Com brasileiro não há quem possa

13 Sep

Minha ultima viagem para o Brasil foi em abril deste ano. A chegada em Cumbica foi desesperadora. A fila para mostrar os passaportes começava já ao sair do avião. Nessas duas horas de caminhar lento, reparei em algumas coisas. Uma delas foi que uma famosa socialite brasileira parecia um travesti. Não fosse a conversa animada com o casal que voltava da China e fazia uma descrição detalhada dos hábitos alimentares e de higiene dos chineses, eu teria certamente me aproximado da socialite bochechuda e puxado conversa. Outra coisa que reparei foi a favelização do aeroporto. Tudo aos pedaços. Uns compensados cobriam um pedaço aqui, um plástico furado colado com fita crepe cobria um pedaço ali, um  pedaço de madeira cobria um buraco no chão.

Eu nao podia nem reclamar. Meu assento no vôo da Swiss estava quebrado. Toda vez que eu tentava reclinar a cadeira, o controle remoto do monitor pulava pra fora. A aeromoça suíça sorriu, foi e voltou com um rolo de fita isolante. Enfaixou o braço da cadeira, deu mais um sorrizinho e falou em alemão para mim: ” ficou ótimo, né?”. Duvido que isso acontecesse num vôo Zürich-Berlin, por exemplo.

Enquanto os aeroportos brasileiros precisam urgente de reformas bem feitas e sem que milhões sejam desviados; aqui na minha área está todo mundo preocupado com o elevador público. O nosso elevador Lacerda andou quebrando e deixando muitas pessoas preocupadas. O pequeno elevador, moderno e lindo, como quase toda a arquitetura contemporânea suíça, foi construído em 2007 para ligar a parte de baixo da cidade de Baden com a de cima; o caminho que acompanha o rio com o centro comercial da cidade. A umidade acabou corroendo parte do maquinário por isso o elevador parou no meio do caminho algumas poucas vezes.

A reforma vai ser feita apenas durante a noite para não atrapalhar o vai e vem das duas mil pessoas que costumam usar o elevador diariamente. Simples assim. A reforma é feita antes do negócio deteriorar de vez, com dinheiro totalmente contado e controlado. Talvez essa seja a fórmula. Arrumar antes de apodrecer. Para depois não ter que destruir e reconstruir.  Claro, pra isso é necessário dinheiro. Coisa que o Brasil teria de sobra não fosse a malandragem e a corrupção.

Eu quero muito  levar minha filha para ver alguns jogos da Copa do Mundo no Brasil. Muito. Mas só de pensar no transporte público, no trânsito e nos aeroportos, dá um desânimo total. Lendo uma reportagem sobre as obras – já paradas por falta de contratação sem licitação de empreiteira – em Cumbica no site oficial da Copa, o Portal 2014, acabei chegando no seguinte texto (já velho mas muito esclarecedor), que vou reproduzir aqui porque melhor eu não faria: “A medida encontrada pela Infraero para minimizar a falta de estrutura é a construção de três módulos de terminais provisórios, os chamados “puxadinhos”. O primeiro será concluído em março e terá capacidade para um milhão de passageiros. O segundo, com previsão de entrega para janeiro de 2012, será para três milhões de pessoas. O último deve ficar pronto no começo de 2013 e terá capacidade para até 2,5 milhões de usuários. O custo total é de R$ 55,7 milhões”.

Se o site lançado pela Fifa fala em “puxadinho” para 3 milhões de pessoas, imaginem como vai estar Cumbica na Copa….Ter que pagar uma pequena fortuna numa passagem de avião para desembarcar numa zona onde nem sempre dá para contar com a companhia de uma jet setter nem de um casal traumatizado com a China; não sei não, acho que não dá. Mas juro, espero muito que dê.

“Es ist schwierig sich mit Brasilianern zu messen”

(aus einer populären Volksmusik aus den 50ern)

Meine letzte Reise nach Brasilien war im April vergangenen Jahres. Die Ankunft in Guarulhos war zum verzweifeln. Die Schlange bis zur Passkontrolle begann schon fast beim Flugzeug. Während zwei Stunden hatte ich dann Zeit mich umzusehen. Dabei entdeckte ich unter anderem eine Person aus der brasilianischen Prominenz, die einem Transvestit glich. Wäre da nicht die spannende Diskussion mit dem Ehepaar gewesen, das gerade aus China zurückkam und die detailliertesten Beschreibungen der dortigen Essgewohnheiten und Hygiene machte, hätte ich mich sicherlich dieser “Gesellschaft der süssen Gesichtsbacken” genähert und versucht ein Gespräch anzufangen. Im Weiteren ist mir die Verwahrlosung des Flughafens aufgefallen. Alles Stückwerk. Sperrholzplatten bedeckten hier ein Stück, ein mit Klebeband befestigter, aber völlig durchlöcherter Plastik bedeckte dort ein Stück, ein Brett bedeckte ein Loch im Boden.

Ich kann nicht einmal reklamieren. Mein Sitz im Flugzeug der Swiss war defekt. Jedes Mal, wenn ich versuchte den Stuhl gerade zu stellen, sprang die Fernbedienung des Monitors aus der Halterung. Die Stewardess lächelte, ging weg und kam mit einer Rolle Klebeband zurück. Hübsch wurde der Arm des Stuhls eingepackt, dann lächelte sie wieder und sagte auf Deutsch zu mir: “sieht schön aus, oder?” Ich bezweifle, ob dergleichen auf dem Flug Zürich-Berlin passieren würde.

Während die brasilianischen Flughäfen dringlichst eine gute Sanierung brauchen, eine bei der nicht wieder zig Millionen Gelder plötzlich verschwinden, sind hier in meiner Region die Leute besorgt über einen öffentliche Promenadenlift. In einer Verankerungskammer in der Stütze des Lifts hat sich Rost gebildet. Der kleine Lift, schön und modern wie fast alle zeitgenössische Architektur, wurde 2007 gebaut und ermöglicht einen schnellen Transfer vom Limmatufer direkt hinauf zum Bahnhofplatz. Seit der Eröffnung hat der Lift schon ein paar Mal gestreikt und nun ist irgendwo Wasser eingedrungen und hat letztlich zum Schaden in der Stütze geführt.

Die Sanierungsarbeiten werden während der Nacht ausgeführt, um den Pendelverkehr von zirka 2000 Leuten pro Tag nicht zu behindern. Nichts Grosses. Die Sanierung wird durchgeführt bevor das Bauwerk einstürzt, alles kontrolliert und mit Kostenvoranschlag. Vielleicht wäre so etwas die Lösung. Zurechtmachen bevor es auseinander fällt. So müsste man auch nicht alles immer wieder abreissen und wieder in gleicher Art neu erstellen. Natürlich braucht es hierfür Geld. Brasilien hätte eigentlich mehr als genug Geld, wäre da nicht die Korruption und die Betrügereien einiger Leute.

Ich würde gerne meine Tochter mit an ein Spiel der Fussball-Weltmeisterschaften in Brasilien nehmen. Sehr gerne sogar. Aber wenn ich an den Öffentlichen Verkehr, den Strassenverkehr und an die Flughafen denke, nimmt mir das die Lust. Ich habe gerade einen Bericht über die Stadien-Baustellen gelesen – Aufträge wurden wieder gestoppt wegen fehlender Ausschreibung – bei Guarulhos steht auf der offiziellen Seite der Copa, genannt Portal 24, folgender Text (bereits veraltet, aber äusserst aufschlussreich), den ich hier zitiere, da ich es nicht besser beschreiben könnte: “Wie von der Infraero vorgeschlagen, braucht es drei provisorische Terminal-Module, zusätzliche Anbauten, um das Fehlen von Infrastruktur zu minimieren. Das erste Modul soll im März 2011 fertiggestellt sein und ist für eine Kapazität von einer Million Personen ausgelegt. Das zweite Modul, geplante Fertigstellung im Januar 2012, ist für drei Millionen Passagiere ausgelegt und das dritte und letzte Modul sollte Anfang des Jahres 2013 kommen und hätte die Kapazität für bis zu 2,5 Millionen Benutzer. Totale Kosten 55,7 Mio R$.”

Wenn nur schon die Seite der Fifa von Anbauten für 1-3 Millionen Personen spricht, so stelle man sich nur einmal vor, wie es dann während der Weltmeisterschaft sein wird… Ein halbes Vermögen ausgeben für einen Flug, um dann irgend in einer Zone auszusteigen, wo man nicht einmal auf die Gesellschaft von Jetsettern oder ein durch eine Chinareise traumatisierten Paar rechnen kann; ich weiss nicht, nein, ich glaube das geht nicht. Aber ich schwöre, ich hoffe, es wird gehen.

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