É Natal!

25 Nov

Vida na Suíça:

-Me-u de-us! Olha isso! A gente precisa disso!

-Noooossa! Peraí vou ver quanto custa.

-Pensa como ficaria no terraço, naquele pedaço bem onde não tem nada.

– Ish… não dá. É o preço de uma bicicleta nova.

– Mas olha a etiqueta e veja se é da China ou da Alemanha. Se for da Alemanha vale a pena, vai durar.

Saímos eternamente frustrados do mercado. O Papai Noel inflável de cinco metros ficaria perfeito no nosso apartamento. Era só isso o que faltava. Depois do inflável instalado poderiamos morrer em paz.

Tudo começou há seis ou sete anos com uma singela árvore de Natal. Criança teeeeem que ter Natal, não importa a religião.

Bolas vermelhas. Precisa das douradas também. Papel laminado. Luzes. Mais luzes. Estrela no topo. Estrela com luzes no topo. Dois anos depois passamos da maconha ao crack ao comprar, além de uma árvore maior, um trenó puxado por renas iluminadas e um Papai Noel bagaceiro que foi pendurado na janela. Mais um ano e estávamos tomados pelo vício. Arrancamos o Papai Noel que estava pendurado em uma escada subindo por uma das janelas e o colocamos sentado no trenó. Lindo. Mas ninguém via o trenó porque, claro, moramos num terraço e só os apartamentos dos prédios mais altos conseguiam admirar nossa decoração. Então no Natal seguinte grudamos umas luzes numa rede de proteção de um lado do apartamento. Luzes azuis. Mas faltava o outro lado. Compramos mais luzes e fizemos um “ninho” para o trenó com o Papai Noel.

E começamos a enlouquecer. Teve ano que meu marido ficou quatro horas pendurado no terraço, temperatura abaixo de zero, para literalmente contornar o prédio todo com luzes. Os vizinhos adoraram. O incentivo fez com que, um ano depois, além das luzes azuis de um lado, o trenó com o Papai Noel do outro e o contorno do prédio, colocássemos uma cascata, sim uma cascata de luzes que descia pela fachada do prédio e ainda o perfil de renas e bonecos de neve na fachada. A árvore de Natal só crescia, ocupando um terço da sala e riscando o teto, e agora não era mais enfeitada só com bolas, luzes e papel laminado. Fadas, borboletas, estrelas, sinos, pedras coloridas, bonequinhos de madeira, soldadinhos, bailarinas, ursinhos, veadinhos, sapatos e bolsas em miniatura e qualquer tralha fazia parte da decoração. Tinha vela acesa por toda parte. Presépio, uns dois. Guirlanda, uma em cada porta. Tínhamos que comer encolhidinhos para não esbarrar em nada. As viagens de fim de ano ficaram para trás, o décimo terceiro começou a ser engolido pela decoração.

A gente fazia o tradicional passeio a pé para ver as decorações de outras casas, não exatamente para admirar mas para invejar, comparar e ver o que faltava na nossa. Pegávamos o carro e subiamos a montanha a fim de ver o apartamento de cima. Uau! Mas sempre faltava alguma coisa. E a gente comprava.

Até que um dia chegou uma conta de luz astronômica e a gente entrou na rehab. Tristeza.

Mas esse ano a gente decidiu que não vai viajar…

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