Morte digna na Suíça

9 Dec

Escrever sobre a morte é complicado. As palavras devem ser usadas com cuidado para não magoar os que estão vivos. Mas a morte é fato, parte da natureza, dela ninguém escapa. Escrever sobre o suicídio é muito mais complicado.  Não é apenas a opção pela liberdade de escolha na hora de morrer mas também compreender o porquê dessa e não de outra escolha. Mesmo nas doenças gravíssimas, as escolhas existem. Enquanto escrevo um texto de ficção, fico procurando todas as razões que levaram uma personagem a tomar a atitude de acabar com a própria vida, tento chegar até a infância, passo pela adolescência, a juventude, a vida adulta. Em algum lugar, ou provavelmente em todos, está a chave. Depois tudo tem que ser desvendado de modo sutil e com muito cuidado. Porque se eu explico que a pessoa fictícia X se matou por causa de uma doença, uma depressão sem fim, todas as faltas de perspectivas juntas, podem pensar que a pessoa real Y vai usar isso como inspiração e fazer o mesmo. O assunto é delicado.

E quando alguém quer morrer, não suporta mais viver por inúmeras razões,  mas está impossibilitado de exercer essa última atitude – o suicídio- por limitações físicas ou por medo?

Hoje, rodando pelos blogues de brasileiros que moram na Europa, li no Diário do Centro do Mundo,  de Paulo Nogueira, um post que me fez lembrar da discussão no início do ano, na Suíça, sobre a morte assistida e o fato da Dignitas atender clientes de outros países .

A Suíça é um dos únicos lugares na Europa onde a morte assistida é aceita pela lei. Apenas a Holanda e a Bélgica têm leis que permitem tanto a morte assistida quanto a eutanásia. O que é permitido aqui é o suicídio assistido, onde o paciente é quem dá o último passo, geralmente bebendo uma mistura de suco com pentabarbital de sódio (um sedativo), vendido apenas com receita médica. A eutanásia continua proibida. O que a Dignitas e outras associações fazem é arrumar tudo (inclusive legalmente) para que o cliente beba a overdose sem que sua família (ou qualquer outra pessoa) leve a culpa e enfrente processos legais. As associações, pelo menos na teoria, ajudam para que a morte não seja dolorosa e cheia de sofrimento já que a vida das pessoas que as procuram  já é cheia de dor.

Aqui existem três associações que ajudam a morrer com dignidade. A Dignitas é a mais famosa. Fundada em 1998 por um advogado suíço, ela é paga ( cara, cerca de sete mil euros, fora a taxa anual) e aceita estrangeiros. A maioria dos clientes é de pessoas com doenças incuráveis mas alguns não seguem esta regra.  Muitos chegam da Alemanha para morrer na Suíça já que na Alemanha o suicídio assistido é ilegal. Outros vêm da França, da Inglaterra, da Espanha. Por essa razão, a Dignitas já foi acusada de promover o turismo da morte. Enfrentou muitas críticas quando ex-funcionários declararam aos jornais que mais de 300 urnas com restos de cinzas de clientes foram jogadas no lago de Zurique. Também foi criticadíssima por usar sacos de gás hélio em vez de pentabarbital de sódio em algumas mortes assistidas.

A pequena  ex-International  ajuda principalmente alemães e tem como base a cidade de Berna. Foi fundada em 1996. Até agora ajudou vinte pessoas a morrer sem sofrimento.

A Exit, a outra associação de assistência ao suicídio no país, é a mais antiga e a que tem mais credibilidade. Existe desde 1982 e nunca se envolveu em grandes polêmicas.  Só ajuda suíços ou residentes no país a morrer. Controlada por uma comissão de médicos, é praticamente de graça, ou melhor funciona como um plano de saúde só que ao contrário. O associado deve pagar uma taxa de 20 euros por ano para poder usar o serviço não para prolongar a vida mas sim para abreviar a morte. Hoje a Exit tem mais de 70 mil membros. Diferente da Dignitas, a Exit não ajuda pessoas com depressão severa a morrer. Pelo contrário, para estes pacientes oferece uma série de terapias para que possam continuar a viver. A associação basicamente só assiste no suicídio de pessoas com doenças que provocam (ou provocarão) grande e constante sofrimento impossibilitando uma vida digna.

Aqui a questão é discutida abertamente. No início do ano houve votação popular para decidir se as associações poderiam continuar com os suicídios assistidos. A população se mostrou amplamente a favor.

Um pedacinho de EXIT – Le droit de mourir, documentário de  Fernand Melgar  sobre o trabalho da respeitada Exit:

Ein Ausschnitt aus EXIT – Das Recht zu sterben, eine Dokumentation von Fernand Melgar über die Arbeit der angesehenen Exit:

 

Sterben in Würde in der Schweiz

Über den Tod zu schreiben ist schwierig. Die Worte müssen mit Vorsicht gewählt werden, um niemanden zu verletzen. Doch der Tod ist eine Tatsache, ist Teil der Natur, niemand entgeht ihm. Über Selbstmord zu schreiben ist noch viel schwieriger. Es geht nicht nur um die Freiheit, den Zeitpunkt des Todes selbst zu wählen, es geht auch darum, zu verstehen, warum der Tod so erfolgte und nicht anders. Sogar bei ganz schweren Krankheiten hat eine Person die Wahl. Schreibe ich einen fiktiven Text mit diesem Thema, so suchen ich zuerst nach all den möglichen Gründen, die eine Person dazu bringen könnte, das eigene Leben zu beenden. Ich gehe von der frühen Kindheit bis hin zum erwachsenen Menschen. Irgendwo oder vielleicht auch überall liegt der Schlüssel. Danach will alles erläutert sein, doch dies mit Vorsicht und Feingefühl. Erkläre ich, dass sich eine Person X wegen einer Krankheit das Leben nahm, einer nicht enden wollender Depression, so könnte ein allfälliges Fehlen oder Aufzeigen jeglicher Perspektive dazu führen, dass ich irgendwann denken könnte, eine reelle Person Y wurde dadurch inspiriert und ging deshalb den gleichen Weg. Das Thema ist heikel.

Und was, wenn jemand sterben will, das Leben aus diversen Gründen nicht mehr erträgt, doch selbst unfähig ist, sei es durch körperliche Behinderung oder aus Angst, die letzte Handlung, den Selbstmord, selber auszuführen?

Als ich heute die Blogs der Brasilianer, die in Europa wohnen durchging, las ich unter anderem einen Eintrag im Diário do Centro do Mundo von Paulo Nogueira, einen “Post”, der mich an die Diskussion Anfang Jahres über den “begleiteten Suizid” in der Schweiz erinnerte und die Tatsache, dass die hier tätige Dignitas auch Klienten aus anderen Ländern annimmt.

Die Schweiz ist eines der wenigen Länder Europas, wo der begleitete Tod akzeptiert und legalisiert ist. Nur noch Holland und Belgien besitzen Gesetze, die den begleiteten Tod und die Euthanasie erlauben. Hier ist der begleitete Freitod legalisiert, also der Schritt, wo der Patient in der Regel eine Mischung aus Fruchtsaft und einem ärztlich verschriebenem Natrium-Pentobarbital (ein Sedativum, Beruhigungsmittel) trinkt. Die Euthanasie ist weiterhin verboten. Dignitas (und auch andere Organisationen) sorgt für das ganze Umfeld (inklusive der rechtlichen Angelegenheiten), damit der Klient die Überdosis zu sich nehmen kann, ohne dass die Familie (oder sonst eine Person) dafür die Schuld auf sich nehmen muss oder sogar eine Anklage zu befürchten hat. Die Organisationen wollen dafür sorgen, dass der Tod weder schmerzhaft noch voller Leid erfolgt, sei doch das Leben der Person, die sie aufsucht schon schmerzvoll genug.

Hier gibt es drei Organisationen, die helfen in Würde zu sterben. Dignitas ist die wohl am besten bekannte davon. Gegründet wurde sie 1998 durch einen schweizer Anwalt, sie ist kommerziell (teuer, circa 7’000 Euro für Mitglieder, ohne jährliche Beitragszahlung) und auch offen für Ausländer. Die grosse Mehrheit der Klienten sind Personen mit nicht heilbaren Krankheiten, es gibt aber auch andere. Viele kommen von Deutschland, um in der Schweiz zu sterben, ist doch dort der begleitete Suizid illegal. Andere kommen von Frankreich, England oder Spanien. Genau deswegen wurde Dignitas schon wegen “Todestourismus” angeklagt. Es hagelte auch Kritik, als ehemalige Mitarbeiter den Zeitungen sagten, dass mehr als 300 Urnen in den Zürichsee geworfen wurden. Ebenso wurde kritisiert, dass in einigen Fällen, anstatt des Natrium-Pentobarbital, mit Helium gefüllte Säcke verwendet wurden.

Die kleine ex-International hift hauptsächlich Deutschen und befindet sich in Bern. Gegründet wurde sie 1996. Bis heute half sie 20 Personen ohne Leid zu sterben.

Exit ist die älteste und wohl am glaubwürdigste Organisation im Land. Sie existiert seit 1982 und war nie in grosse Polemiken involviert. Sie hilft nur Schweizern oder hier im Land ansässigen Personen in den Tod. Kontrolliert wird sie durch eine Gruppe Mediziner und ist nahezu gratis, eine Art “umgedrehte Krankenkasse”. Die Mitglieder bezahlen einen jährlichen Beitrag von 20 Euro, um bei Bedarf nicht das Leben zu verlängern, sondern um es zu verkürzen. Heute besitzt Exit circa 70’000 Mitglieder. Im Unterschied zu Dignitas akzeptiert Exit keine Patienten mit schwerer Depression. Für diese Patientengruppe bietet Exit sogar eigens eine ganze Serie von Therapien an, damit sie es schaffen weiter zu leben. Die Organisation begleitet grundsätzlich nur Suizide von Personen mit Krankheiten, die schwere und konstante Leiden verursachen und darum ein Leben in Würde verunmöglichen.

Hier wird das Thema offen diskutiert. Am Anfang dieses Jahres gab es eine Volksabstimmung darüber, ob diesen Organisationen weiterhin der begleitete Suizid erlaubt sein soll. Die Mehrheit der Bevölkerung stimmte dafür.

 

 

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