreckend. Und vor kurzem nun die noch schrecklicheren Bilder von Gaddafi. Die Bilder des libyschen Diktators und seiner Agonie und die Fotos der Rebellen, die den toten Körper von Gaddafi fotografieren, sind bedrückend.

Es ist, als würde nun die Ausnahme zur Regel werden. Es gibt keine Würde und Privatsphäre für Tote mehr. Gibt es denn keine Gerichtsverfahren mehr? Und wenn es sie gibt, müssen sie dann so sein, wie im Fall von Saddam, archaisch und peinlich? Je gewalttätiger, je barbarischer, umso besser. Es scheint, als habe sich die “Show des Todes” bei Diktatoren, der Brutalität der Personen anzupassen. Die Zuschauerzahlen werden wohl dadurch deutlich gesteigert. Schlimmer noch: Niemand weiss mehr, ob die Bilder überhaupt authentisch oder manipuliert sind, oder allenfalls nur halbauthentisch. Bald wird es wohl schon Editoren geben, die ihre Filme und Fotos mit morbiden Effekten anreichern.

In Brasilien warnen die Medien vorgängig. Viele Seiten kommen mit einem Hinweis über den Inhalt der Bilder und Filmbeiträge. Wie wenn dieser Hinweis die Schuld der Verharmlosung des Todes beseitigen könnte. Hier ist dem nicht so. Niemand muss etwas suchen, der Tod wird in den Medien präsentiert wie ein Hauptgericht beim Essen. Wenn ich hier schreibe, so meine ich die Schweiz und Deutschland, da die Schweizer Medien alleine nur etwa einen Zehntel der hier konsumierten Medien ausmachen. Die Berichte über den Tod werden immer ausführlicher und unzensierter.

Diese Woche zeigten diverse Zeitungsseiten als Hauptschlagzeile, abgesehen von den Sensationsberichten über den verschollenen deutschen Segler, der von einem Kannibalen gefressen worden sein soll, einen Video, auf dem zu sehen ist, wie ein zweijähriges chinesisches Mädchen überfahren wird und danach in ihrem Todeskampf einfach auf der Strasse liegen gelassen wird, während Passanten nichts machen und einfach vorbei gehen. Unbeschreiblich schrecklich. Der Video wird wohl noch immer auf dem Internet für jedermann zugänglich sein. Wurde zum Topvideo und verschwindet nun nicht mehr. Vielleicht wissen die Eltern dieses Kindes nicht einmal, dass dieses monströse Spektakel zu einem weltweiten Erfolg wurde.

Videos über Autounfälle mit tödlichem Ausgang tauchen auch immer wieder mit eindrücklichen Bildern auf Internetseiten von Nachrichtenmedien auf. Wenn die Show über den Tod einer Persönlichkeit des öffentlichen Lebens schon schrecklich ist, so ist es die einer beliebigen Person erst recht. Ich will nicht wissen, wie der Schmerz und der Horror einer Person, die ich kenne, eine andere Person irgendwo auf dieser Welt unterhält. Die Menschen sind schon derart an solche Dinge gewöhnt, dass sich niemand mehr darüber aufregt. Es wird langsam banal. Menschenleben sind jedes Mal etwas weniger wert.

A marcha dos contentes

17 Oct

Ta saindo filho? Leva um casaquinho que agora já ta frio. Ah! Leva também o cacete caso algum grego  te aporrinhe. Nunca se sabe!

Em quase todas as reportagens sobre os protestos ocorridos em mais de oitenta países, no final de semana, aparece um jovem – ele pode ser americano, espanhol, alemão ou de qualquer outro lugar – falando uma variação da mesma coisa : se tanta gente é contra alguma coisa e só alguns decidem os rumos de todos, isso então não é democracia.

Será ?

Um conhecido meu, suíço, músico, casado com uma funcionária da Anistia Internacional dizia alguns anos atrás que nunca que a Suíça proibiria a construção de minaretes, nunca que o partido de extrema-direita seria tão poderoso, entre outros “nunca”  porque ele vivia em um mundinho onde todo mundo era artista, jovem e ainda cheio de ideais. E eu dizia que nunca que ele estava certo.

Nas democracias é o povo que escolhe os governos. Aí é que mora o problema. Quando a gente vive em um certo meio, começamos a achar que todo mundo é assim porque a gente é assim. Mas não é.  Aqui por exemplo. Boa parte do povo vota nos partidos de extrema-direita porque eles odeiam estrangeiro, odeiam muçulmanos, odeiam ciganos, são super machistas e reacionários. Mas se você não convive com essas pessoas, que sao pessoas normais com as quais todo mundo cruza o dia inteiro; e só convive com seu grupinho de amigos com quem divide afinidades, acaba achando que essas pessoas, a grande maioria, nem existe.

Aqui na Suíça, país onde as instituições financeiras quase que se confudem com o próprio governo, as manifestações foram muito tímidas. Um grupo de umas mil pessoas se postou diante da sede do UBS em Zurique ontem à tarde. Em comparação com outros países, a Alemanha também teve protestos modestos. A maioria dos manifestantes era jovem ou muito jovem. Como sempre quem chamou mais a atenção e saiu em todos os jornais foi uma mulher pelada com dizeres contra o capitalismo pintados pelo corpo.

O negócio pegou fogo mesmo foi na Italia e na Espanha, países com altos índices de desemprego e muito afetados pela crise. Aliás a cobertura jornalística deu grande destaque a “baderna”  italiana porque para muito gente, italiano só sabe mesmo fazer bagunça. Assim como os gregos e os espanhóis, todos uns folgados. Muita gente acha que se a Espanha e a Grécia estão em crise é porque são países de gente mole, preguiçosa. E os trabalhadores esforçados alemães têm que sustentar esses párias.

O problema é que nem adianta mais ser contra o governo ou o capitalismo. Quem faz o sistema financeiro funcionar como funciona são as pessoas por aí. O povo. Converso com gente que mal sabe dos protestos ocorridos no final de semana. Mas se você perguntar sobre o caso do velejador alemão desaparecido numa ilha do Pacífico todo mundo arregala os olhos e passa a te contar todos os detalhes. A imprensa popular deu muito mais destaque a essa história que aos protestos.  E ao invés de escreverem que ele pode ter sido morto por um psicopata, preferiram escrever que ele foi comido por um canibal. Como se na ilha onde ele desapareceu todo mundo comesse gente.

Desse jeito, podem protestar mil vezes que absolutamente nada vai mudar. Periga é piorar. A marcha dos não indignados acontece todo dia, aos montes.

Gehst Du aus mein Sohn? Nimm eine Jacke mit, es ist schon kalt. Ah! Nimm auch gleich den Knüppel mit, für den Fall, dass dich ein Grieche belästigt. Man weiss nie!

In fast allen Berichten, wo über die anhaltenden Proteste gegen das Finanzsystem in über 80 Ländern berichtet wird, erscheint ein junger Mann – könnte ein Amerikaner, Spanier, Deutscher oder aus irgend einem andern Land sein – mit in etwa immer der gleichen Aussage: Wenn doch so viele Leute gegen irgend etwas sind, nur ein paar wenige aber die Richtung aller bestimmen, so ist das keine Demokratie.

Ist da was dran?

Ein Bekannter von mir, ein Schweizer, Musiker, verheiratet mit einer Mitarbeiterin von Amnesty International, sagte mir vor ein paar Jahren mal unter anderem, dass die Schweiz nie den Bau von Minaretten verbieten wird und dass hier eine politisch ganz rechts liegende Partei nie mächtig werden wird. Dieses “nie” kam unter anderem, da er in seiner eigenen Welt lebt, einer Welt in der es fast nur Musiker gibt, jung dazu und noch voller Ideale. Ich sagte nie, er habe Recht.

In einer Demokratie wählt das Volk die Regierung. Un da liegt das Problem. Lebt man in einem bestimmten Umfeld, beginnt man mit der Zeit zu denken, dass alle so sind, wie die Leute in diesem Umfeld. So ist es aber nicht. Ein Beispiel von hier: Ein beträchtlicher Anteil der Bevölkerung wählt ganz rechts. Ganz einfach darum, weil sie keine Ausländer mögen, keine Muslime oder Zigeuner hier haben wollen und sehr machistisch und reaktionär denken. Hat man im täglichen Leben keinen näheren Kontakt mit solchen Leuten, die im Übrigen ganz normal sind, sondern lebt nur im Umfeld seiner Freunde, mit denen man Gemeinsamkeiten teilt, kommt man zum Schluss, dass der Rest, die grosse Mehrheit eigentlich, gar nicht existiert.

Hier in der Schweiz, wo die Finanzinstitute sich schon fast für die Regierung halten, fielen die Proteste sehr verhalten aus. Eine Gruppe von etwa 1000 Personen postierte sich am vergangenen Wochenende vor dem Hauptsitz der UBS in Zürich. Im Vergleich zu andern Ländern waren auch die Proteste in Deutschland zaghaft. Die grosse Mehrheit der Protestierenden war jung bis sehr jung. Wie immer machte eine nackte Frau die grössten Schlagzeilen und erschien mit ihren am ganzen Körper aufgemalten Sprüchen gegen den Kapitalismus in allen Zeitungen.

Wirklich grosse Proteste gab es in Italien und Spanien, zwei von der Krise stark betroffene Ländern mit hoher Arbeitslosenrate. Ausserdem legten die Berichterstattungen grossen Wert auf die italienische “Aufregung”. Für viele Leute können die Italiener ja gar nicht anders, sie müssen dauernd ein Durcheinander veranstalten. Aber eigentlich sind sie in deren Augen, wie auch die Griechen und Spanier, nur zu faul, um zu Arbeiten. Viele Leute glauben, dass Griechenland nur darum in einer Krise steckt, weil dort die Leute zu wenig hart zu sich selber sind und die Arbeit scheuen. Und die hart arbeitenden Deutschen müssen dann diese Ausgestossenen durchfüttern.

Das Problem ist, dass es gar nichts mehr nützt, gegen eine Regierung oder den Kapitalismus zu sein. Diejenigen die dieses Finanzsystem am Laufen halten, das sind die Leute selbst, das Volk. Ich spreche mit den Leuten und stelle fest, dass sie kaum etwas wissen über die laufenden Proteste. Kommt man aber auf den Fall des verschollenen deutschen Seglers irgendwo auf einer Pazifikinsel, so wissen alle Bescheid, jedes Detail kennen sie. Die Boulevardzeitungen schenkten dieser Geschichte wesentlich grössere Aufmerksamkeit als den Protesten. Und anstatt zu schreiben, dass er höchstwahrscheinlich durch einen Psychopaten ermordet wurde, bevorzugen sie die Aussage, dass er von Kannibalen aufgefressen wurde. Als ob die Menschen auf der Insel, auf der er verschollen blieb, alles Menschenfresser wären.

Darum kann man noch 1000 Mal protestieren und es wird sich nichts ändern. Gefahr sieht anders aus. Der Marsch der “Nichtempörten” geht in Massen täglich weiter.

Eleições

9 Oct

– Se você votar em mim voltaremos a morar no mato,  a comer batata em todas as refeições e morrer com quarenta anos.

O sistema político suíço é interessantíssimo. Na democracia direta, votamos para tudo. Qualquer um pode propor ou embargar legislações. Basta ter mais de 18 anos e possuir a cidadania suíça para lançar uma iniciativa. Se a pessoa conseguir reunir mais de cem mil assinaturas que aprovam certa proposta, a mesma será votada nacionalmente. Quem não está satisfeito com alguma lei existente também pode tentar anulá-la. Para o referendo são necessárias cinquenta mil assinaturas. O ano todo chegam referendos – as cédulas de votação vêm e vão pelo correio – sobre qualquer coisa para serem votados. Chega a encher o saco.

No próximo dia 23 votaremos nos deputados – cuja Câmara representa o povo – e nos dois representantes cantonais (estaduais). São eles que aprovam as leis, fiscalizam o governo e escolhem os sete conselheiros federais – com poderes iguais e cada um representando uma pasta – que se revezam no papel de chefes de estado.

Os cartazes com os candidatos estão espalhados por todos os lugares. Até os jornais, que parecem que estão se lixando para a aparência de neutralidade, publicam propaganda política. Tem candidato de todo o tipo, afinal qualquer um com mais de dezoito anos e passaporte suíço pode se candidatar a uma vaga de deputado. E eu já sei o que fazer daqui uns anos.

Este ano a novidade é a diversidade. O Partido Pirata, que começou na Suécia, cresceu pelo mundo e já tem 57 candidatos nesta eleição suíça. Defendem a liberdade da Internet. São contra as leis de copyright – pretendem o acesso livre a cultura – e a favor da inclusão digital. Basicamente tratam disso. O Partido dos Animais da Suíça, que defende os interesses dos animais é outro partido muito interessante mas também bastante limitado. Tem também os Secondos Plus, grupo filiado a outros partidos, com candidatos que pretendem cuidar dos interesses dos imigrantes. A presença de muitos Mohammed como segundo nome dos candidatos já deve provocar medo em muita gente.

Outra coisa que chama a atenção é o hábito, ridículo, de escrever “Dr” antes dos nomes. No começo eu achava que a Suíça era o país dos médicos. Agora aprendi que tanto aqui, como na Alemanha, o título de doutor em qualquer coisa é super valorizado. Não é difícil, ao ler uma revista qualquer, se deparar com uma foto de uma socialite numa festa com a legenda ” Dr. XXXX se esbalda na Oktoberfest”. Pode ser doutor em qualquer coisa, o que importa é ostentar o título.

E o que dizer dos flyers dos candidatos? Os textinhos das legendas ultra-conservadoras embaixo das fotos de vários candidatos fazem questão do ” casado, pai de três filhos”, “casada, mãe de dois filhos”…. Democracia moderna mesmo só quando vier escrito “na caça” ou ” casado com outro homem”. Ou ainda quem sabe “gay, negra, muçulmana e pobre, é nóis”.

Pior que tudo mesmo são os candidatos que posam para as fotos com trajes típicos da Suíça rural. Engraçadinhos esses. Querem que tudo seja como há cinquenta anos atrás mas quando precisam correm para os hospitais super modernos e bem equipados de Zurich onde quase todos os médicos são… estrangeiros! A Liga do Norte, partido mais horroroso da Italia, também adora pagar mico e se fantasiar. E o terrorista norueguês que tinha fotos no Facebook vestido de viking e de cavaleiro medieval? Como uma mensagem de tradição e conservadorismo pode ser tão ridícula? O SVP (ultra-direita suíça) adora esse tipo.

Agora medo mesmo eu tenho é de um poster na entrada de Wettingen. É de um candidato do SVP, claro,  com um sorriso assustador. Você votaria em alguém chamado Joãozinho Assassino? Pois é.  Se eu fosse o Hans Killer já tinha arrumado um “nome fantasia” há tempos.

Wahlen

– wenn ihr mich wählt, werden wir wieder im Wald wohnen, täglich Kartoffeln essen und mit 40 Jahren sterben.

Das politische System der Schweiz ist äusserst interessant. Per Direkter Demokratie stimmen wir hier über alles ab. Jeder hier kann per Initiative ein neues Gesetz vorschlagen. Man muss einfach 18 Jahre alt sein und das Schweizer Bürgerrecht besitzen. Gelingt es 100’000 Unterschriften zu sammeln, kann sogar national darüber abgestimmt werden. Ist man mit einem Gesetz nicht einverstanden, kann man auch versuchen, dieses streichen zu lassen. Für ein Referendum sind 50’000 Unterschriften nötig. Das ganze Jahr über kommt es immer wieder zu Abstimmungen – die Wahlformulare kommen per Post und können auch per Post wieder abgesendet werden – und über alles kann abgestimmt werden. Es gibt so viele Abstimmungen, dass man teilweise sogar genug davon hat.

Am kommenden 23. werden die Abgeordneten der beiden Kammern gewählt – die Vertreter des Nationalrats und des Ständerats. Sie werden später die Gesetze genehmigen, die Regierung beaufsichtigen und die sieben Bundesräte wählen, die unter sich gleich gestellt sind und verschiedenen Departementen vorstehen.

Die Wahlplakate der Kandidaten hängen schon überall. Auch in den Zeitungen findet man Wahlanzeigen. Die Neutralität scheint Schweizer Zeitungen nicht wichtig zu sein. Kandidaten findet man von jeglicher Art, schliesslich kann sich ja jeder über 18 Jahren mit Schweizer Pass für einen der freien Plätze aufstellen lassen. Ich weiss schon heute, was ich in einigen Jahren machen werde.

Speziell ist dieses Mal die grosse Vielfalt. Die Piraten Partei, die seinen Ursprung in Schweden hat, wuchs weltweit und hat nun auch schon 57 Kandidaten bei den kommenden Schweizer Wahlen. Sie verteidigen die Freiheit des Internets, sind gegen die Copyright-Gesetze, möchten den freien Zugang zu Kultur für Jedermann und die digitale Integration. Die Tierpartei Schweiz, welche die Rechte und Interessen der Tiere vertritt ist eine andere interessante, wenn auch sehr limitierte Partei. Dann gibt es auch die Secondos Plus. Ihre Kandidaten geben an, sich um die Interessen und Anliegen der Immigranten zu kümmern. Die vielen Mohammeds in den Namen werden wohl Angst bei vielen Wählern hervorrufen.

Etwas anderes was mir immer aufgefallen ist, sind die lächerlichen “Dr.” vor den Kandidatennamen. Am Anfang dachte ich, die Schweiz ist das Land der Ärzte. Nun weiss ich, dass hier, genauso wie in Deutschland, ein Doktortitel für was immer auch, viel zählt. Man kann irgend eine Zeitschrift aufschlagen und findet schon in den Legenden unter den Fotos: “Dr.XXXX vergnügt sich am Oktoberfest”. Es kann ein Doktortitel in irgendwas sein, Hauptsache, man kann einen Titel vorweisen.

Und was kann man über die Flyer der Kandidaten sagen? Bei den Ultrakonservativen scheint es sehr wichtig zu sein, ob sie verheiratet sind oder Kinder haben: “verheiratet, Vater von drei Töchtern” oder “verheiratet, Mutter von 2 Kindern” … In der modernen Demokratie wäre dann auch zu erwarten “ungebunden” oder “verheiratet mit einem Mann”, oder wer weiss, eventuell “schwul, schwarzhäutig, Muslim, arm oder aus der Periperhie stammend”.

Am schrecklichsten sind eigentlich die Kandidatenfotos, bei denen die Personen in Trachten oder Kostümen posieren. Schön durchtrieben. Sie wollen, dass alles so ist wie vor fünfzig Jahren, aber wenn dann mal etwas passiert, springen sie ins Spital nach Zürich, wo dann 50% der Ärzte Ausländer sind! Die schreckliche italienische Lega Nord liebt es auch, sich lächerlich zu machen und sich zu verkleiden. Und der norwegische Terrorist, posierte er nicht auf Facebook als mittelalterlicher Ritter und Wikinger? Wie kann doch eine Botschaft der Tradition lächerlich sein. Die SVP liebt diese Art.

Angst habe ich nun wegen einem Plakat hier in Wettingen. Es ist ein Kandidat der SVP, er zeigt ein angsteinflössendes Lächeln. Aber ehrlich, kann man jemanden wählen der “Killer” heisst? Wäre ich er, ich hätte mir schon längst einen Phantasienamen zugelegt.

Arquitetura de raiz

2 Oct

Andando em círculos

2 Oct

Minha implicância com as cidades pequenas vem desde pequena. No final dos anos setenta eu frequentava muito uma fazenda em Lins. As férias eram sempre na praia, na montanha ou na fazenda. A casa da praia, da mãe, era um bangalô caiçara e a da montanha, do pai, um chalezinho “tipo suíço”. A fazenda, da família da avó, era grande e sempre cheia de gente. A casa vivia lotada de primos, tias- avós e tios- avôs. Para mim o principal atrativo da fazenda, além das garagens sombrias no final do terreirão coberto de mato, era andar de charrete. Cada um com um cavalo mais bonito e eu só queria sentar na charretinha e ser conduzida pelo menino uns anos mais velho que eu que gritava “oooia” quando batia na bunda do pangaré . Esperava a hora da charrete desde a hora que acordava. Mas para todo mundo, a maior atração era sair da fazenda e ir para a cidadezinha.

Era na cidade que tudo acontecia, mesmo que esse tudo fosse ficar numa pracinha, ou numa rua, andando em grupo ou bebendo escondido. As meninas de um lado, os meninos de outro. Todo mundo arrumadinho querendo se mostrar, impressionar. E quando as férias eram na casa da praia, o ritual se deslocava para a vila. E na casa da montanha, para o centrinho. E no fim era tudo igual, as cidades pequenas. Mas na cidade grande não. Minha turma da rua brincava na garagem do prédio, escura, mofada e fedendo a fumaça de carro. E a gente achava o máximo.

Depois eu descobri a noite de São Paulo e daí… só ladeira abaixo. Literalmente. Ficava inquieta quando ía para uma cidade pequena, não via a hora de voltar. Então, como o mundo dá mil voltas, acabei assentando numa cidadezinha muito menor que as que ficavam perto da casa da praia, da montanha ou da fazenda. Mas o incrível é que as coisas nunca mudam A época é outra, o país é outro, a cultura é outra, a língua é outra mas é tudo igual.

Assim como na fazenda, a gente aqui também come as frases. O “dia” sem o “bom”foi substituído pelo “morgen” sem o “guten” nas saudações matutinas. Assim como na vila ou no centrinho, nas cidadezinhas suíças acontecem festas nos arredores da praça ou da rua central com barraquinhas de comida tradicionais e parquinhos com brinquedos  caindo aos pedaços. Não chama festa junina, não chama quermesse, não chama festa caipira mas é igual. Os mocinhos continuam num lado, agora com as calças caindo no meio das bundas e as mocinhas continuam flertando no outro lado, agora, muitas vezes, flertando entre elas mesmas.

E eu continuo preferindo as cidades grandes mas acho uma delícia frequentar essas festas de cidade do interior,  apesar de a comida ser ótima na mesma proporção que a música é péssima. Mas o melhor dessas festas nem são as barraquinhas de comida ou os brinquedos enferrujados.  Adoro observar as pessoas. Fico sempre imaginando quem será o Sabbath ou a Laura Palmer local.

 

Im Kreis gehen

Mein Nörgeln gegen die Kleinstädte pflege ich schon seit meiner Kindheit. Ende der Siebzigerjahre ging ich oft auf eine Fazenda in Lins (Staat São Paulo). Die Ferien verbrachte ich immer am Strand, in den Bergen oder auf der Fazenda. Das Strandhaus war ein umgebautes Haus einer dort einst ansässigen Familie und gehörte meiner Mutter, das Haus in den Bergen befand sich in Campus do Jordão, war ein “schweizer Chalet” und gehörte meinem Vater. Die Fazenda gehörte den Grosseltern, war riesig und immer voller Verwandter. Cousins, Tanten und Onkel, Grosseltern, Gross-Onkel sowie Gross-Tanten. Für mich war die Hauptattraktion auf der Fazenda, abgesehen von der dunklen Garage für die landwirtschaftlichen Wagen, das Fahren auf einem Holzkarren. Alle wollten auf den schönen Pferden reiten, doch ich wollte immer nur auf diesem Karren fahren, geführt von von einem älteren Jungen, der auf dem Führerbock sass und jedes Mal “oooia” rief, wenn er mit der Peitsche über den Rücken des Zuggauls strich. Kaum aufgestanden, wartete ich schon auf die Karrenfahrt. Doch für alle war immer der Ausflug in das dortige Städtchen die Hauptattraktion.

In der Stadt lief was, auch wenn dies nur bedeutete, auf einem kleinen Hauptplatz zu sein, oder auf einer Strasse zu gehen, in Gruppen rumzuziehen oder versteckt etwas zu trinken. Die Jungs unter sich und die Mädchen unter sich. Alle fein angezogen, um sich zu zeigen, zu beeindrucken. Wenn die Ferien am Strand verbracht wurden, verschob sich das gleiche Ritual einfach in das lokale Zentrum (vila) und bei Ferien in den Bergen in das lokale Stadtzentrum. Letzten Endes lief in Kleinstädten alles immer gleich ab. So ist es aber nicht in den Grossstädten. Das beginnt schon in der frühen Kindheit. Meine Bande liebte es beispielsweise im Dunkel der Gebäudegarage zu spielen, dort wo es dunkel und feucht war und nach Autoabgasen stank. Das fanden wir das Grösste.

Danach entdeckte ich das Nachtleben in São Paulo und dann … ging es bergab, im wahrsten Sinne des Wortes. Schon bei der Fahrt in eine Kleinstadt kam Unbehagen auf, ich konnte es nicht abwarten, bis es endlich wieder zurück in die Stadt ging. Nun, wie es halt so geht und ein Leben tausend Wege bereit hält, sitze ich heute in einer Kleinstadt, viel kleiner noch als die Zentren nahe der Fazenda oder der Stadt in den Bergen. Das Unglaubliche aber ist, dass sich nichts ändert. Es ist eine andere Zeit, ein anderes Land, eine andere Kultur, die Sprache ist anders, aber alles ist gleich.

Genauso wie auf der Fazenda knabbern die Leute hier ihre Sätze an. Das “Dia” ohne “bom” wird bei der Begrüssung einfach ersetzt durch “Morgen” ohne “Guten”. Genauso wie in der “Vila” oder in den Zentren brasilianischer Kleinstädte finden auch hier die Feste in kleinen Städten auf deren Hauptplatz statt, mit Essständen voll lokaler Köstlichkeiten und Bahnen, die langsam auseinander fallen. Sie heissen zwar nicht “festa junina”, “festa caipira” oder “quirmesse” sondern Jahrmarkt, ansonsten aber ist alles gleich. Die Jungs in Gruppen auf der einen Seite, heute einfach mit herunterhängenden Hosen und die flirtenden Mädchen auf der anderen Seite, heute oft einfach unter sich flirtend.

Und ich bevorzuge noch immer die grossen Städte, finde es aber köstlich, ab und zu diese Kleinstadtfeste auf dem Land zu besuchen. Das Essen ist im gleichen Mass köstlich, wie die Musik schlecht ist. Das beste aber an diesen Festen sind nicht einmal die Marktstände mit Essen oder verrostetem Spielzeug. Ich liebe es die Leute zu beobachten. Ich frage mich immer, wer wohl hier der “Sabbath” oder die “Laura Palmer” ist.

 

 

 

 

 

 

Festa do interior

2 Oct

Suíça rural

25 Sep

Schänis (SG) Vorderberg

Arte contemporânea suíça: Thomas Hirschhorn, Pipilotti Rist e Mai-Thu Perret

14 Sep

Thomas Hirschhorn nasceu em Berna, em 1957, foi criado em Davos e estudou Arte em Zürich. Mora desde 1984 em Paris. Trabalha basicamente com instalações:

Thomas Hirschhorn ist 1957 in Bern geboren und in Davos aufgewachsen. Er studierte Kunst in Zürich, lebt und arbeitet seit 1984 in Paris. Er arbeitet hauptsächlich mit Installationen:

 

Pipilotti Rist é a mais famosa videoartista da Suíça. Nasceu na pequena Grabs, cantão de St. Gallen,  em 1962. Estudou em Viena e em Basel. Mora e trabalha na Suíça.

Pipilotti Rist ist die wohl berühmteste Videokünstlerin der Schweiz. Geboren ist sie 1962 im kleinen Grabs SG. Sie studierte in Wien und Basel. Arbeitet und lebt in der Schweiz.

Pipilotti no MoMA:

Um video da artista:

Mai- Thu Perret é a mais novinha e menos famosa dos três. Nasceu em Genebra em 1976.  Vive entre Berlin, Nova York e Genebra. Estudou Literatura inglesa em Cambridge e fez vários cursos de Arte nos Estados Unidos. Trabalha com video, pintura, escultura e instalação:

Mai-Thu Perret ist die Jüngste der drei Berühmtheiten. Geboren ist sie im Jahr 1976 in Genf. Sie lebt und arbeitet in Berlin, New York und Genf. Sie hat Englische Literatur in Cambridge studiert und machte diverse Kunstkurse in den USA. Sie arbeitet mit Video, macht Bilder und Installationen:

Com brasileiro não há quem possa

13 Sep

Minha ultima viagem para o Brasil foi em abril deste ano. A chegada em Cumbica foi desesperadora. A fila para mostrar os passaportes começava já ao sair do avião. Nessas duas horas de caminhar lento, reparei em algumas coisas. Uma delas foi que uma famosa socialite brasileira parecia um travesti. Não fosse a conversa animada com o casal que voltava da China e fazia uma descrição detalhada dos hábitos alimentares e de higiene dos chineses, eu teria certamente me aproximado da socialite bochechuda e puxado conversa. Outra coisa que reparei foi a favelização do aeroporto. Tudo aos pedaços. Uns compensados cobriam um pedaço aqui, um plástico furado colado com fita crepe cobria um pedaço ali, um  pedaço de madeira cobria um buraco no chão.

Eu nao podia nem reclamar. Meu assento no vôo da Swiss estava quebrado. Toda vez que eu tentava reclinar a cadeira, o controle remoto do monitor pulava pra fora. A aeromoça suíça sorriu, foi e voltou com um rolo de fita isolante. Enfaixou o braço da cadeira, deu mais um sorrizinho e falou em alemão para mim: ” ficou ótimo, né?”. Duvido que isso acontecesse num vôo Zürich-Berlin, por exemplo.

Enquanto os aeroportos brasileiros precisam urgente de reformas bem feitas e sem que milhões sejam desviados; aqui na minha área está todo mundo preocupado com o elevador público. O nosso elevador Lacerda andou quebrando e deixando muitas pessoas preocupadas. O pequeno elevador, moderno e lindo, como quase toda a arquitetura contemporânea suíça, foi construído em 2007 para ligar a parte de baixo da cidade de Baden com a de cima; o caminho que acompanha o rio com o centro comercial da cidade. A umidade acabou corroendo parte do maquinário por isso o elevador parou no meio do caminho algumas poucas vezes.

A reforma vai ser feita apenas durante a noite para não atrapalhar o vai e vem das duas mil pessoas que costumam usar o elevador diariamente. Simples assim. A reforma é feita antes do negócio deteriorar de vez, com dinheiro totalmente contado e controlado. Talvez essa seja a fórmula. Arrumar antes de apodrecer. Para depois não ter que destruir e reconstruir.  Claro, pra isso é necessário dinheiro. Coisa que o Brasil teria de sobra não fosse a malandragem e a corrupção.

Eu quero muito  levar minha filha para ver alguns jogos da Copa do Mundo no Brasil. Muito. Mas só de pensar no transporte público, no trânsito e nos aeroportos, dá um desânimo total. Lendo uma reportagem sobre as obras – já paradas por falta de contratação sem licitação de empreiteira – em Cumbica no site oficial da Copa, o Portal 2014, acabei chegando no seguinte texto (já velho mas muito esclarecedor), que vou reproduzir aqui porque melhor eu não faria: “A medida encontrada pela Infraero para minimizar a falta de estrutura é a construção de três módulos de terminais provisórios, os chamados “puxadinhos”. O primeiro será concluído em março e terá capacidade para um milhão de passageiros. O segundo, com previsão de entrega para janeiro de 2012, será para três milhões de pessoas. O último deve ficar pronto no começo de 2013 e terá capacidade para até 2,5 milhões de usuários. O custo total é de R$ 55,7 milhões”.

Se o site lançado pela Fifa fala em “puxadinho” para 3 milhões de pessoas, imaginem como vai estar Cumbica na Copa….Ter que pagar uma pequena fortuna numa passagem de avião para desembarcar numa zona onde nem sempre dá para contar com a companhia de uma jet setter nem de um casal traumatizado com a China; não sei não, acho que não dá. Mas juro, espero muito que dê.

“Es ist schwierig sich mit Brasilianern zu messen”

(aus einer populären Volksmusik aus den 50ern)

Meine letzte Reise nach Brasilien war im April vergangenen Jahres. Die Ankunft in Guarulhos war zum verzweifeln. Die Schlange bis zur Passkontrolle begann schon fast beim Flugzeug. Während zwei Stunden hatte ich dann Zeit mich umzusehen. Dabei entdeckte ich unter anderem eine Person aus der brasilianischen Prominenz, die einem Transvestit glich. Wäre da nicht die spannende Diskussion mit dem Ehepaar gewesen, das gerade aus China zurückkam und die detailliertesten Beschreibungen der dortigen Essgewohnheiten und Hygiene machte, hätte ich mich sicherlich dieser “Gesellschaft der süssen Gesichtsbacken” genähert und versucht ein Gespräch anzufangen. Im Weiteren ist mir die Verwahrlosung des Flughafens aufgefallen. Alles Stückwerk. Sperrholzplatten bedeckten hier ein Stück, ein mit Klebeband befestigter, aber völlig durchlöcherter Plastik bedeckte dort ein Stück, ein Brett bedeckte ein Loch im Boden.

Ich kann nicht einmal reklamieren. Mein Sitz im Flugzeug der Swiss war defekt. Jedes Mal, wenn ich versuchte den Stuhl gerade zu stellen, sprang die Fernbedienung des Monitors aus der Halterung. Die Stewardess lächelte, ging weg und kam mit einer Rolle Klebeband zurück. Hübsch wurde der Arm des Stuhls eingepackt, dann lächelte sie wieder und sagte auf Deutsch zu mir: “sieht schön aus, oder?” Ich bezweifle, ob dergleichen auf dem Flug Zürich-Berlin passieren würde.

Während die brasilianischen Flughäfen dringlichst eine gute Sanierung brauchen, eine bei der nicht wieder zig Millionen Gelder plötzlich verschwinden, sind hier in meiner Region die Leute besorgt über einen öffentliche Promenadenlift. In einer Verankerungskammer in der Stütze des Lifts hat sich Rost gebildet. Der kleine Lift, schön und modern wie fast alle zeitgenössische Architektur, wurde 2007 gebaut und ermöglicht einen schnellen Transfer vom Limmatufer direkt hinauf zum Bahnhofplatz. Seit der Eröffnung hat der Lift schon ein paar Mal gestreikt und nun ist irgendwo Wasser eingedrungen und hat letztlich zum Schaden in der Stütze geführt.

Die Sanierungsarbeiten werden während der Nacht ausgeführt, um den Pendelverkehr von zirka 2000 Leuten pro Tag nicht zu behindern. Nichts Grosses. Die Sanierung wird durchgeführt bevor das Bauwerk einstürzt, alles kontrolliert und mit Kostenvoranschlag. Vielleicht wäre so etwas die Lösung. Zurechtmachen bevor es auseinander fällt. So müsste man auch nicht alles immer wieder abreissen und wieder in gleicher Art neu erstellen. Natürlich braucht es hierfür Geld. Brasilien hätte eigentlich mehr als genug Geld, wäre da nicht die Korruption und die Betrügereien einiger Leute.

Ich würde gerne meine Tochter mit an ein Spiel der Fussball-Weltmeisterschaften in Brasilien nehmen. Sehr gerne sogar. Aber wenn ich an den Öffentlichen Verkehr, den Strassenverkehr und an die Flughafen denke, nimmt mir das die Lust. Ich habe gerade einen Bericht über die Stadien-Baustellen gelesen – Aufträge wurden wieder gestoppt wegen fehlender Ausschreibung – bei Guarulhos steht auf der offiziellen Seite der Copa, genannt Portal 24, folgender Text (bereits veraltet, aber äusserst aufschlussreich), den ich hier zitiere, da ich es nicht besser beschreiben könnte: “Wie von der Infraero vorgeschlagen, braucht es drei provisorische Terminal-Module, zusätzliche Anbauten, um das Fehlen von Infrastruktur zu minimieren. Das erste Modul soll im März 2011 fertiggestellt sein und ist für eine Kapazität von einer Million Personen ausgelegt. Das zweite Modul, geplante Fertigstellung im Januar 2012, ist für drei Millionen Passagiere ausgelegt und das dritte und letzte Modul sollte Anfang des Jahres 2013 kommen und hätte die Kapazität für bis zu 2,5 Millionen Benutzer. Totale Kosten 55,7 Mio R$.”

Wenn nur schon die Seite der Fifa von Anbauten für 1-3 Millionen Personen spricht, so stelle man sich nur einmal vor, wie es dann während der Weltmeisterschaft sein wird… Ein halbes Vermögen ausgeben für einen Flug, um dann irgend in einer Zone auszusteigen, wo man nicht einmal auf die Gesellschaft von Jetsettern oder ein durch eine Chinareise traumatisierten Paar rechnen kann; ich weiss nicht, nein, ich glaube das geht nicht. Aber ich schwöre, ich hoffe, es wird gehen.