O Landesmuseum Zürich é um dos melhores museus de História da Europa. De longe parece um castelo. Imponente, enorme, lindo. Construído em 1898, o museu faz parte do grupo de museus nacionais e conta a história da Suíça através de mobiliário, objetos, roupas, jóias , obras de arte e documentos. Vale muito a visita.
Fica grudado na estação principal de trem de Zurique (Hauptbahnhof).
A primeira vez foi inesquecível. O alarme começou às 13:30 em ponto. Era alto, muito alto. Não tinha a mínima idéia do que estava acontecendo. Anos depois já sei que o treinamento em caso de catástrofe (que aqui quer dizer acidente nuclear) é regular e pontual como tudo na Suíça.
Hoje chegou pela manhã o “kit acidente nuclear”. Todas as pessoas que vivem num raio de vinte quilômetros de alguma usina atômica receberam um folheto explicativo muito claro e um estojo para guardar a papelada e o potássio. Por que não basta morar na roça, acordar com menos quinze graus lá fora… tem que morar perto de uma usina atômica! É nóis!
Até 2034 teremos que continuar com o treinamento em caso de acidente nuclear. As centrais nucleares suíças serão desativadas progressivamente depois que completarem cinquenta anos. A nossa usina mais próxima deve ser totalmente desativada em 2019. Três dias depois da catástrofe em Fukushima, no Japão, o governo suíço decidiu suspender os projetos de renovação das usinas atômicas. Por enquanto, 40% da energia produzida na Suíça vem das centrais nucleares.
1 – Se o alarme começar a tocar, ligue imediatamente a TV ou o rádio ou visite o site da SF (Televisão Suíça) para saber do que se trata: treinamento ou verdade. Se for verdade, corra para o porão ou para o bunker (nem todos os prédios e muito menos as casas têm bunkers) mas antes:
2 – Feche todas as janelas e as portas. Não saia para fora. Desligue o sistema de circulação de ar do local (se você tiver um).
3 – Verifique se o fogão está desligado assim como a lareira ou alguma vela. Apague tudo.
4 – Pegue cobertas e almofadas confortáveis e quentes e brinquedos para as crianças. Se criança já dá trabalho normalmente, imagine numa situação dessas… o prédio inteiro fechado numa salinha fria….como não vai dar para brincar no IPad, melhor levar uns Playmobils para garantir a paz… O folheto diz para levar um rádio. Mas quem ainda tem um rádio? Lista de compras já…
5 – Não use telefones, nem mesmo o celular. Se todo mundo usar ao mesmo tempo, as redes cairão de vez.
6 – Tome os tabletes de potássio na dosagem correta. Vomitar ou ter diarréia por causa de uma overdose num bunker é inviável.
7 – Não tranque a porta do bunker por dentro. Relaxe e espere. Alguém vai aparecer… um zumbi ou um soldado deve te resgatar.
Eu (quase) não tenho medo. É tudo muito bem organizado e nosso prédio tem um bunker novinho. Medo eu teria se morasse em Angra dos Reis.
Rennt nicht in die Berge!
Das erste Mal war unvergesslich. Der Alarm begann genau um 13.30h. Es war laut, ohrenbetäubend laut. Ich hatte keine Ahnung was los ist. Einige Jahre danach weiss ich nun, dass der Probealarm für einen Katastrophenfall (hier wäre dies ein atomarer Unfall) regelmässig und pünktlich stattfindet, wie alles hier in der Schweiz.
Heute morgen kam per Post ein “Notfall-Kit”. Alle Personen, die in einem Radius von 20 km im Umfeld eines Atomkraftwerkes leben, erhielten ein solches. Eine einfache und klar verständliche Gebrauchsanleitung sowie eine Plastikmappe, um die Papiere und das Kaliumjodid aufzubewahren. Wir leben doch schon praktisch auf dem Land, da müssen wir auch noch in der Nähe eines Atomkraftwerks leben.
Bis ins Jahr 2034 müssen wir noch mit diesem Training für den atomaren Notfall leben. Die schweizer Atomkraftwerke werden nach 50 Jahren Betriebszeit kontinuierlich abgeschaltet. Dasjenige in unserer Nähe sollte im Jahr 2019 vollständig deaktiviert sein. Drei Tage nach der Katastrophe in Fukushima in Japan entschied die Schweizer Regierung, die Renovation der Atomkraftwerke auszusetzen. Vorerst kommen noch 40% der in der in der Schweiz produzierten Energie aus Atomkraftwerken.
1 – Bei Alarm muss sofort das Radio oder das Fernsehen eingeschaltet werden (das Schweizer Fernsehen gibt Auskunft, ob es sich um eine Übung oder um einen Ernstfall handelt). Handelt es sich um einen Ernstfall, rennt man in den Keller zum Luftschutzraum (nicht alle Gebäude oder Häuser haben solche), doch zuvor folgendes:
2 – Schliesst alle Fenster und Türen. Nicht hinausgehen. Lüftung und Klimaanlagen abschalten.
3 – Vergewissert euch, ob der Herd abgeschaltet ist, ebenso ist Feuer zu löschen (Cheminées, Kerzen).
4 – Nimmt warme Decken und Kissen und Spielzeug für Kinder mit. Man muss sich diese Situation mal vorstellen: das gesamte Gebäude geschlossen, alle in einem kalten Raum … Man nimmt wohl besser Playmobil mit, um Ruhe zu garantieren … Es steht in der Broschüre noch, man solle einen Radio mitnehmen. Aber wer hat denn heute noch einen solchen Radio? Auf die Einkaufsliste setzen …
5 – Nicht telefonieren, wegen der Gefahr einer Netzüberlastung.
6 – Tabletten in der richtigen Dosis einnehmen. Sich übergeben oder plötzlicher Durchfall wegen Überdosis ist im Schutzraum mühsam (dafür muss man kurzzeitig in die Wohnung zurück).
7 – Die Schutzraumtüre ins Hausinnere offen lassen. Entspannen und warten. Jemand wird schon kommen … ein Zombie oder Soldat wird dich schon retten.
Ich habe (fast) keine Angst. Es ist alles sehr gut organisiert und unser Gebäude hat einen neuen Schutzraum. Angst hätte ich, wenn ich in Angra dos Reis leben würde.
Thewettingenpost não morreu, apenas congelou. Assim como nós congelaremos um pouquinho na Suíça neste inverno. A previsão é que até domingo a temperatura fique com a máxima de – 12° (doze graus negativos) e a mínima de – 20°…. Logo, logo thewettingenpost descongela…..
Thewettingenpost ist nicht gestorben, nur eingefroren. Genauso wie wir diesen Winter in der Schweiz etwas eingefroren sind. Die Vorhersagen bis Sonntag liegen zwischen -12° und -20 ° … Bald danach taut thewettingenpost wieder auf …
Quando alguém me fala que sua estação do ano preferida é o inverno, eu não entendo. Talvez ela não precise sair de casa de manhã, ainda no escuro, à pé, no meio de uma tempestade de neve. Talvez ela seja uma atleta profissional e passe o inverno todo esquiando. Morro de inveja quando vejo uma pessoa andando na rua imune ao frio. De casaquinho, tênis no pé e com os cabelos cheios de flocos de neve grudados. Como ela consegue? E eu com um casaco gigante, gorro, luvas, botas gore tex e ainda assim com o nariz escorrendo.
E depois de se arrumar toda, o bafão dos lugares sem janela, especialidade suíça. Casaco, gorro, luvas e bota no calorão do ônibus ou no bafo de uma loja onde as vendedoras trabalham só de camiseta. E no cinema lotado tem que empilhar tudo no chão mesmo. Ou no colo e sair com as pernas suadas. E quando o pé afunda numa montanha de neve dessas que ficam nas margens das ruas… aí não tem bota que dê conta. Alaga mesmo.
Os jornais começam com as reportagens anuais sobre depressão. A maioria absoluta de deprimidas aqui é de mulheres acima dos cinquenta anos. A escuridão, o frio e o mau humor das pessoas contribuem. Quem sai pra trabalhar às oito da manhã e volta pra casa às cinco da tarde não vê mais a luz do dia. Luz do sol entao, só daqui uns quatro meses…
Depois dos meses de neblina, saímos das nuvens e entramos no congelador. Daqui pra frente só piora. Agora 0° ainda é bom. Logo, logo, ficaremos só no negativo. Culpa dessa beleza dos Alpes. Pra baixo deles, o clima é ótimo, como no norte da Itália. Frio no inverno mas frio aceitável. Pra cima… é como na Alemanha, ou muito pior dependendo da altitude. E altitude é o que mais tem na Suíça. Fazer o quê?
Escrever sobre a morte é complicado. As palavras devem ser usadas com cuidado para não magoar os que estão vivos. Mas a morte é fato, parte da natureza, dela ninguém escapa. Escrever sobre o suicídio é muito mais complicado. Não é apenas a opção pela liberdade de escolha na hora de morrer mas também compreender o porquê dessa e não de outra escolha. Mesmo nas doenças gravíssimas, as escolhas existem. Enquanto escrevo um texto de ficção, fico procurando todas as razões que levaram uma personagem a tomar a atitude de acabar com a própria vida, tento chegar até a infância, passo pela adolescência, a juventude, a vida adulta. Em algum lugar, ou provavelmente em todos, está a chave. Depois tudo tem que ser desvendado de modo sutil e com muito cuidado. Porque se eu explico que a pessoa fictícia X se matou por causa de uma doença, uma depressão sem fim, todas as faltas de perspectivas juntas, podem pensar que a pessoa real Y vai usar isso como inspiração e fazer o mesmo. O assunto é delicado.
E quando alguém quer morrer, não suporta mais viver por inúmeras razões, mas está impossibilitado de exercer essa última atitude – o suicídio- por limitações físicas ou por medo?
Hoje, rodando pelos blogues de brasileiros que moram na Europa, li no Diário do Centro do Mundo, de Paulo Nogueira, um post que me fez lembrar da discussão no início do ano, na Suíça, sobre a morte assistida e o fato da Dignitas atender clientes de outros países .
A Suíça é um dos únicos lugares na Europa onde a morte assistida é aceita pela lei. Apenas a Holanda e a Bélgica têm leis que permitem tanto a morte assistida quanto a eutanásia. O que é permitido aqui é o suicídio assistido, onde o paciente é quem dá o último passo, geralmente bebendo uma mistura de suco com pentabarbital de sódio (um sedativo), vendido apenas com receita médica. A eutanásia continua proibida. O que a Dignitas e outras associações fazem é arrumar tudo (inclusive legalmente) para que o cliente beba a overdose sem que sua família (ou qualquer outra pessoa) leve a culpa e enfrente processos legais. As associações, pelo menos na teoria, ajudam para que a morte não seja dolorosa e cheia de sofrimento já que a vida das pessoas que as procuram já é cheia de dor.
Aqui existem três associações que ajudam a morrer com dignidade. A Dignitas é a mais famosa. Fundada em 1998 por um advogado suíço, ela é paga ( cara, cerca de sete mil euros, fora a taxa anual) e aceita estrangeiros. A maioria dos clientes é de pessoas com doenças incuráveis mas alguns não seguem esta regra. Muitos chegam da Alemanha para morrer na Suíça já que na Alemanha o suicídio assistido é ilegal. Outros vêm da França, da Inglaterra, da Espanha. Por essa razão, a Dignitas já foi acusada de promover o turismo da morte. Enfrentou muitas críticas quando ex-funcionários declararam aos jornais que mais de 300 urnas com restos de cinzas de clientes foram jogadas no lago de Zurique. Também foi criticadíssima por usar sacos de gás hélio em vez de pentabarbital de sódio em algumas mortes assistidas.
A pequena ex-International ajuda principalmente alemães e tem como base a cidade de Berna. Foi fundada em 1996. Até agora ajudou vinte pessoas a morrer sem sofrimento.
A Exit, a outra associação de assistência ao suicídio no país, é a mais antiga e a que tem mais credibilidade. Existe desde 1982 e nunca se envolveu em grandes polêmicas. Só ajuda suíços ou residentes no país a morrer. Controlada por uma comissão de médicos, é praticamente de graça, ou melhor funciona como um plano de saúde só que ao contrário. O associado deve pagar uma taxa de 20 euros por ano para poder usar o serviço não para prolongar a vida mas sim para abreviar a morte. Hoje a Exit tem mais de 70 mil membros. Diferente da Dignitas, a Exit não ajuda pessoas com depressão severa a morrer. Pelo contrário, para estes pacientes oferece uma série de terapias para que possam continuar a viver. A associação basicamente só assiste no suicídio de pessoas com doenças que provocam (ou provocarão) grande e constante sofrimento impossibilitando uma vida digna.
Aqui a questão é discutida abertamente. No início do ano houve votação popular para decidir se as associações poderiam continuar com os suicídios assistidos. A população se mostrou amplamente a favor.
Um pedacinho de EXIT – Le droit de mourir, documentário de Fernand Melgar sobre o trabalho da respeitada Exit:
Ein Ausschnitt aus EXIT – Das Recht zu sterben, eine Dokumentation von Fernand Melgar über die Arbeit der angesehenen Exit:
Sterben in Würde in der Schweiz
Über den Tod zu schreiben ist schwierig. Die Worte müssen mit Vorsicht gewählt werden, um niemanden zu verletzen. Doch der Tod ist eine Tatsache, ist Teil der Natur, niemand entgeht ihm. Über Selbstmord zu schreiben ist noch viel schwieriger. Es geht nicht nur um die Freiheit, den Zeitpunkt des Todes selbst zu wählen, es geht auch darum, zu verstehen, warum der Tod so erfolgte und nicht anders. Sogar bei ganz schweren Krankheiten hat eine Person die Wahl. Schreibe ich einen fiktiven Text mit diesem Thema, so suchen ich zuerst nach all den möglichen Gründen, die eine Person dazu bringen könnte, das eigene Leben zu beenden. Ich gehe von der frühen Kindheit bis hin zum erwachsenen Menschen. Irgendwo oder vielleicht auch überall liegt der Schlüssel. Danach will alles erläutert sein, doch dies mit Vorsicht und Feingefühl. Erkläre ich, dass sich eine Person X wegen einer Krankheit das Leben nahm, einer nicht enden wollender Depression, so könnte ein allfälliges Fehlen oder Aufzeigen jeglicher Perspektive dazu führen, dass ich irgendwann denken könnte, eine reelle Person Y wurde dadurch inspiriert und ging deshalb den gleichen Weg. Das Thema ist heikel.
Und was, wenn jemand sterben will, das Leben aus diversen Gründen nicht mehr erträgt, doch selbst unfähig ist, sei es durch körperliche Behinderung oder aus Angst, die letzte Handlung, den Selbstmord, selber auszuführen?
Als ich heute die Blogs der Brasilianer, die in Europa wohnen durchging, las ich unter anderem einen Eintrag im Diário do Centro do Mundo von Paulo Nogueira, einen “Post”, der mich an die Diskussion Anfang Jahres über den “begleiteten Suizid” in der Schweiz erinnerte und die Tatsache, dass die hier tätige Dignitas auch Klienten aus anderen Ländern annimmt.
Die Schweiz ist eines der wenigen Länder Europas, wo der begleitete Tod akzeptiert und legalisiert ist. Nur noch Holland und Belgien besitzen Gesetze, die den begleiteten Tod und die Euthanasie erlauben. Hier ist der begleitete Freitod legalisiert, also der Schritt, wo der Patient in der Regel eine Mischung aus Fruchtsaft und einem ärztlich verschriebenem Natrium-Pentobarbital (ein Sedativum, Beruhigungsmittel) trinkt. Die Euthanasie ist weiterhin verboten. Dignitas (und auch andere Organisationen) sorgt für das ganze Umfeld (inklusive der rechtlichen Angelegenheiten), damit der Klient die Überdosis zu sich nehmen kann, ohne dass die Familie (oder sonst eine Person) dafür die Schuld auf sich nehmen muss oder sogar eine Anklage zu befürchten hat. Die Organisationen wollen dafür sorgen, dass der Tod weder schmerzhaft noch voller Leid erfolgt, sei doch das Leben der Person, die sie aufsucht schon schmerzvoll genug.
Hier gibt es drei Organisationen, die helfen in Würde zu sterben. Dignitas ist die wohl am besten bekannte davon. Gegründet wurde sie 1998 durch einen schweizer Anwalt, sie ist kommerziell (teuer, circa 7’000 Euro für Mitglieder, ohne jährliche Beitragszahlung) und auch offen für Ausländer. Die grosse Mehrheit der Klienten sind Personen mit nicht heilbaren Krankheiten, es gibt aber auch andere. Viele kommen von Deutschland, um in der Schweiz zu sterben, ist doch dort der begleitete Suizid illegal. Andere kommen von Frankreich, England oder Spanien. Genau deswegen wurde Dignitas schon wegen “Todestourismus” angeklagt. Es hagelte auch Kritik, als ehemalige Mitarbeiter den Zeitungen sagten, dass mehr als 300 Urnen in den Zürichsee geworfen wurden. Ebenso wurde kritisiert, dass in einigen Fällen, anstatt des Natrium-Pentobarbital, mit Helium gefüllte Säcke verwendet wurden.
Die kleine ex-International hift hauptsächlich Deutschen und befindet sich in Bern. Gegründet wurde sie 1996. Bis heute half sie 20 Personen ohne Leid zu sterben.
Exit ist die älteste und wohl am glaubwürdigste Organisation im Land. Sie existiert seit 1982 und war nie in grosse Polemiken involviert. Sie hilft nur Schweizern oder hier im Land ansässigen Personen in den Tod. Kontrolliert wird sie durch eine Gruppe Mediziner und ist nahezu gratis, eine Art “umgedrehte Krankenkasse”. Die Mitglieder bezahlen einen jährlichen Beitrag von 20 Euro, um bei Bedarf nicht das Leben zu verlängern, sondern um es zu verkürzen. Heute besitzt Exit circa 70’000 Mitglieder. Im Unterschied zu Dignitas akzeptiert Exit keine Patienten mit schwerer Depression. Für diese Patientengruppe bietet Exit sogar eigens eine ganze Serie von Therapien an, damit sie es schaffen weiter zu leben. Die Organisation begleitet grundsätzlich nur Suizide von Personen mit Krankheiten, die schwere und konstante Leiden verursachen und darum ein Leben in Würde verunmöglichen.
Hier wird das Thema offen diskutiert. Am Anfang dieses Jahres gab es eine Volksabstimmung darüber, ob diesen Organisationen weiterhin der begleitete Suizid erlaubt sein soll. Die Mehrheit der Bevölkerung stimmte dafür.
Minha amiga Vivi quer decorar a casa para o Natal pela primeira vez. Claro, agora ela tem uma filhinha linda de quase um ano. Cuidado amiga, isso pode desencadear uma loucura.
Comigo foi assim. No primeiro Natal com minha filha achei que era hora de começar a decoração natalina, afinal as crianças adoram. Ela não tinha nem três meses mas quem liga para isso? Comprei uma árvore pequena, coloquei uns enfeites e pronto. No ano seguinte pensei que como ela já tinha mais de um ano, ela precisava de uma decoração maior. A árvore aumentou, os enfeites também. Ano seguinte compramos umas luzes e grudamos nas janelas.
Não somos católicos. Aqui você está ou não está na igreja, católica ou protestante, e paga imposto anual quando está. Mesmo não sendo católicos achamos interessante continuar com nossa decoração natalina quando mudamos para um apartamento com terraço. Então minha filha já tinha três anos e agora sim reconheceria a beleza de toda aquela decoração. A árvore aumentou mais ainda afinal os enfeites aumentaram. Então veio a idéia: esse terraço tão grande ficaria maravilhoso com algumas luzes. Claro! As luzes internas ainda não eram suficientes!
Primeiro foi um trenó puxado por renas. Então arrancamos o Papai Noel que estava pendurado em uma escada subindo por uma das janelas e o colocamos sentado no trenó. Lindo. Mas ninguém via o trenó porque, claro, moramos num terraço e só os apartamentos dos prédios mais altos conseguiam admirar nossa decoração. Então no ano seguinte grudamos umas luzes numa rede de proteção de um lado do apartamento. Luzes azuis. Mas faltava o outro lado. Compramos mais luzes e fizemos um “ninho” para o trenó com o Papai Noel.
Os mercados de Natal daqui e principialmente os da Alemanha são uma coisa de louco. E nós então começamos a enlouquecer. No ano seguinte meu marido ficou três horas pendurado no terraço para literalmente contornar o prédio todo com luzes. Os vizinhos adoraram. O incentivo fez com que, um ano depois, além das luzes azuis de um lado, o trenó com o Papai Noel do outro e o contorno do prédio, colocássemos uma cascata, sim uma cascata de luzes que descia pela fachada do prédio e ainda o perfil de renas e bonecos de neve na fachada. A árvore de Natal só crescia e agora não era mais enfeitada só com bolas. Fadas, borboletas, estrelas, sinos, pedras coloridas, bonequinhos de madeira, soldadinhos, bailarinas, ursinhos, veadinhos, sapatos e bolsas em miniatura e qualquer tralha fazia parte da decoração. Tinha vela acesa por toda parte. Presépio, uns dois. Guirlanda, uma em cada porta.
O ápice da loucura foi quando vimos um boneco de neve inflável de seis metros de altura. Nos olhamos e desejamos aquele boneco mais que tudo. Não fosse o preço absurdo e a certeza que o boneco ia murchar em pouquíssimo tempo, teríamos comprado. Mas como toda paixão, um dia essa também acabou. Graças a deus.
Ano retrasado já deu preguiça. Ele não aguentava mais ficar horas congelando no terraço para colocar as luzes. Eu já não tinha mais saco de decorar as árvores do jardinzinho, muito menos de ficar no alto de uma escada enganchando os fios das luzes internas nos trilhos das cortinas. A árvore de Natal começou a encolher.
Ano passado então, nem se fala. Mais de dois terços da decoração ficou no porão. E outro dia foi um amigo que reparou na sala: “ mas essa luz não é de Natal?”. Era. Sobrou. Ninguém tinha mais saco para tirar.
Seid vorsichtig, Weihnachten steht bevor!
Meine Freundin Vivi möchte dieses Jahr zum ersten Mal ihr Zuhause weihnachtlich schmücken. Gut verständlich, sie hat eine herzige Tochter, die gerade mal ein Jahr alt ist. Doch ich warne Dich, dies könnte nur der Beginn einer verrückten Leidenschaft sein.
Mir ist es so ergangen. Bei der erste Weihnacht mit meiner Tochter dachte ich, es sei an der Zeit, mit einer kleinen weihnachtlichen Dekoration zu beginnen, schliesslich lieben das ja alle Kinder! Sie war nicht mal drei Monate alt, doch wen störte das? Ich habe einen kleinen Weihnachtsbaum gekauft, ihn etwas geschmückt und fertig. Im darauffolgenden Jahr dachte ich, da sie nun ja schon etwas mehr als ein Jahr alt war, dass sie einen etwas grösseren Baum verdiene. Der Baum wurde grösser, die Dekoration schöner. Das Jahr drauf kauften wir ein paar Lichter und befestigten sie an den Fenstern.
Wir sind keine Katholiken. Hier ist man in der Kirche oder man ist nicht in der Kirche, katholisch oder protestantisch. Ist man in der Kirche, so zahlt man jährlich eine Kirchensteuer. Obwohl wir nicht in der Kirche sind, wollten wir auch an unserem neuen Wohnort, einer Dachwohnung mit grosser Terrasse, die weihnachtliche Dekoration beibehalten. Die Tochter war inzwischen schon drei Jahre alt und würde die Schönheit einer solchen weihnachtlichen Dekoration sicher schätzen. Der Baum wurde noch etwas grösser und der Schmuck hatte da mitzuhalten. Nun kam dann schnell die Idee: Eine solch grosse Terrasse würde doch wunderbar erstrahlen mit etwas Licht. Aber sicher! Die Lichter in der Wohnung genügten nicht!
Als erstes kam ein leerer Schneeschlitten, gezogen von Rentieren. Dann haben wir einen Weihnachtsmann aus einer Strickleiter befreit (der Typ Weihnachtsmann, der aussen an der Wand hängt und über die Strickleiter in die obere Wohnung steigt) und in den leeren Schlitten gesetzt. Schön anzusehen. Nur sah das niemand, klar, wohnen wir doch zuoberst und nur die Häuser weiter oben am Hang konnten unsere Dekoration bestaunen. So haben wir dann im darauffolgenden Jahr eine Leuchtkette auf der hinteren Seite unserer Wohnung über die halbe Länge der Wohnung jeweils vom Dach bis hin zum Geländer gezogen. Blaue Lichter. Es fehlte noch die andere Seite. Wir haben noch mehr Lichter gekauft und um den Weihnachtsschlitten weitere Figuren angehäuft.
Der Markt für Weihnachtsprodukte besteht hier hauptsächlich aus Produkten aus Deutschland und grenzt an eine Spinnerei. Wir wurden auch langsam verrückt. Im nächst folgenden Jahr war mein Mann drei Stunden draussen auf der Terrasse, um die ganze Terrasse mit Lichtern zu schmücken. Die Nachbarn waren verzückt. Dies spornte uns zu weiterer Höchstleistung an. Im nächsten Jahr hatten wir nebst den blauen Lichter auf der einen Seite, der Lichterkette um die Terrasse und dem Schneeschlitten auf der anderen Seite zusätzlich noch vom Dach hängende Leuchtketten und dazwischen leuchtende Konturen von Rentieren sowie einen Schneemann und einen leuchtenden Tannenbaum. Der Weihnachtsbaum war noch grösser und hatte nun nicht mehr bloss Weihnachtskugeln. Feen, Schmetterlinge, Sterne, Glocken, bunte Steine, Holzfiguren, kleine Soldaten, Ballerinen, Bärchen, Rehe, kleine Schuhe, kleine Taschen und noch etliche andere Stücke waren nun Teil der Dekoration geworden. Leuchtende Kerzen dazu auf allen Seiten. Zwei Krippen hatten wir aufgestellt und an jeder Fenstertüre hing noch eine Girlande.
Der Höhepunkt aller Verrücktheit kam als wir einen aufblasbaren Schneemann von sechs Meter Höhe entdeckten. Wir haben ihn angesehen und wollten ihn unbedingt haben. Wäre da nicht dieser absurd hohe Preis gewesen und die Gewissheit, dass so ein Luftgebläse in kürzester Zeit Löcher hat und einknickt, wir hätten ihn bestimmt gekauft. Aber wie es so ist mit jeder Leidenschaft, eines Tages ist sie erloschen. Gott sei Dank.
Im vorletzten Jahr verspürten wir schon eine gewisse Trägheit. Mein Mann hatte keine Lust mehr, da draussen stundenlang in der Kälte zu frieren und die Lichter zu montieren. Ich hatte keinen Bock mehr die Bäume draussen zu schmücken und noch weniger hier drinnen auf einer Leiter die Lichterketten den Vorhangschienen entlang aufzuhängen. Der Weihnachtsbaum begann zu schrumpfen.
Vom vergangen Jahr muss ich gar nicht erst erzählen. Mehr als Zweidrittel der Dekoration blieb im Keller. Vor ein paar Tagen war ein Freund hier zu Besuch und fragte erstaunt: ” Ist dieser Leuchtstern hier nicht noch von der letzten Weihnacht?” Richtig, war er. Ist übrig geblieben. Niemand hatte mehr Lust ihn zu versorgen.
Quem mora há muito tempo fora do Brasil sabe como é. A saudade faz a gente fazer coisas que nunca faríamos se estivessemos no próprio país. Show de pagode, apresentações de capoeira e feijoadas beneficentes são só algumas coisas que a gente passa a consumir só porque não está no Brasil.
Anos atrás, num processo obrigatório, contratei uma tradutora para traduzir toda minha documentação brasileira antes de casar. Cristina era do interior de São Paulo, tinha morado na capital para fazer faculdade e morava na Suíça há quase vinte anos. Ela era inteligente, culta e muito, muito discreta. Ruiva, magrinha, ela tinha a pele translúcida. Falava baixo, não cometia nem um errinho gramatical, gostava de literatura latino americana e teatro alemão. Todas as vezes que eu fui na casa dela dava para escutar uma música ambiente baixinha, quase inaudível, devia ser Enya, que ao lado dos óleos essenciais aquecidos dava o toque de calmaria – esotérica – no apartamento. Divorciada, quase cinquenta anos, vivia com os dois filhos adolescentes.
Além do pagode, da capoeira e da feijoada, outros dois eventos fazem a brasileirada sair da toca. Copa do Mundo nem se fala. É tanto batuque, tanta caipirinha que ninguém vê é nada. É um tal de perguntar “ o que foi, o que foi?” sem parar. Ninguém sabe se o Brasil fez ou levou gol. No fim, Brasil perdendo ou ganhando rolava festa até de madrugada. Perdendo ou ganhando, rolava choro.
Mas é no Carnaval que a pantera guardada dentro dos corações brasileiros salta para fora selvagem e com fúria . É muita alegria e muita saudade para extravasar.
Quase todo desfile de Carnaval aqui tem uma “escola de samba” de brasileiras. Geralmente, em fevereiro ou março, época de Carnaval, temos as temperatutas mais baixas do ano. É frio de rachar. Só o vento já faz o maxilar travar. Mas as brasileiras não ligam. Enquanto todo mundo veste roupas medievais e as crianças estão fantasiadas de bichinhos peludos, as brasileiras vêm de biquini, aquecidas pelas caipirinhas e pelo sentimento incontrolável da saudade.
Pois foi bem lá no meio da “escola”, onde as mulheres sambavam com a bunda na cara dos atônitos espectadores e os suíços destroçavam os instrumentos de percussão como se fossem crianças brincando com as panelas da mãe que ela surgiu. Quase caí para trás quando vi minha tradutora toda suada com uma bandana na cabeça e a camiseta amarrada com um nó.
Ela era a única que tocava tamborim direito. Na verdade ela tocava muito bem. E agora dá para esperar o Carnaval, sem ter que matar saudades no pagode, só para ver Cristina passar sambando.
Wer längere Zeit fern von seiner Heimat lebt, weiss wie es ist. Das Heimweh lässt uns Dinge tun, die wir dort nie machen würden. Sich eine Pagode-Show ansehen, Vorstellungen von Capoeira besuchen oder Bohneneintöpfe an gemeinnützigen Veranstaltungen essen gehen. Das sind nur ein paar von vielen Dingen, die ich wohl nur darum gemacht habe, weil ich nicht mehr in Brasilien lebe.
Vor einigen Jahren, vor meiner Heirat, brauchte ich für die Übersetzung meiner brasilianischen Dokumente eine Übersetzerin. Cristina stammt aus dem Hinterland von Sāo Paulo, sie lebte später in Sāo Paulo, absolvierte dort eine höhere Schule und wohnte damals schon fast 20 Jahren in der Schweiz. Sie war klug, gebildet und sehr, sehr diskret. Rote Haare, dünn und mit durchschimmernd weisser Haut. Sie sprach leise, machte keinen einzigen grammatikalischen Fehler bei der Aussprache, liebte die lateinamerikanische Literatur und das Deutsche Theater. Immer wenn ich bei ihr zu Hause war, lief im Hintergrund leise, fast unhörbar, Musik, wahrscheinlich von Enya. Zusammen mit dem sanft verströmten Duft erwärmter ätherischer Öle gab diese Musik der Wohnung einen (esoterischen) Anstrich von Ruhe. Geschieden, an die 50Jahre alt, lebte sie, zusammen mit ihren zwei adoleszenten Söhnen in dieser Wohnung.
Abgesehen vom Pagode, Capoeira und Bohneneintopf gibt es noch zwei weitere Anlässe, wo alle Brasilianer aus ihren Löchern kriechen. Die Fussball-Weltmeisterschaft wohl allem voran. Derart viel Getrommel und Caipirinha, dass man von Rest fast nichts sieht. Dauernd hört man: “Was ist passiert, was ist passiert?” Niemand weiss, ob Brasilien ein Tor geschossen hat oder eines bekommen hat. Am Ende wird bis zum Morgen früh gefestet, ob nun Brasilien gewonnen hat oder nicht. Ob gewonnen oder verloren, geweint wird auf jeden Fall.
Zur Sache geht es aber erst recht zur Fastnachtszeit. Hier springt der tief im Herz schlummernde brasilianischen Panther wild entfesselt aus seinem Versteck hervor. Es gibt viel gespeicherte Sehnsucht und Fröhlichkeit zu verteilen.
Fast jeder Fastnachtsumzug hier hat auch eine brasilianische Sambaschule drin. Zur Fastnachtszeit, meist im Februar oder März, sind hier zu Lande die Temperaturen am tiefsten. Es ist eiskalt, nur der Wind alleine schon lässt die Zähne klappern. Doch die Brasilianer scheint dies nun nicht zu kümmern. Während sich alle andern in Verkleidungen aus dem Mittelalter hüllen und ihre Kinder in warme pelzige Tierkostüme stecken, kommen sie im Bikini, gewärmt durch die Caipirinhas und den nun unkontrollierbaren Gefühlen der Sehnsucht.
Genau da entdeckte ich sie, mitten in einer Sambaschule, dort wo die Frauen mit wilden Sambabewegungen ihre Hintern Richtung erstaunte Zuschauer schwangen und die Schweizer auf ihre Trommeln schlugen, als wären sie spielende Kinder, die von der Mutter Kochtöpfe und Rührstäbe bekommen hätten. Ich fiel fast um als ich sie sah. Ganz verschwitzt, mit einem Kopftuch und einem hinten mit einem Kopf zugemachten Shirt , war da mitten drin meine Übersetzerin.
Sie trommelte als einzige korrekt. Eigentlich trommelte sie sogar sehr gut. Nun brauche ich Sehnsucht und Heimweh nicht mehr mit Pagode zu stillen, ich warte einfach, bis Cristina mit ihrer Sambaschule wieder kommt.