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Gian Luca

6 Nov

“A gente está juntando dinheiro pra uma viagem da escola. Você pode ajudar?” Atrás da mesinha repleta de bolos caseiros, muitos deles desmanchando sem forma, outros esfarelando sob a fórmula errada, está o menino que nunca mais eu tinha visto.
“Gian Luca! Quanto custa o pedaço de bolo?”.
“Quanto você quiser pagar”.
“Você tá bem?”.
Com um sorriso ele respondeu: “tô”.
Anos atrás…
“esse menino é tão bonito que podia ser modelo, sério… com esse rosto ele ia ganhar uma grana…”.
“Você não sabe?”
“Não sabe o quê?”.
“Ele talvez vá parar de estudar”
“Mesmo? por que?”
“Ele não está bem, tem tido crises de pânico. Você não sabe, né? Está começando a se reaproximar do pai. O pai tá na prisão”
“Poxa… não sabia. Que difícil. Ainda bem que ele tem a mãe, ela é legal com ele?”
“O pai tá na prisão porque matou a mãe durante uma briga. Eram os dois drogados. Ele está morando com os avós, italianos que chegaram na Suíça pra ajudar o neto. Eles não falam alemão, ele não entende direito italiano. Talvez ele vá pra Italia com eles, talvez ele fique aqui pra continuar estudando”
Ele ficou ❤

Morangos de Piracicaba

7 Jun

Todo ano em meados de maio, comecinho de junho, o programa é catar morango.  Como em muitas plantações de legumes, verduras e flores (a grande maioria sem agrotóxicos), o esquema é pegue, pese e pague. Um funcionário, contratado pelo dono da plantação,  fica na barraquinha onde as pessoas pegam as caixas vazias e depois voltam com os morangos para pesar e pagar. O resto é feito “pelo povo” mesmo. As crianças adoram e o cheiro desses campos é totalmente maravilhoso. Se você mora na Suíça, corra! A temporada termina no início do verão.

 Jedes Jahr Mitte Mai beginnt die Erdbeersaison, d.h. man kann auch wieder Erdbeeren selber pflücken. Genauso wie bei vielen Pflanzungen mit Gemüse, Salaten oder Blumen (die grosse Mehrheit ist nicht gespritzt) pflückt man da selber, geht abwiegen und bezahlt direkt danach. Ein Angestellter der Pflanzung wartet in der Regel bei einem kleinen Holzstand, wo die Leute auch gleich leere Behälter zum Pflücken bekommen. Der Rest wird von den Leuten selbst gemacht. Die Kinder lieben es und der Duft dieser Felder ist einfach wunderbar. Wohnt ihr in der Schweiz wird es Zeit hinzugehen! Die Saison geht noch bis Ende Juni.

Erdbeerfeld in Wettingen Landstrasse/Untere Geisswiesstrasse

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Estrangeiro

27 Mar

A vizinha morreu. Antes do Natal começou a passar mal. Com mais de noventa anos, todo mundo sabia que quando ela tivesse uma doença séria, dificilmente escaparia. Pegou uma pneumonia no inverno. Ficou dias no hospital e menos de um mês sendo cuidada feito bebê numa casa para idosos, voltou para o hospital e o coração fraquinho não aguentou. Morreu.

De abril a outubro era só sair na rua para encontrar a Senhora. Cuidava com paixão do jardim. As roseiras, enormes, eram seus xodós. Parar para conversar com a Senhora significava tempo. À vezes muito tempo. A Senhora desandava a falar e não parava mais. Nos últimos tempos, reclamava da saúde. Estava difícil para respirar, as pernas doíam, o coração palpitava de um jeito estranho. Mesmo assim ela ainda plantava, regava, colhia, ía e voltava do supermercado carregando as compras sozinha. Não tinha filhos, nem netos. Amava mais que tudo, talvez bem mais que o jardim, a menina portuguesa que passava as tardes no jardim lhe fazendo companhia.

A Senhora adorava as crianças da vizinhança. Falava com todas com carinho, perguntava sobre a escola, o que elas gostavam de fazer, do que elas brincavam. Oferecia flores às mães. Difícil passar pela casa da Senhora sem levar umas tulipas, um buquezinho sei lá do quê, umas rosas enormes cor de rosa.

Hoje passando pela casa da Senhora senti um aperto no peito. Doeu olhar aquele jardim florescendo e não ver a Senhora sorridente com suas costas curvadas e seus vestidinhos elegantes, já bastante puídos, exibindo com orgulho as primeiras flores da primavera. Mas mais ainda, doeu pensar que não estou perto da minha avó enquanto ainda lhe resta um pouco de memória não engolida pelo Alzheimer. Sabe se lá quanto tempo ainda ela tem com lucidez.

Olhar o jardim sem a Senhora foi também a contestação de que eu não estava perto do meu pai quando o carro dele deu perda total. Nem quando ele teve um derrame. Nem quando ficou dias no hospital e quase morreu. Também não estava perto quando minha mãe começou a envelhecer. Não estava perto quando nasceu a filha da amiga, nem quando a filha da outra amiga ficou doente, nem quando os melhores amigos de tantos anos precisaram. E também não estava perto quando os outros comemoraram qualquer coisa. Não dividi nenhuma alegria, não abracei, não fiquei junto a não ser por alguns dias do ano.

Morar fora deve ser assim para quase todo mundo e por isso que no fundo, todo mundo um dia sonha em voltar a terra natal. Não conheço um brasileiro que não sonhe com o dia em que possa morar metade do ano Brasil, de preferência no inverno europeu; e metade do ano na Europa.

Por mais que se forme uma nova família, novos amigos; deixa-se uma vida e todo mundo que fazia parte dela, para trás. As lembranças começam a se parecer com um filme, às vezes tudo muito nítido, às vezes muito embaçado. Assim como a vida no presente. Mais fácil chorar pela Senhora do que pela avó. Por que daí ficaria difícil demais.

A Senhora das rosas *

Die Nachbarin ist gestorben. Vor den Weihnachten ging es ihr schlecht. Sie war über 90 Jahre alt und alle wussten, dass es schwierig werden würde bei der nächsten schwereren Krankheit. Sie hatte eine Lungenentzündung im Winter und lag für Tage im Spital. Danach war sie über längere Zeit in einem Altersheim auf fremde Hilfe angewiesen, kehrte wieder zurück ins Spital und dann versagte ihr schwach gewordenes Herz. Sie starb.

Von April bis hin zum Oktober musste man nur auf die Strasse und schon traf man die Senhora. Mit Liebe pflegte sie ihren Garten. Die grossen prächtigen Rosensträucher waren ihr Stolz. Am Haus der Senhora anzuhalten bedeutete, dass man Zeit übrig haben musste. Manchmal viel Zeit sogar. Die Senhora begann das Gespräch und hörte nicht mehr auf zu reden. In der letzten Zeit klagte sie des öfter über Schmerzen und Krankheiten. Es fiel ihr immer schwerer zu atmen, die Beine schmerzten, das Herz klopfte ab und zu seltsam. Dennoch pflanzte sie rege, wässerte fleissig und pfückte, sie ging auch noch in die Läden und trug die Einkäufe alleine nach Hause. Sie hatte weder Enkel noch Kinder. Mehr als alles aber liebte sie, wohl mehr als ihren Garten, ein portugiesisches Mädchen. Lange wohnte es im oberen Stock des Hauses und später, als es weggezogen war, kam sie öfters an den Nachmittagen vorbei und leistete der Senhora im Garten Gesellschaft.

Die Senhora liebte die Kinder in der Nachbarschaft. Sie sprach mit allen liebevoll, fragte nach wie es ging in der Schule, was sie gerne machten, was sie so spielten. Sie schenkte den Müttern gerne Blumen. Es war schon fast schwierig am Haus der Senhora vorbei zu gehen ohne danach nicht irgend welche Tulpen, ein kleines Sträusschen oder ein paar riesige rosarote Rosen mit nach Hause zu tragen.

Heute ging ich am Haus der Senhora vorbei und fühlte sogleich einen Schmerz in der Brust. Es tat weh diesen blühenden Garten zu sehnen ohne nicht auch darin die freundlich lachende, elegant gekleidete und mit gekrümmten Rücken gehende Senhora zu sehen. Sicher hätte sie gerne und mit Stolz ihre ersten Frühlingsblumen gezeigt. Mehr noch aber schmerzte der Gedanken, weit weg von meiner Grossmutter zu sein, mindestens solange ihr die Alzheimer-Krankheit noch eine guten Teil des Gedächtnis lässt. Wer weiss, wie lange sie noch einigermassen klar im Kopf ist.

Den Garten ohne die Senhora zu sehen erinnerte mich auch daran, dass ich nicht in der Nähe meines Vaters sein konnte, als er einen schweren Autounfall hatte. Auch nicht, als er später einen Hirnschlag hatte. Auch nicht danach, als er für Tage im Spital lag und fast gestorben wäre. Ich war auch nicht bei meiner Mutter, als diese anfing ins Alter zu kommen. Ich war nicht in der Nähe, als meine Freundin ihr Kind bekam oder das Kind einer anderen Freundin krank wurde, auch nicht, als beste und jahrelange Freunde jemanden brauchten. Ich war auch nicht in der Nähe, als andere irgend etwas feierten. Ich teilte keine Freuden mit ihnen, umarmte niemanden, war nicht einmal mit ihnen ein paar Tage im Jahr zusammen.

Leben fern der Heimat wird wohl für alle etwa so sein und darum möchte wohl auch jeder irgendwann in seinen Träumen wieder zurück nach Hause. Ich kenne keinen Brasilianer, der nicht davon träumt später einmal das halbe Jahr in Brasilien zu leben, vorzugsweise im europäischen Winter und die andere Hälfte des Jahres hier in Europa zu verbringen.

Auch wenn man eine neue Familie gründet, neue Freundschaften schliesst, man lässt ein anderes Leben zurück und damit alle die, die daran teil nahmen. Die Erinnerungen gleichen einem Film, manchmal klar und deutlich, manchmal verschwommen. So wie das Leben in der Gegenwart. Es ist einfacher wegen der Senhora zu weinen, als wegen der Grossmutter, sonst würde es wohl zu schwierig werden.

(*Wir nannten die alte Dame stets: “a Senhora das rosas”. Senhora kann mit Dame übersetzt werden, im Wort “Dame” findet sich aber nicht der Respekt, der im Wort “Senhora” steckt und damit den älteren Menschen gegenüber entgegen gebracht wird.)

 

 

 

 

 

 

Primavera

26 Mar

Tudo branco

20 Dec

As plantas já eram:

Simples e eficiente. Limpe as botas antes de entrar:

Da janela lateral

17 Dec

Primeira nevinha, hoje de manhã:

Passeando em Wettingen

27 Nov

Dia de sol. Hora de recolher as folhas secas antes que tudo congele…

 

Dia de passear em Wettingen:

 

Eu quero uma casa no campo…

10 Sep

A cidade é pequena mas a vista vale a pena:

Geralmente as pessoas optam por morar numa cidade pequena por causa da qualidade de vida. Eu não. Pouco ou nenhum trânsito, tudo perto, poluição zero, conhecer todo mundo… nada disso pra mim é mais atrativo do que não ter que cozinhar e poder pedir comida pelo delivery, contar sempre com taxis passando, poder ficar horas numa livraria gigante  e principalmente, ser livre para escolher o que fazer e quando fazer porque as opções existem.

A Suíça é caríssima para morar.  Zürich não dava, em Baden não tinhamos muitas opções então acabamos em Wettingen que nem mesmo quer ser uma cidade. Aqui e na Alemanha existe uma diferença entre “cidade” e “vilarejo”. As cidades (Stadt) devem preencher certos requistos de infraestrutura que os vilarejos (Dorf) não precisam. O número de babitantes é importante mas não define uma cidade. Por exemplo: Baden tem 17 mil habitantes e é uma cidade. Wettingen tem quase 18 mil e é um vilarejo. A questão é também política. Os conservadores adoram falar que tudo era sempre melhor em mil novescentos e pouco. Para eles, tudo é muito melhor numa cidadezinha que mantém suas tradições e não aceita nada nem ninguém que seja diferente.  Não é por acaso que os Amisch americanos saíram da Suíça.

Para mim o que define um vilarejo é o tédio. Pode ser calmo, seguro (não sei não… Twin Peaks taí como prova…) mas não tem nada pra fazer. Acho que é exatamente por isso que os suíços e os alemães adoram fazer caminhadas. Só sobra andar nos lugares onde o único cinema só funciona à noite, não tem nenhuma livraria e os poucos restaurantes servem comida entre meio dia e duas da tarde.

Eu tinha uma amiga argentina, a Mariana, que organizava saraus literários em espanhol em Wettingen.  Mariana era jovem, linda, muito culta e inteligente. Não sei o que ela estava fazendo aqui porque além de todos os outros adjetivos ela parecia rica, muito rica. O evento era aberto e grátis, num café onde ela mesma preparava delícias que eram servidas aos participantes. A idéia era ler e discutir Borges, Cortázar, García Márquez e outros. Na hora eu já pensei, nem se fosse um evento só para mulheres discutirem a obra de Isabel Allende, nem assim, ela teria gente suficiente para esses saraus. Dois anos depois, um dia encontrei a Mariana na rua e ela veio se despedir de mim. Estava indo morar em Zürich. “Para mi basta!” foi tudo o que ela disse.

Muitos dizem que a melhor coisa de morar numa cidadezinha é a proximidade com as pessoas. Todo mundo se conhece (mas isso não é um dos piores defeitos?), todo mundo se ajuda.  Será?

Uma outra amiga minha, esta uma brasileira que mora aqui há vinte e cinco anos,  tem uma história ótima. Certa vez ela queria fazer uma grande festa em sua casa para comemorar sei lá o quê.  Já pensando que poderia incomodar os vizinhos, achou por bem convidar todos.  Festa boa, a rua inteira compareceu em peso. Lá pelas dez da noite, a vizinha mais chata de todas, uma senhora de quase 80 anos; depois de comer e beber muito e conversar com todos, agradeceu a anfitriã e se despediu. A dona da casa insistiu  no “fica mais um pouco” mas a senhora disse que estava cansada e com sono e  que para ela era a hora da festa terminar. Acho que minha amiga não entendeu a mensagem subliminar.

Meia hora depois da senhora ter ido embora chegou um carro de polícia para pedir que a festa terminasse porque uma vizinha havia telefonado reclamando do barulho. Não preciso nem falar quem era essa vizinha.

Limmat

3 Sep

De brincadeira, subir ladeira

30 Aug

Eu tinha uma reunião ontem que começava às sete e meia. Antes das sete, tomei banho, me vesti e olhei pro céu: não vai chover. Temperatura amena, uns 18 graus. Perfeito para ir de bicicleta. Desci para a garagem levando minha bolsa, um casaco extra para a volta e o elástico com ganchos para segurar a tralha dentro da cestinha. Esqueci a chavinha para abrir a corrente. Voltei. Desci de novo. Olhei pro capacete no armário. Nem pensar. Com 18° vou suar e na volta, depois das dez da noite, quando já estiver uns 12 ° graus, não vou lavar e secar os cabelos. Nem a pau.

Coloquei a bolsa na cesta, vesti o casaco extra que não coube na cestinha e tentei abrir a corrente. A chave não entrava. Três tentativas depois, funcionou. Empurrei a bicicleta ladeira acima para sair da garagem. Ainda tinha sol. Tirei o elástico que segura a bolsa e peguei meus óculos que estavam dentro. Bolsa de novo na cestinha, elástico e vamos. Mais uma vez empurrei a bicicleta. Não tive coragem de atravessar a avenidona pedalando.

Passada a avenida, finalmente pude pedalar. Esqueci de pôr a luzinha em contato para ligar. Parei, desci, arrumei o dínamo e continuei. Esqueci que a próxima rua está em obras! Tinha duas opções: dar uma volta enorme e andar pela avenidona ou encarar um trecho de mountain bike com uma bicicleta Budget do Migros (a mais bartata do mercado). Fui trepidando, balançando e detonando a coitada. Quase me espatifei na rua depois de passar em um buraco cheio de pedras.

Pedalei mais cinco minutos e cheguei na reunião. Descabelada, suando como numa sauna, exausta. Entrei na sala acabada. O trajeto todo durou dez minutos. Por sorte a reunião duraria quase três horas, tempo suficiente para ficar sentadinha me recuperando para a volta.

Europeu ama bicicleta. O sucesso do Tour de France, do Giro d’ Italia e outras competições de resistência e força só confirmam isso. Aqui na Suíça, todo mundo anda de bicicleta, mesmo no inverno com temperaturas baixíssimas. Faz parte da educação iniciar as crianças de quatro, cinco anos de idade no hábito de andar de bicicleta. Por volta dos 12 anos, quando as crianças estão deixando o primário, elas devem fazer um curso e um teste (como uma auto-escola) para serem habilitadas a dirigir suas bikes pelas ruas das cidades. Quase todos os adolescentes se locomovem de bicicleta.

Os motoristas de carro costumam respeitar os ciclistas e também os pedestres. Existem ciclovias por todos os lados em todas as cidades. O capacete não é obrigatório mas deveria ser (olha só quem fala…): seu uso reduz em 75% os riscos de um acidente.

O paraíso é quase perfeito, a não ser por um ou outro roubo. E uma ou outra pessoa sem nenhuma habilidade.

 

Aus Spass den Berg hoch kraxeln

Um 19.30h hatte ich gestern eine Sitzung. Davor ging ich duschen, machte mich bereit und sah zum Himmel hoch: es wird nicht regnen. Es hatte etwa 18 Grad, milde Temperatur also, ideal um mit dem Velo zur Sitzung zu fahren. Mit einer Tasche in der Hand ging ich in die Garage. Die Jacke für den Heimweg trug ich auf dem Arm und die Gummispinne mit Hacken, um die Tasche im Korb zu sichern, in der Hand. Den Schlüssel für das Kabelschloss habe ich oben vergessen. Ich ging zurück. Nun sah ich den Helm im Schrank an: “Auf keinen Fall”. Bei 18 Grad werde ich schwitzen und wenn ich nach zehn Uhr in der Nacht heimkehre, habe ich keine Lust mehr, die Haare zu waschen. Nein, kein Helm!

Die Tasche wurde im Korb auf dem Gepäckträgers festgebunden, die Jacke musste ich anziehen, sie hatte keinen Platz mehr im Korb. Nun das Schloss öffnen. Der Schlüssel schien anfänglich nicht zu passen. Nach drei Versuchen hat es dann aber funktioniert. Das Rad musste ich von der Garage eine Rampe hoch schieben. Die Sonne schien noch. Ich lockerte die Gummispinne, welche die Tasche sicherte und nahm meine Sonnenbrille aus der Tasche. Nun wieder alles festmachen. Wieder schob ich das Velo, mir fehlte es an Mut, die Hauptstrasse fahrend zu überqueren.

Auf der andern Seite konnte ich endlich losfahren. Man sollte gegen Abend nie ohne Licht unterwegs sein, ich hielt an und stieg wieder vom Rad, um den Dynamo in Position zu bringen. Zwanzig Meter weiter vorne der nächste Stopp. Die Strasse wird saniert. Es gab zwei Optionen: einen grossen Umweg fahren und das auf dieser belebten Hauptstrasse oder einem Mountain-Bike-Abschnitt mit einem Migros-Budget-Velo ins Auge zu sehen. Das arme Rad musste zittern und hin und her schaukeln. Fast wäre ich bei einem mit Steinen gefüllten Loch gestürzt.

Nach ein paar Minuten war ich dann am Ziel. Die Haare durcheinander, schwitzend wie in einer Sauna und erschöpft. Als ich in den Sitzungsraum trat war ich schon fix und fertig. Zehn Minuten brauchte ich bis dorthin. Zum Glück dauerte die Sitzung drei Stunden, genug Zeit also für eine gründliche körperliche Erholung vor der Rückreise.

Europäer lieben Fahrräder. Der Erfolg der Tour de France, des Giro und anderer Ausdauer- und Kraftwettbewerbe bestätigen dies. Hier in der Schweiz fahren alle Velo, auch im Winter bei tiefsten Temperaturen. Es ist Teil der Erziehung, den Kindern schon mit vier oder fünf Jahren das Fahrrand fahren beizubringen. Um die 12 Jahre, wenn sie die Primarschule verlassen, machen sie dann noch einen Kurs mit Abschlusstest in der Schule (ähnlich einer Autofahrschule), um auch fähig zu sein, mit ihren Velos in den Strassen der Stadt zu zirkulieren. Fast alle Jugendliche bewegen sich mit Fahrrädern fort.

Die Autofahrer sind sich an Füssgänger und Velofahrer gewöhnt und respektieren diese auch. Überall findet man Radwege, in jeder Stadt. Das Tragen eines Helmes ist nicht obligatorisch, sollte es aber sein (sagt gerade die Richtige …): das Tragen eines Helmes reduziert die Verletzungsgefahr um 75%.

Das Paradies ist fast perfekt, wären nicht die Velodiebe. Und die eine oder andere völlig unfähige Person.