O Teatro da Bunte

25 Sep

Durante toda essa semana eu quase não coloquei os pés pra fora de casa. Tento escrever um livro. Nunca pensei que desse tanto trabalho. Tem dias que escrevo por cinco horas seguidas e só preencho três páginas. Parece que isso não vai terminar nunca. Em outros, fiquei mais de oito horas pesquisando um certo tema dentro de um outro tema. Li não sei quantas teses universitárias, documentos e blogs e sites sobre o assunto.

Ao mesmo tempo fiz a besteira de ler dois livros enquanto escrevo. Um é “Os Malaquias” da Andrea del Fuego. O livro todo é muito bom. Conta a história, fantástica, de três órfãos que perderam os pais atingidos por um raio. Não tem aqueles trechos longos e entediantes que quase todos os escritores usam para encher linguiça, para fazer com que o livro vire um livrão. Os trechos que todo mundo tem vontade de pular, e pula mesmo, não existem em “Os Malaquias”. É absolutamente perfeita, ficção real e melancólica, a passagem de uma das personagens pelo banheiro de uma rodoviária. Primeiro romance da escritora, “Os Malaquias” está entre os finalistas do prêmio Jabuti.

O segundo livro que li foi “O Teatro de Sabbath” do Philip Roth. Esse cara é um sacana. Porque ele tira o mérito de muita gente . Como um escritor pode ser tão bom! Cada livro que eu leio dele me faz adorá-lo ainda mais. Mas escrever enquanto lê um Philip Roth é uma cilada total. Porque todas aquelas páginas que escrevi durante dias, fazendo um esforço brutal, simplesmente se diluem e ficam idiotas quando chega a noite e leio uma página de um livro dele.

O que salvou minha escrita foi a academia de ginástica. Essa semana percebi que estava gastando tempo demais na bicicleta. Depois me dei conta que nem era por causa da moça do perfume de baunilha. Minha leitura por ali, essa sim mais do que fantástica, tem nome: Bunte. É lá que eu fiquei sabendo que a “ herdeira do pudim achou o glacê que faltava no seu bolo” na reportagem sobre o casamento de uma moça da família Oetker. No Brasil fica todo mundo tirando sarro das revistas de celebridades mas é que ninguém conhece as revistas de celebridades alemãs. As reportagens sobre os milionários e sobre a realeza européia são maravilhosas. Nas fotos das festas, as socialites são sempre muito loiras, muito altas, muito esticadas e estão sempre sorrindo assustadoramente.

Isso quando não é uma festa temática onde todas as mulheres, inclusive as velhas, estão vestindo um Dirndl, o vestido que era usado na Baviéria e na Austria, por camponesas e empregadass e depois pela aristocracia. Aquele mesmo das garçonetes de festa de cerveja, aquele que esmaga os peitos e vive no imaginário pornográfico de muita gente.

Na falta da versão impressa, dá para acompanhar o mundo com a versão online da Bunte . O destaque de hoje tem uma foto da Jane Fonda e a seguinte legenda: “ Uau! Essa bunda pertence a uma mulher de 73 anos!”.

Clique AQUI para ver um  pouquinho da Oktoberfest (video da Bunte).

E AQUI para ver um video sutil da Bunte sobre cirurgias plásticas de celebridades.

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