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Corra que o estrangeiro vai te pegar!

24 May

Antes todos os alemães eram grossos, todo os franceses pedantes, os escandinavos arrogantes, os italianos educavam suas crianças muito mal, os ex-ioguslávos eram completamente violentos, os indianos e os tamils cheiravam mal, as brasileiras eram todas prostitutas e os turcos eram todos atrasados. Ah, os muçulmanos! Tudo terrorista louco, só homem e mulher-bomba.

Agora além de tudo isso, alguns partidos políticos ainda dizem que os estrangeiros são os culpados pelo efeito-estufa, pela poluição do ar, pelo excesso de lixo, por tudo de ruim que acontece com assuntos relacionados ao meio-ambiente. A culpa é deles. Tem estrangeiro demais aqui na Suíça por isso existem problemas ambientais. Tenha dó!

O cara trabalha que nem mula, paga impostos, contribui para a previdência e ainda leva a culpa de todas as mazelas. Sem a mão de obra estrangeira, a Suíça não anda; simplesmente porque não tem gente suficiente para trabalhar em tantas empresas.

Engraçado que na hora de encher os bancos de dinheiro ou de consumir os produtos nacionais ou de fazer o trabalho que nenhum suíço quer fazer , pouco importa a nacionalidade da pessoa. Se uma mulher milionária entrar de burca numa Chanel ou numa Prada em Zürich, ela vai ser adulada. Se uma pobre entrar de burca num supermercado, todo mundo vai correr de medo.

Ah, claro. assim como muçulmano homem-bomba é minoria da minoria, da minoria; suíço que pensa assim também é minoria. Espero que até sempre.

Renne, sonst schnappt dich der Ausländer!

 Zuvor waren alle Deutschen unhöflich, alle Franzosen blasiert, Skandinavier arrogant, Italiener erzogen ihre Kinder nicht genügend, die Ex-Jugoslawen gewalttätig, die Inder und Tamilen hatten schlechten Körpergeruch, die Brasilianerinnen waren alle Prostituierte und die Türken ultramontan. Ah, die Muslime! Alles verrückte Terroristen und Selbstmordattentäter.

 Nun kommt noch dazu, dass eine gewisse Partei behauptet, dass die Ausländer schuld am Treibhauseffekt sind, ebenso für die Luftverschmutzung, den Müllberg, eigentlich für alles, was mit der Umwelt in Zusammenhang steht. Schuld sind sie. Es hat hier zu viele Ausländer und darum haben wir diese Umweltprobleme. Sonst noch was? 

Die Leute arbeiten wie Ochsen, zahlen Steuern, tragen zur sozialen Sicherheit bei und sollen Schuld an allem Übel sein. Ohne die ausländischen Arbeitskräfte ginge es mit der Schweiz bachab, ganz einfach, weil es nicht genügend Arbeitskräfte hätte.

 Interessanterweise kümmert es ja niemanden, woher jemand stammt, wenn er Geld auf die Banken trägt oder wenn es darum geht, eine Arbeit zu erledigen, für die sich die Schweizer zu gut sind. Auch wenn eine Millionärin mit Burka in ein Juweliergeschäft geht, wird sie innig umworben. Wäre dies eine arme Frau, die in einem Supermarkt einkaufen möchte, würden alle vor Schreck flüchten.

 Ah natürlich, genauso wie der muslimische Selbstmordattentäter zur Minderheit der Minderheit gehört, sind auch die Schweizer, die so denken, eine absolute Minderheit. Das wird hoffentlich auch so bleiben.

Torre de Babel

12 Feb

“Aruj, Aruj, Aruj!!!”, grita a mulher pelo corredor do shopping enquanto corre atrás da filha. “Hussein, Hussein!”, diz outra mulher com cara de brava para o filho que faz manha. O shopping de Spreitenbach parece ter de tudo menos suíços. Nos dias das “férias de esporte”, em fevereiro, enquanto a maioria dos suíços vai esquiar, o shopping vira mais ainda a Torre de Babel. Por falta de dinheiro e costume, os estrangeiros que aqui vivem não são loucos por esquiar como os suíços e gastam o tempo livre nos shoppings. Vale dizer também que a cidade de Spreitenbach, onde fica o maior shopping do país  (20 minutos de ônibus de Wettingen) tem uma das maiores concentrações por metro quadrado de estrangeiros na Europa. É mais ou menos assim: se na Suíça 25% da população é de estrangeiros, em Spreitenbach esse número chega à quase 50% mas juro… parece que deve ter uns 80% porque por lá só se escuta suíço-alemão quando os bandos de adolescentes abrem a boca e precisam de uma língua em comum para se comunicarem.

Eu, particularmente, gosto dessa mistura, acho interessante, enriquecedora e me lembra São Paulo, um pouco uma bagunça mas divertida e  cheia de nuances. Também entendo, em termos, os muitos suíços que se preocupam com o excesso de estrangeiros e as mudanças de hábitos. Muitos estrangeiros realmente não querem se integrar. Chegam aqui aos poucos e logo, logo já têm pais, irmãos, sogros, cunhados e toda uma galera. Acabam vivendo entre eles, não falam a língua e muitas vezes não respeitam os costumes locais. Mas do outro lado, muitos suíços acreditam que os estrangeiros só são suficientemente integrados se agirem e pensarem igualzinho à um suíço! Parece surreal imaginar que um indiano ou um turco vá de repente começar a  comer rösti ao invés de samosa e cebola! Manter e espalhar os hábitos do país de origem também contribui para enriquecer a cultura do novo anfitrião. São Paulo seria mil vezes menos legal não fosse a influência das culturas japonesa e italiana em muitos hábitos paulistanos. O que não dá é pra descambar na cultura do ódio. Tem que haver educação e respeito de ambos os lados.

E voltando ao ponto de partida, o shopping…. incrível como brasileiro se sente em casa em um! Tirando os ex-Ioguslávia o que mais tem por lá são brasileiras. No Brasil, os shoppings fazem parte da cultura local pois além de lojas, todos possuem salas de cinema e teatros e muitos restaurantes fast-food. Eles também sempre foram sinônimo de segurança (já não são mais) e ar condicionado! Em várias cidades brasileiras as pessoas se enfiam nos shoppings nos dias mais quentes de verão porque lá é muito mais fresquinho que na casa delas. 

Eu nunca vivia enfurnada em shopping quando morava em SP, ía no máximo na hora do almoço da “firma” pela variedade de restaurantes bons e baratos. Mas aqui…porque é frio, porque tem pouco lazer em lugares fechados e porque tem muitas lojas boas baratas…. bom, aqui é outra história…

Turm zu Babel

“Aruj, Aruj, Aruj!!!”, schreit eine Frau durch den Korridor des Shopping Centers, während sie der Tochter nachrennt. “Hussein, Hussein!” sagt eine andere Frau mit finsterem Gesicht zum quengelnden Sohn. Der Shopping Spreitenbach scheint alles zu haben, ausser Schweizern. Während die Mehrheit der Schweizer in den Sportferien im Februar Ski fährt, verwandelt sich das Shopping Spreitenbach noch mehr zu einem “Turm zu Babel”. Aus Geldmangel und Gewohnheit sind die Ausländer, die hier leben, nicht so besessen vom Skifahren wie die Schweizer und verbringen ihre Freizeit in den Shoppings. Ebenfalls erwähnenswert ist, dass die Stadt Spreitenbach, dort wo sich das grösste Shopping des Landes befindet (20 Minuten mit dem Bus von Wettingen entfernt), eine der höchsten Ausländerkonzentration pro Quadratmeter Europas besitzt. Es ist mehr oder weniger so: während in der Schweiz 25% der Bevölkerung Ausländer sind, so erreicht dieser Anteil in Spreitenbach fast 50%, aber ich schwöre…, es macht den Anschein, als ob es 80% wären, weil man dort nur Schweizerdeutsch hört, wenn Teenager einer Gruppe den Mund öffnen und eine gemeinsame Sprache brauchen, um sich unterhalten zu können.

Ich persönlich mag diese Mischung, finde sie interessant, bereichernd und das Durcheinander erinnert mich etwas an São Paulo, nur ist es dort spassiger und nuancierter. Diesbezüglich verstehe ich auch die vielen Schweizer, die sich um die Übervölkerung durch Ausländer sorgen, sowie den damit verbundenen Wandel der Gewohnheiten. Viele Ausländer möchten sich tatsächlich nicht integrieren. Zuerst kommen nur ein paar, doch schon bald sind Eltern, Geschwister, Schwiegereltern und Angeheiratete hier, bis hin zur ganzen Clique. Sie beginnen unter sich zu leben, sprechen nicht die hiesige Sprache und respektieren oft auch die ortsüblichen Gewohnheiten nicht. Aber auf der anderen Seite glauben viele Schweizer, dass die Ausländer nur dann genügend integriert sind, wenn sie sich gleich verhalten und auch gleich denken wie ein Schweizer. Es erscheint einem surreal, wenn man sich vorstellt, dass ein Inder oder ein Türke plötzlich beginnt Rösti zu essen anstelle von Samosa und Zwiebeln. Gewohnheiten des Ursprungslandes zu erhalten und zu verbreiten tragen auch dazu bei, die Kultur des neuen Gastlandes zu bereichern. São Paulo wäre tausendmal weniger “toll” , wäre nicht der Einfluss der japanischen und italienischen Kultur auf viele Gewohnheiten der Paulistaner. Was nicht geht, ist der Kultur des Hasses zu verfallen. Es gilt, gute Erziehung und Respekt auf beiden Seiten zu zeigen.

Zurück zum Anfang, dem Shopping… unglaublich wie sich Brasilianer da zu Hause fühlen! Abgesehen von den Ex-Jugoslawen hat es dort am meisten Brasilianerinnen. In Brasilien sind die Shoppings Teil der örtlichen Kultur, denn neben Läden haben alle auch Kinosäle und Theater sowie viele Fast-Food-Restaurants. Ebenso war ein Shopping früher ein Synonym für Sicherheit (das ist es heute schon nicht mehr) und Klimaanlage! In vielen brasilianischen Städten gehen die Menschen an den heissesten Tagen des Sommers in die Shoppings, weil es dort etwas kühler ist als bei ihnen zu Hause.

Ich verschanzte mich nie in den Shoppings als ich noch in São Paulo lebte, ging höchstens um die Essenszeit (“der Firma”) am Mittag zur Abwechslung wegen der Vielfalt an guten und billigen Restaurants dorthin. Aber hier… weil es kalt ist, weil es wenig Freizeitmöglichkeiten in geschlossenen Orten gibt und weil es viele billige und gute Läden gibt… gut, hier ist es eine andere Geschichte…