Eleições

9 Oct

– Se você votar em mim voltaremos a morar no mato,  a comer batata em todas as refeições e morrer com quarenta anos.

O sistema político suíço é interessantíssimo. Na democracia direta, votamos para tudo. Qualquer um pode propor ou embargar legislações. Basta ter mais de 18 anos e possuir a cidadania suíça para lançar uma iniciativa. Se a pessoa conseguir reunir mais de cem mil assinaturas que aprovam certa proposta, a mesma será votada nacionalmente. Quem não está satisfeito com alguma lei existente também pode tentar anulá-la. Para o referendo são necessárias cinquenta mil assinaturas. O ano todo chegam referendos – as cédulas de votação vêm e vão pelo correio – sobre qualquer coisa para serem votados. Chega a encher o saco.

No próximo dia 23 votaremos nos deputados – cuja Câmara representa o povo – e nos dois representantes cantonais (estaduais). São eles que aprovam as leis, fiscalizam o governo e escolhem os sete conselheiros federais – com poderes iguais e cada um representando uma pasta – que se revezam no papel de chefes de estado.

Os cartazes com os candidatos estão espalhados por todos os lugares. Até os jornais, que parecem que estão se lixando para a aparência de neutralidade, publicam propaganda política. Tem candidato de todo o tipo, afinal qualquer um com mais de dezoito anos e passaporte suíço pode se candidatar a uma vaga de deputado. E eu já sei o que fazer daqui uns anos.

Este ano a novidade é a diversidade. O Partido Pirata, que começou na Suécia, cresceu pelo mundo e já tem 57 candidatos nesta eleição suíça. Defendem a liberdade da Internet. São contra as leis de copyright – pretendem o acesso livre a cultura – e a favor da inclusão digital. Basicamente tratam disso. O Partido dos Animais da Suíça, que defende os interesses dos animais é outro partido muito interessante mas também bastante limitado. Tem também os Secondos Plus, grupo filiado a outros partidos, com candidatos que pretendem cuidar dos interesses dos imigrantes. A presença de muitos Mohammed como segundo nome dos candidatos já deve provocar medo em muita gente.

Outra coisa que chama a atenção é o hábito, ridículo, de escrever “Dr” antes dos nomes. No começo eu achava que a Suíça era o país dos médicos. Agora aprendi que tanto aqui, como na Alemanha, o título de doutor em qualquer coisa é super valorizado. Não é difícil, ao ler uma revista qualquer, se deparar com uma foto de uma socialite numa festa com a legenda ” Dr. XXXX se esbalda na Oktoberfest”. Pode ser doutor em qualquer coisa, o que importa é ostentar o título.

E o que dizer dos flyers dos candidatos? Os textinhos das legendas ultra-conservadoras embaixo das fotos de vários candidatos fazem questão do ” casado, pai de três filhos”, “casada, mãe de dois filhos”…. Democracia moderna mesmo só quando vier escrito “na caça” ou ” casado com outro homem”. Ou ainda quem sabe “gay, negra, muçulmana e pobre, é nóis”.

Pior que tudo mesmo são os candidatos que posam para as fotos com trajes típicos da Suíça rural. Engraçadinhos esses. Querem que tudo seja como há cinquenta anos atrás mas quando precisam correm para os hospitais super modernos e bem equipados de Zurich onde quase todos os médicos são… estrangeiros! A Liga do Norte, partido mais horroroso da Italia, também adora pagar mico e se fantasiar. E o terrorista norueguês que tinha fotos no Facebook vestido de viking e de cavaleiro medieval? Como uma mensagem de tradição e conservadorismo pode ser tão ridícula? O SVP (ultra-direita suíça) adora esse tipo.

Agora medo mesmo eu tenho é de um poster na entrada de Wettingen. É de um candidato do SVP, claro,  com um sorriso assustador. Você votaria em alguém chamado Joãozinho Assassino? Pois é.  Se eu fosse o Hans Killer já tinha arrumado um “nome fantasia” há tempos.

Wahlen

– wenn ihr mich wählt, werden wir wieder im Wald wohnen, täglich Kartoffeln essen und mit 40 Jahren sterben.

Das politische System der Schweiz ist äusserst interessant. Per Direkter Demokratie stimmen wir hier über alles ab. Jeder hier kann per Initiative ein neues Gesetz vorschlagen. Man muss einfach 18 Jahre alt sein und das Schweizer Bürgerrecht besitzen. Gelingt es 100’000 Unterschriften zu sammeln, kann sogar national darüber abgestimmt werden. Ist man mit einem Gesetz nicht einverstanden, kann man auch versuchen, dieses streichen zu lassen. Für ein Referendum sind 50’000 Unterschriften nötig. Das ganze Jahr über kommt es immer wieder zu Abstimmungen – die Wahlformulare kommen per Post und können auch per Post wieder abgesendet werden – und über alles kann abgestimmt werden. Es gibt so viele Abstimmungen, dass man teilweise sogar genug davon hat.

Am kommenden 23. werden die Abgeordneten der beiden Kammern gewählt – die Vertreter des Nationalrats und des Ständerats. Sie werden später die Gesetze genehmigen, die Regierung beaufsichtigen und die sieben Bundesräte wählen, die unter sich gleich gestellt sind und verschiedenen Departementen vorstehen.

Die Wahlplakate der Kandidaten hängen schon überall. Auch in den Zeitungen findet man Wahlanzeigen. Die Neutralität scheint Schweizer Zeitungen nicht wichtig zu sein. Kandidaten findet man von jeglicher Art, schliesslich kann sich ja jeder über 18 Jahren mit Schweizer Pass für einen der freien Plätze aufstellen lassen. Ich weiss schon heute, was ich in einigen Jahren machen werde.

Speziell ist dieses Mal die grosse Vielfalt. Die Piraten Partei, die seinen Ursprung in Schweden hat, wuchs weltweit und hat nun auch schon 57 Kandidaten bei den kommenden Schweizer Wahlen. Sie verteidigen die Freiheit des Internets, sind gegen die Copyright-Gesetze, möchten den freien Zugang zu Kultur für Jedermann und die digitale Integration. Die Tierpartei Schweiz, welche die Rechte und Interessen der Tiere vertritt ist eine andere interessante, wenn auch sehr limitierte Partei. Dann gibt es auch die Secondos Plus. Ihre Kandidaten geben an, sich um die Interessen und Anliegen der Immigranten zu kümmern. Die vielen Mohammeds in den Namen werden wohl Angst bei vielen Wählern hervorrufen.

Etwas anderes was mir immer aufgefallen ist, sind die lächerlichen “Dr.” vor den Kandidatennamen. Am Anfang dachte ich, die Schweiz ist das Land der Ärzte. Nun weiss ich, dass hier, genauso wie in Deutschland, ein Doktortitel für was immer auch, viel zählt. Man kann irgend eine Zeitschrift aufschlagen und findet schon in den Legenden unter den Fotos: “Dr.XXXX vergnügt sich am Oktoberfest”. Es kann ein Doktortitel in irgendwas sein, Hauptsache, man kann einen Titel vorweisen.

Und was kann man über die Flyer der Kandidaten sagen? Bei den Ultrakonservativen scheint es sehr wichtig zu sein, ob sie verheiratet sind oder Kinder haben: “verheiratet, Vater von drei Töchtern” oder “verheiratet, Mutter von 2 Kindern” … In der modernen Demokratie wäre dann auch zu erwarten “ungebunden” oder “verheiratet mit einem Mann”, oder wer weiss, eventuell “schwul, schwarzhäutig, Muslim, arm oder aus der Periperhie stammend”.

Am schrecklichsten sind eigentlich die Kandidatenfotos, bei denen die Personen in Trachten oder Kostümen posieren. Schön durchtrieben. Sie wollen, dass alles so ist wie vor fünfzig Jahren, aber wenn dann mal etwas passiert, springen sie ins Spital nach Zürich, wo dann 50% der Ärzte Ausländer sind! Die schreckliche italienische Lega Nord liebt es auch, sich lächerlich zu machen und sich zu verkleiden. Und der norwegische Terrorist, posierte er nicht auf Facebook als mittelalterlicher Ritter und Wikinger? Wie kann doch eine Botschaft der Tradition lächerlich sein. Die SVP liebt diese Art.

Angst habe ich nun wegen einem Plakat hier in Wettingen. Es ist ein Kandidat der SVP, er zeigt ein angsteinflössendes Lächeln. Aber ehrlich, kann man jemanden wählen der “Killer” heisst? Wäre ich er, ich hätte mir schon längst einen Phantasienamen zugelegt.

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