Barbaridade

21 Oct

Pior do que assistir a festa pela morte, de quem quer que seja, só o desconforto de assistir todo mundo filmando e fotografando a agonia e a morte. Primeiro foi a execução do Saddam Hussein. As imagens dele sendo enforcado passaram dezenas vezes nas emissoras de televisão e na Internet então, nem se fala, podiam ser vistas milhares de vezes. As ruas tomadas por jovens sorridentes comemorando a morte do Bin Laden também foram assustadoras. E ontem mais assustador ainda com o Gaddafi. As imagens da agonia do ditador líbio e as fotos dos rebeldes fotografando o corpo de Gaddafi são desconcertantes.

É como se agora as exceções virassem regras. As mortes não têm mais privacidade e dignidade. Ninguém mais tem julgamento? E se tem, tem que ser como no caso do Saddam, arcaico  e vergonhoso. Quanto mais violência, mais barbárie, melhor. No caso dos ditadores parece que o show da morte tem que se igualar a eles em truculência e em horror. A audiência deve subir e muito. E pior ainda: ninguém nem sabe mais se as imagens são reais ou manipuladas ou um pouco de tudo. Daqui a pouco vão criar editores de filmes e fotos que já vêm com efeitos mórbidos.

No Brasil a mídia ainda previne. Muitos sites vêm com um aviso sobre o conteúdo de fotos e filmes. Como se o aviso tirasse a culpa do veículo de banalizar a morte. Aqui não. Ninguém precisa procurar nada. A morte é oferecida de bandeja como prato principal.  E quando digo aqui me refiro a Suíça e a Alemanha porque a Suíça sozinha não produz nem um décimo da mídia consumida no país. O negócio é e está ficando cada vez mais escancarado.

Esta semana vários sites de grandes jornais mostravam como chamada principal, além da matéria sensacionalista sobre o velejador alemão  supostamente comido por um canibal,  o video da menininha chinesa de dois anos que foi atropelada e ficou largada agonizando no chão enquanto as pessoas passavam e não faziam nada. Uma coisa horrorosa. Estava lá, e ainda deve estar, para quem quisesse ver. Entrou para os top qualquer coisa e não saiu mais. Talvez os pais desta criança nem saibam que o espetáculo monstruoso da morte de sua filha roda o mundo fazendo sucesso.

Os videos de acidentes de carro com mortos também pipocam a toda hora nos sites de notícias com imagens impressionantes. Se o show da morte de uma figura pública já é horrível, o de “qualquer um” é mais horrível ainda. Eu não gostaria de saber que a dor e o horror de alguém que eu conheço está entretendo um outro alguém em alguma parte do mundo. As pessoas estão ficando tão acostumadas que nem ligam mais. Está ficando banal. Cada vez viramos mais nada.

Barbarei

Schlimmer als die Freudenfeste um den Tod sich anzusehen, von wem auch immer, ist nur das Unbehagen, zu sehen, wie die Agonie und der Tod gefilmt und fotografiert wird. Angefangen hat es mit der Hinrichtung von Saddam Hussein. Die Bilder des Erhängten wurden von zig Fernsehstationen und über das Internet ausgestrahlt und wohl von Millionen von Schaulustigen betrachtet. Auch die Bilder von den lachenden jungen Leuten, welche den Tod von Bin Laden feierten, waren erschreckend. Und vor kurzem nun die noch schrecklicheren Bilder von Gaddafi. Die Bilder des libyschen Diktators und seiner Agonie und die Fotos der Rebellen, die den toten Körper von Gaddafi fotografieren, sind bedrückend.

Es ist, als würde nun die Ausnahme zur Regel werden. Es gibt keine Würde und Privatsphäre für Tote mehr. Gibt es denn keine Gerichtsverfahren mehr? Und wenn es sie gibt, müssen sie dann so sein, wie im Fall von Saddam, archaisch und peinlich? Je gewalttätiger, je barbarischer, umso besser. Es scheint, als habe sich die “Show des Todes” bei Diktatoren, der Brutalität der Personen anzupassen. Die Zuschauerzahlen werden wohl dadurch deutlich gesteigert. Schlimmer noch: Niemand weiss mehr, ob die Bilder überhaupt authentisch oder manipuliert sind, oder allenfalls nur halbauthentisch. Bald wird es wohl schon Editoren geben, die ihre Filme und Fotos mit morbiden Effekten anreichern.

In Brasilien warnen die Medien vorgängig. Viele Seiten kommen mit einem Hinweis über den Inhalt der Bilder und Filmbeiträge. Wie wenn dieser Hinweis die Schuld der Verharmlosung des Todes beseitigen könnte. Hier ist dem nicht so. Niemand muss etwas suchen, der Tod wird in den Medien präsentiert wie ein Hauptgericht beim Essen. Wenn ich hier schreibe, so meine ich die Schweiz und Deutschland, da die Schweizer Medien alleine nur etwa einen Zehntel der hier konsumierten Medien ausmachen. Die Berichte über den Tod werden immer ausführlicher und unzensierter.

Diese Woche zeigten diverse Zeitungsseiten als Hauptschlagzeile, abgesehen von den Sensationsberichten über den verschollenen deutschen Segler, der von einem Kannibalen gefressen worden sein soll, einen Video, auf dem zu sehen ist, wie ein zweijähriges chinesisches Mädchen überfahren wird und danach in ihrem Todeskampf einfach auf der Strasse liegen gelassen wird, während Passanten nichts machen und einfach vorbei gehen. Unbeschreiblich schrecklich. Der Video wird wohl noch immer auf dem Internet für jedermann zugänglich sein. Wurde zum Topvideo und verschwindet nun nicht mehr. Vielleicht wissen die Eltern dieses Kindes nicht einmal, dass dieses monströse Spektakel zu einem weltweiten Erfolg wurde.

Videos über Autounfälle mit tödlichem Ausgang tauchen auch immer wieder mit eindrücklichen Bildern auf Internetseiten von Nachrichtenmedien auf. Wenn die Show über den Tod einer Persönlichkeit des öffentlichen Lebens schon schrecklich ist, so ist es die einer beliebigen Person erst recht. Ich will nicht wissen, wie der Schmerz und der Horror einer Person, die ich kenne, eine andere Person irgendwo auf dieser Welt unterhält. Die Menschen sind schon derart an solche Dinge gewöhnt, dass sich niemand mehr darüber aufregt. Es wird langsam banal. Menschenleben sind jedes Mal etwas weniger wert.

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