A beleza relativa

13 Aug

Com tempo de sobra para pensar em besteira,  hoje me peguei olhando minhas unhas e pensando que minhas mãos estão cada dia mais feias. Esse pensamento durou cinco segundos e logo foi relegado ao seu devido lugar: o último na minha lista de preocupações.

As brasileiras acostumadas a frequentar cabelereiros e manicures no Brasil, não se conformam quando vêm morar na Europa. Simplesmente piram e entram numa crise de abstinência de alisamento capilar e esmalte de unhas. Parece que tirar as cutículas é uma prioridade na vida. Falam sem parar como as européias ficam feias depois que são mães, que as mãos sem esmaltes e os cabelos curtinhos delas são horrorosos etc.

Mas não seria o desprendimento com a aparência física exatamente uma das grandes qualidades das mulheres européias e muito especialmente das germânicas? Ninguém fica obcecado por manter a juventude e a beleza. Ninguém vive em manicure, cabelereiro, depiladora e clínica de estética mesmo tendo tempo e dinheiro para gastar em tudo isso. O envelhecimento é aceito como algo totalmente normal e sem traumas. Não é motivo para depressão. As prioridades e preocupações são outras.

Já as brasileiras… Quando eu morava em St. Gallen conheci uma moça bem simpática. Ela tinha três metas na vida: comprar um sofá de couro branco, um carro e fazer uma plástica. Todas as conversas giravam em torno dessas prioridades. Não adiantava nada eu falar que ela era bonita e que estava muito bem daquele jeito.

Natural do Pará, ela era bastante atraente já no seus quarenta e tantos anos e estava envelhecendo bem. Os traços do rosto ainda eram totalmente harmoniosos. A mulher se matava de trabalhar faxinando as casas alheias (aqui uma hora de limpeza custa mais ou menos o equivalente a 50 reais) para realizar seus sonhos.

De origem muito pobre ela assumia numa boa que tinha casado com um suíço para tentar uma vida melhor fora do Brasil. Veio de mala e cuia com o filho pré-adolescente, morava aqui há anos mas quase não falava alemão. Ela passava meses ralando enquanto o marido fazendeiro – que por sua vez não falava quase nenhuma palavra de português – ía sozinho para as praias nordestinas a gente bem sabe fazer o quê…

Anos depois, quando eu já morava em Wettingen, durante um passeio por St. Gallen, dei de cara com uma fisionomia familiar. Era igual mas diferente… Era a amiga que tinha voltado do Brasil depois de uma temporada por lá.

A sobrancelha dela não era mais feita de pelos. No lugar existia uma pintura ou tatuagem preta bem fininha, como era moda nos anos 20. O nariz… uma narina mais pra baixo, outra mais pra cima, um calombo no ossinho e uma pontinha arrebitada e redondinha.

Eu fiquei com muita dó porque vi o quanto ela trabalhou para pagar essa plástica. Mas ela parecia feliz. Talvez assim ficasse mais evidente que ela havia conseguido realizar um dos seus grandes sonhos. Espero que pelo menos o sofá branco tenha ficado bom na casa velha da fazenda. Ou que ela tenha conseguido comprar o carro e tenha se mandado daquele lugar.

* infelizmente essas gerações de mulheres européias nem aí para a aparência e a juventude eterna parece estar se esgotando. As mulheres na faixa dos vinte anos costumam se depilar (todinhas, nenhuma jovem tem mais pelos pubianos), se maquiar com toneladas de base e pintar as unhas ou colocar longuíssimas unhas falsas…O horror, o horror…

Relative Schönheit

In der Zeit die mir bleibt, um mich mit Unsinn zu beschäftigen, ertappte ich mich beim Studium meiner Hände und den Gedanken, dass diese je länger je hässlicher aussehen. Glücklicherweise schob ich diese Gedanken aber schnell wieder an den Platz, wo sie hingehören: auf den letzten Platz in der Liste meiner Sorgen.

Brasilianerinnen sind sich an einen regelmässigen Besuch beim Coiffeur und Maniküre gewöhnt. Anfänglich leiden sie hier in Europa an Entzugserscheinungen von Haar- und Nagellack, es scheint so, als wäre die Entfernung der Nagelhaut eine Priorität im Leben einer Brasilianerin. Und sie reden dauernd davon, wie die Europäerinnen hässlich werden, nachdem sie Mütter sind, dass ihre Hände und ihre kurzen Haare schrecklich aussehen etc.

Aber ist nicht gerade diese Befreiung von der Besorgnis über das Aussehen genau eine der grossen Qualitäten der europäischen Frauen? Niemand ist besessen davon die Jugendlichkeit und Schönheit zu erhalten. Niemand geht dauernd in die Maniküre, zum Coiffeur, in die Depillation, die Schönheitsklinik. Die Alterung wird als etwas ganz normales angesehen, ohne Trauma und nichts. Sie ist kein Grund für eine Depression. Die Sorgen und Prioritäten liegen anderswo.

Und die Brasilianerinnen … Als ich noch in St.Gallen wohnte, kannte ich eine sympathische junge Brasilianerin, die drei Ziele in ihrem Leben verfolgte: 1. ein weisses Ledersofa kaufen 2. ein Auto kaufen und 3. eine Schönheitsoperation. Jede Diskussion drehte sich um eines dieser drei Ziele, es nützte auch nichts ihr zu sagen, dass sie hübsch ist und keine Schönheitsoperation braucht.

Geboren im Staate Para, lebte sie nun bei einem Bauern auf dem Land und kam ab und zu in die Stadt. Sie war um die 40 Jahre alt und noch sehr attraktiv. Ihre Gesichtszüge waren noch immer sehr harmonisch und zeigten kaum Anzeichen von Alterung. Die Frau arbeitete wie wild als Putzfrau (hier verdient man pro Stunde als Putzfrau etwa 50 Reais), um ihre Träume zu verwirklichen.

Da sie aus sehr einfachen Verhältnissen stammte, akzeptierte sie leicht die Heirat mit einem Schweizer, um ein besseres Leben zu haben. Mit nur einem Koffer und ihrem Sohn im Teenageralter zog sie in die Schweiz, lebte schon Jahre hier, sprach aber noch fast kein Wort Deutsch. Ihr Mann, der seinerseits nach ihren Worten kaum ein Wort Portugiesisch sprach, verbrachte seine Ferien ab und zu an den Stränden im Nordosten Brasiliens (wir wissen wohl warum …), während sie hier arbeitete.

Einige Jahre später, als ich schon in Wettingen wohnte, traf ich sie zufällig wieder bei einem Ausflug nach St.Gallen. Irgendwie kam mir das Gesicht bekannt vor. Es sah noch aus wie damals, einfach etwas anders … Sie war es, gerade zurück aus Brasilien, nach einiger Zeit, die sie dort verbrachte.

Sie hatte keine Augenbrauen mehr. An deren Stelle war ein Strich aufgemalt oder auftätowiert, so wie es in den 20er Jahren Mode war. Die Nase … ein Nasenloch war etwas mehr nach unten, das andere etwas mehr nach oben, das Nasenbein hatte einen kleinen Buckel und die Nasenspitze zeigte leicht nach oben.

Sie tat mir unheimlich Leid, wusste ich doch, wie sehr sie sich diese Operation gewünscht hat und wie viel sie dafür arbeiten musste. Doch sie schien glücklich zu sein. Vielleicht zeigte dies einfach, dass es ihr gelungen war, eines ihrer grossen Ziele zu realisieren. Hoffentlich sieht das weisse Sofa wenigstens gut aus in der Stube des Bauernhauses. Oder noch besser: Es ist ihr gelungen ein Auto zu kaufen und damit weit weg zu fahren von diesem Bauern.

P.S. unglücklicherweise scheint sich nun aber auch hier die junge Generation an Frauen übermässig mit der Schönheit und ewigen Jungend zu beschäftigen. Alle jungen Frauen um die 20 Jahre sind depilliert (keine einzige hat mehr Schamhaare), tragen Tonnen von Make-up auf, färben ihre Nägel oder tragen diese schrecklichen Nagelverlängerungen …

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