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Ziriguidum telecoteco

4 Nov

O Brasil tem ganhado uma série de reportagens e até edições de revistas inteirinhas dedicadas ao país na Alemanha e na Suíça. A Copa do Mundo e as Olimpíadas estao pondo o Brasil na roda como eu nunca tinha visto antes por aqui. Muitas reportagens criticam a demora na construção dos estádios participantes da Copa e outras falam sobre os casos de corrupção e as consequentes quedas dos vários ministros do governo Dilma. Claro, de uns dias para cá estão falando do câncer de Lula.

O que chama a atenção nas revistas dedicadas ao Brasil, bastante elogiosas, é a repetição de figurinhas. Já faz tempo que as reportagens são uma variação sobre o mesmo tema ou personagem.  Agora essa repetição está sendo ampliada. Rio é sempre favela, paisagem, tráfico e meninas do funk. São Paulo é sempre foto aérea ou panorâmica da imensidão de prédios, trabalho dos motoboys e tamanho da frota de helicópteros. Gente dormindo em redes nos barcos que navegam pelos rios amazônicos, as cataratas de Iguaçu, desfile das escolas de samba no Rio, plantação de café e índio vestido de índio para festa ou com pinturas de guerra, nada disso pode faltar.  Vez ou outra aparece uma foto de igreja em Ouro Preto ou a clássica foto da igreja em Paraty. Nunca vi uma reportagem sequer sobre o sul do Brasil.

A revista da Nespresso, grátis, sempre muito bonita visualmente,  trouxe o Vik Muniz na capa e uma série de reportagens com todos os ingredientes citados no páragrafo acima. Sempre no tom do exclusivo e elegante consumidor Nespresso, pessoa mais cool do mundo. A soberba em pessoa. A Geo alemã fez uma edição muito bonita do Brasil. Apesar dos clichês em todos os textos, escritos por alemães, tem fotos lindas. Mas claro, fotos de escola de samba, motoboy em São Paulo, rede pendurada na Amazônia, meninas gatinhas da favela, futebol, açaí… E agora, muitas revistas, inclusive as de moda, têm feito reportagens sobre Inhotim, o museu do Bernardo Paz em Minas Gerais.

Eu não tenho a mínima idéia de como funciona o marketing para vender um brasileiro no exterior. Mas todas as revistas que falam sobre Artes Plásticas brasileiras falam do Vik Muniz (ainda bem, antes era sobre o Romero Brito), todas que falam sobre gastronomia falam só sobre o Alex Atala e todas que falam de viagens mostram as mesmas paisagens. Cinema é sempre Cidade de Deus ou Tropa de Elite. Literatura, bom literatura brasileira nem existe aqui. Depois que passou a febre Paulo Coelho, passamos a ser inexistentes na Literatura. Arquitetura é Niemeyer e ponto final.

É como se um Brasil enorme não existisse e junto um monte de gente talentosa. Uma pena.

Etliche Berichte sind in der letzten Zeit über Brasilien erschienen, einige Zeitschriften in Deutschland und der Schweiz waren gar gänzlich dem Land gewidmet. Die bevorstehende Fussballweltmeisterschaft und die anstehenden Olympischen Spiele lassen Brasilien hierzulande im Focus erscheinen, wie ich es nie zuvor sah. Viele Berichte kritisieren die Verzögerungen beim Bau der Stadien in denen Weltmeisterschaftsspiele stattfinden sollen, andere behandeln die Korruptionsfälle und die damit verbundenen Rücktritte diverser Minister der Regierung Dilma. Und natürlich wird in jüngster Zeit auch über den an Krebs erkrankten Lula berichtet.

Was in den schmeichelnden Berichten über Brasilien in den Zeitschriften auffällt, ist die Wiederholung alter Klischees. Schon seit einiger Zeit werden gleiche Themen und Personen in den Berichten einfach etwas variiert. Nun werden diese Wiederholungen einfach ausgebaut. Berichte über Rio haben immer Favelas, Landschaft, Verkehr und zu Funkmusik tanzende junge Mädchen drin. Bei Sāo Paulo gibt es immer Luftaufnahmen oder Panoramaansichten mit tausenden von Hochhäusern zu sehen sowie einen Bericht über die Arbeit der Motorradkuriere und die Erwähnung, dass es eine immense Anzahl an Helikoptern in der Stadt gibt. Auf den Seiten über den Amazonas sieht man immer in Hängematten schlafende Leute auf den Booten die dort zirkulieren. Nie fehlen die Wasserfälle, Sambaschulen von Rio beim Karnevalsumzug, Kaffeeplantagen und einheimische Indianer verkleidet als Indianer auf dem Weg zu einem Fest oder mit Kriegsbemalung. Ab und zu erscheint eine Kirche von Ouro Presto oder die klassische Aufnahme der Kirche von Paraty. Nie sah ich einen Bericht über den Süden von Brasilien.

Die Gratiszeitschrift von Nespresso, wie immer schön anzusehen, brachte auf dem Titelblatt Vik Muniz und danach eine Serie zu allen oben aufgezählten Inhalten. Alles im Stile der exklusiven und eleganten Nespresso-Konsumenten; den coolsten Menschen auf dieser Welt. Der Stolz in Person. Das deutsche GEO brachte eine schöne Ausgabe mit dem Thema Brasilien. Abgesehen von den Klischees in jedem der Texte sind auch dort schöne Bilder zu sehen. Und natürlich wieder: Sambaschulen, Motorradkuriere in Sāo Paulo, Hängematten in Booten auf dem Amazonas, wunderschöne Mädchen aus Favelas, Fussball, Acai… Neuerdings bringen viele Zeitschriften, inklusive den Modezeitschriften, Fotos und Berichte über das Inhotim, das Openair-Museum von Bernardo Paz in Minas Geras.

Ich hab nicht die leiseste Ahnung, wie man ein Marketing aufzieht, um Brasilien im Ausland zu vermarkten. Doch alle Zeitschriften die über brasilianische Kunst berichten bringen Vik Muniz (wenigsten über ihn, vorher war es Romero Brito), alle die über die Gastronomie schreiben, berichten über Alex Atala und alle die über die Landschaft schreiben, zeigen stets die gleichen Landstriche. Bei den Kinofilmen ist es “City of God” oder “Tropa de Elite”. Literatur, nun gut, die existiert hier gar nicht. Nachdem das Paulo Coelho – Fieber abflachte sind wir diesbezüglich inexistent in der Literatur. Architektur und Niemeyer soll hier der Abschluss sein.

Als würde es ein riesige Brasilien gar nicht geben, das ein Vielzahl talentierter Leute besitzt. Schade.

Só no sapatinho

25 Oct

Quem mora há muito tempo fora do Brasil sabe como é. A saudade faz a gente fazer coisas que nunca faríamos se estivessemos no próprio país. Show de pagode, apresentações de capoeira e feijoadas beneficentes são só algumas coisas que a gente passa a consumir só porque não está no Brasil.

Anos atrás, num processo obrigatório, contratei uma tradutora para traduzir toda minha documentação brasileira antes de casar. Cristina era do interior de São Paulo, tinha morado na capital para fazer faculdade e morava na Suíça há quase vinte anos. Ela era inteligente, culta e muito, muito discreta. Ruiva, magrinha, ela tinha a pele translúcida. Falava baixo, não cometia nem um errinho gramatical, gostava de literatura latino americana e teatro alemão. Todas as vezes que eu fui na casa dela dava para escutar uma música ambiente baixinha, quase inaudível, devia ser Enya, que ao lado dos óleos essenciais aquecidos dava o toque de calmaria – esotérica – no apartamento. Divorciada, quase cinquenta anos, vivia com os dois filhos adolescentes.

Além do pagode, da capoeira e da feijoada, outros dois eventos fazem a brasileirada sair da toca. Copa do Mundo nem se fala. É tanto batuque, tanta caipirinha que ninguém vê é nada. É um tal de perguntar “ o que foi, o que foi?” sem parar. Ninguém sabe se o Brasil fez ou levou gol. No fim, Brasil perdendo ou ganhando rolava festa até de madrugada. Perdendo ou ganhando, rolava choro.

Mas é no Carnaval que a pantera guardada dentro dos corações brasileiros salta para fora selvagem e com fúria . É muita alegria e muita saudade para extravasar.

Quase todo desfile de Carnaval aqui tem uma “escola de samba” de brasileiras. Geralmente, em fevereiro ou março, época de Carnaval, temos as temperatutas mais baixas do ano. É frio de rachar. Só o vento já faz o maxilar travar. Mas as brasileiras não ligam. Enquanto todo mundo veste roupas medievais e as crianças estão fantasiadas de bichinhos peludos, as brasileiras vêm de biquini, aquecidas pelas caipirinhas e pelo sentimento incontrolável da saudade.

Pois foi bem lá no meio da “escola”, onde as mulheres sambavam com a bunda na cara dos atônitos espectadores e os suíços destroçavam os instrumentos de percussão como se fossem crianças brincando com as panelas da mãe que ela surgiu. Quase caí para trás quando vi minha tradutora toda suada com uma bandana na cabeça e a camiseta amarrada com um nó.

Ela era a única que tocava tamborim direito. Na verdade ela tocava muito bem. E agora dá para esperar o Carnaval, sem ter que matar saudades no pagode, só para ver Cristina passar sambando.

Wer längere Zeit fern von seiner Heimat lebt, weiss wie es ist. Das Heimweh lässt uns Dinge tun, die wir dort nie machen würden. Sich eine Pagode-Show ansehen, Vorstellungen von Capoeira besuchen oder Bohneneintöpfe an gemeinnützigen Veranstaltungen essen gehen. Das sind nur ein paar von vielen Dingen, die ich wohl nur darum gemacht habe, weil ich nicht mehr in Brasilien lebe.

Vor einigen Jahren, vor meiner Heirat, brauchte ich für die Übersetzung meiner brasilianischen Dokumente eine Übersetzerin. Cristina stammt aus dem Hinterland von Sāo Paulo, sie lebte später in Sāo Paulo, absolvierte dort eine höhere Schule und wohnte damals schon fast 20 Jahren in der Schweiz. Sie war klug, gebildet und sehr, sehr diskret. Rote Haare, dünn und mit durchschimmernd weisser Haut. Sie sprach leise, machte keinen einzigen grammatikalischen Fehler bei der Aussprache, liebte die lateinamerikanische Literatur und das Deutsche Theater. Immer wenn ich bei ihr zu Hause war, lief im Hintergrund leise, fast unhörbar, Musik, wahrscheinlich von Enya. Zusammen mit dem sanft verströmten Duft erwärmter ätherischer Öle gab diese Musik der Wohnung einen (esoterischen) Anstrich von Ruhe. Geschieden, an die 50Jahre alt, lebte sie, zusammen mit ihren zwei adoleszenten Söhnen in dieser Wohnung.

Abgesehen vom Pagode, Capoeira und Bohneneintopf gibt es noch zwei weitere Anlässe, wo alle Brasilianer aus ihren Löchern kriechen. Die Fussball-Weltmeisterschaft wohl allem voran. Derart viel Getrommel und Caipirinha, dass man von Rest fast nichts sieht. Dauernd hört man: “Was ist passiert, was ist passiert?” Niemand weiss, ob Brasilien ein Tor geschossen hat oder eines bekommen hat. Am Ende wird bis zum Morgen früh gefestet, ob nun Brasilien gewonnen hat oder nicht. Ob gewonnen oder verloren, geweint wird auf jeden Fall.

Zur Sache geht es aber erst recht zur Fastnachtszeit. Hier springt der tief im Herz schlummernde brasilianischen Panther wild entfesselt aus seinem Versteck hervor. Es gibt viel gespeicherte Sehnsucht und Fröhlichkeit zu verteilen.

Fast jeder Fastnachtsumzug hier hat auch eine brasilianische Sambaschule drin. Zur Fastnachtszeit, meist im Februar oder März, sind hier zu Lande die Temperaturen am tiefsten. Es ist eiskalt, nur der Wind alleine schon lässt die Zähne klappern. Doch die Brasilianer scheint dies nun nicht zu kümmern. Während sich alle andern in Verkleidungen aus dem Mittelalter hüllen und ihre Kinder in warme pelzige Tierkostüme stecken, kommen sie im Bikini, gewärmt durch die Caipirinhas und den nun unkontrollierbaren Gefühlen der Sehnsucht.

Genau da entdeckte ich sie, mitten in einer Sambaschule, dort wo die Frauen mit wilden Sambabewegungen ihre Hintern Richtung erstaunte Zuschauer schwangen und die Schweizer auf ihre Trommeln schlugen, als wären sie spielende Kinder, die von der Mutter Kochtöpfe und Rührstäbe bekommen hätten. Ich fiel fast um als ich sie sah. Ganz verschwitzt, mit einem Kopftuch und einem hinten mit einem Kopf zugemachten Shirt , war da mitten drin meine Übersetzerin.

Sie trommelte als einzige korrekt. Eigentlich trommelte sie sogar sehr gut. Nun brauche ich Sehnsucht und Heimweh nicht mehr mit Pagode zu stillen, ich warte einfach, bis Cristina mit ihrer Sambaschule wieder kommt.

Barbaridade

21 Oct

Pior do que assistir a festa pela morte, de quem quer que seja, só o desconforto de assistir todo mundo filmando e fotografando a agonia e a morte. Primeiro foi a execução do Saddam Hussein. As imagens dele sendo enforcado passaram dezenas vezes nas emissoras de televisão e na Internet então, nem se fala, podiam ser vistas milhares de vezes. As ruas tomadas por jovens sorridentes comemorando a morte do Bin Laden também foram assustadoras. E ontem mais assustador ainda com o Gaddafi. As imagens da agonia do ditador líbio e as fotos dos rebeldes fotografando o corpo de Gaddafi são desconcertantes.

É como se agora as exceções virassem regras. As mortes não têm mais privacidade e dignidade. Ninguém mais tem julgamento? E se tem, tem que ser como no caso do Saddam, arcaico  e vergonhoso. Quanto mais violência, mais barbárie, melhor. No caso dos ditadores parece que o show da morte tem que se igualar a eles em truculência e em horror. A audiência deve subir e muito. E pior ainda: ninguém nem sabe mais se as imagens são reais ou manipuladas ou um pouco de tudo. Daqui a pouco vão criar editores de filmes e fotos que já vêm com efeitos mórbidos.

No Brasil a mídia ainda previne. Muitos sites vêm com um aviso sobre o conteúdo de fotos e filmes. Como se o aviso tirasse a culpa do veículo de banalizar a morte. Aqui não. Ninguém precisa procurar nada. A morte é oferecida de bandeja como prato principal.  E quando digo aqui me refiro a Suíça e a Alemanha porque a Suíça sozinha não produz nem um décimo da mídia consumida no país. O negócio é e está ficando cada vez mais escancarado.

Esta semana vários sites de grandes jornais mostravam como chamada principal, além da matéria sensacionalista sobre o velejador alemão  supostamente comido por um canibal,  o video da menininha chinesa de dois anos que foi atropelada e ficou largada agonizando no chão enquanto as pessoas passavam e não faziam nada. Uma coisa horrorosa. Estava lá, e ainda deve estar, para quem quisesse ver. Entrou para os top qualquer coisa e não saiu mais. Talvez os pais desta criança nem saibam que o espetáculo monstruoso da morte de sua filha roda o mundo fazendo sucesso.

Os videos de acidentes de carro com mortos também pipocam a toda hora nos sites de notícias com imagens impressionantes. Se o show da morte de uma figura pública já é horrível, o de “qualquer um” é mais horrível ainda. Eu não gostaria de saber que a dor e o horror de alguém que eu conheço está entretendo um outro alguém em alguma parte do mundo. As pessoas estão ficando tão acostumadas que nem ligam mais. Está ficando banal. Cada vez viramos mais nada.

Barbarei

Schlimmer als die Freudenfeste um den Tod sich anzusehen, von wem auch immer, ist nur das Unbehagen, zu sehen, wie die Agonie und der Tod gefilmt und fotografiert wird. Angefangen hat es mit der Hinrichtung von Saddam Hussein. Die Bilder des Erhängten wurden von zig Fernsehstationen und über das Internet ausgestrahlt und wohl von Millionen von Schaulustigen betrachtet. Auch die Bilder von den lachenden jungen Leuten, welche den Tod von Bin Laden feierten, waren erschreckend. Und vor kurzem nun die noch schrecklicheren Bilder von Gaddafi. Die Bilder des libyschen Diktators und seiner Agonie und die Fotos der Rebellen, die den toten Körper von Gaddafi fotografieren, sind bedrückend.

Es ist, als würde nun die Ausnahme zur Regel werden. Es gibt keine Würde und Privatsphäre für Tote mehr. Gibt es denn keine Gerichtsverfahren mehr? Und wenn es sie gibt, müssen sie dann so sein, wie im Fall von Saddam, archaisch und peinlich? Je gewalttätiger, je barbarischer, umso besser. Es scheint, als habe sich die “Show des Todes” bei Diktatoren, der Brutalität der Personen anzupassen. Die Zuschauerzahlen werden wohl dadurch deutlich gesteigert. Schlimmer noch: Niemand weiss mehr, ob die Bilder überhaupt authentisch oder manipuliert sind, oder allenfalls nur halbauthentisch. Bald wird es wohl schon Editoren geben, die ihre Filme und Fotos mit morbiden Effekten anreichern.

In Brasilien warnen die Medien vorgängig. Viele Seiten kommen mit einem Hinweis über den Inhalt der Bilder und Filmbeiträge. Wie wenn dieser Hinweis die Schuld der Verharmlosung des Todes beseitigen könnte. Hier ist dem nicht so. Niemand muss etwas suchen, der Tod wird in den Medien präsentiert wie ein Hauptgericht beim Essen. Wenn ich hier schreibe, so meine ich die Schweiz und Deutschland, da die Schweizer Medien alleine nur etwa einen Zehntel der hier konsumierten Medien ausmachen. Die Berichte über den Tod werden immer ausführlicher und unzensierter.

Diese Woche zeigten diverse Zeitungsseiten als Hauptschlagzeile, abgesehen von den Sensationsberichten über den verschollenen deutschen Segler, der von einem Kannibalen gefressen worden sein soll, einen Video, auf dem zu sehen ist, wie ein zweijähriges chinesisches Mädchen überfahren wird und danach in ihrem Todeskampf einfach auf der Strasse liegen gelassen wird, während Passanten nichts machen und einfach vorbei gehen. Unbeschreiblich schrecklich. Der Video wird wohl noch immer auf dem Internet für jedermann zugänglich sein. Wurde zum Topvideo und verschwindet nun nicht mehr. Vielleicht wissen die Eltern dieses Kindes nicht einmal, dass dieses monströse Spektakel zu einem weltweiten Erfolg wurde.

Videos über Autounfälle mit tödlichem Ausgang tauchen auch immer wieder mit eindrücklichen Bildern auf Internetseiten von Nachrichtenmedien auf. Wenn die Show über den Tod einer Persönlichkeit des öffentlichen Lebens schon schrecklich ist, so ist es die einer beliebigen Person erst recht. Ich will nicht wissen, wie der Schmerz und der Horror einer Person, die ich kenne, eine andere Person irgendwo auf dieser Welt unterhält. Die Menschen sind schon derart an solche Dinge gewöhnt, dass sich niemand mehr darüber aufregt. Es wird langsam banal. Menschenleben sind jedes Mal etwas weniger wert.

A marcha dos contentes

17 Oct

Ta saindo filho? Leva um casaquinho que agora já ta frio. Ah! Leva também o cacete caso algum grego  te aporrinhe. Nunca se sabe!

Em quase todas as reportagens sobre os protestos ocorridos em mais de oitenta países, no final de semana, aparece um jovem – ele pode ser americano, espanhol, alemão ou de qualquer outro lugar – falando uma variação da mesma coisa : se tanta gente é contra alguma coisa e só alguns decidem os rumos de todos, isso então não é democracia.

Será ?

Um conhecido meu, suíço, músico, casado com uma funcionária da Anistia Internacional dizia alguns anos atrás que nunca que a Suíça proibiria a construção de minaretes, nunca que o partido de extrema-direita seria tão poderoso, entre outros “nunca”  porque ele vivia em um mundinho onde todo mundo era artista, jovem e ainda cheio de ideais. E eu dizia que nunca que ele estava certo.

Nas democracias é o povo que escolhe os governos. Aí é que mora o problema. Quando a gente vive em um certo meio, começamos a achar que todo mundo é assim porque a gente é assim. Mas não é.  Aqui por exemplo. Boa parte do povo vota nos partidos de extrema-direita porque eles odeiam estrangeiro, odeiam muçulmanos, odeiam ciganos, são super machistas e reacionários. Mas se você não convive com essas pessoas, que sao pessoas normais com as quais todo mundo cruza o dia inteiro; e só convive com seu grupinho de amigos com quem divide afinidades, acaba achando que essas pessoas, a grande maioria, nem existe.

Aqui na Suíça, país onde as instituições financeiras quase que se confudem com o próprio governo, as manifestações foram muito tímidas. Um grupo de umas mil pessoas se postou diante da sede do UBS em Zurique ontem à tarde. Em comparação com outros países, a Alemanha também teve protestos modestos. A maioria dos manifestantes era jovem ou muito jovem. Como sempre quem chamou mais a atenção e saiu em todos os jornais foi uma mulher pelada com dizeres contra o capitalismo pintados pelo corpo.

O negócio pegou fogo mesmo foi na Italia e na Espanha, países com altos índices de desemprego e muito afetados pela crise. Aliás a cobertura jornalística deu grande destaque a “baderna”  italiana porque para muito gente, italiano só sabe mesmo fazer bagunça. Assim como os gregos e os espanhóis, todos uns folgados. Muita gente acha que se a Espanha e a Grécia estão em crise é porque são países de gente mole, preguiçosa. E os trabalhadores esforçados alemães têm que sustentar esses párias.

O problema é que nem adianta mais ser contra o governo ou o capitalismo. Quem faz o sistema financeiro funcionar como funciona são as pessoas por aí. O povo. Converso com gente que mal sabe dos protestos ocorridos no final de semana. Mas se você perguntar sobre o caso do velejador alemão desaparecido numa ilha do Pacífico todo mundo arregala os olhos e passa a te contar todos os detalhes. A imprensa popular deu muito mais destaque a essa história que aos protestos.  E ao invés de escreverem que ele pode ter sido morto por um psicopata, preferiram escrever que ele foi comido por um canibal. Como se na ilha onde ele desapareceu todo mundo comesse gente.

Desse jeito, podem protestar mil vezes que absolutamente nada vai mudar. Periga é piorar. A marcha dos não indignados acontece todo dia, aos montes.

Gehst Du aus mein Sohn? Nimm eine Jacke mit, es ist schon kalt. Ah! Nimm auch gleich den Knüppel mit, für den Fall, dass dich ein Grieche belästigt. Man weiss nie!

In fast allen Berichten, wo über die anhaltenden Proteste gegen das Finanzsystem in über 80 Ländern berichtet wird, erscheint ein junger Mann – könnte ein Amerikaner, Spanier, Deutscher oder aus irgend einem andern Land sein – mit in etwa immer der gleichen Aussage: Wenn doch so viele Leute gegen irgend etwas sind, nur ein paar wenige aber die Richtung aller bestimmen, so ist das keine Demokratie.

Ist da was dran?

Ein Bekannter von mir, ein Schweizer, Musiker, verheiratet mit einer Mitarbeiterin von Amnesty International, sagte mir vor ein paar Jahren mal unter anderem, dass die Schweiz nie den Bau von Minaretten verbieten wird und dass hier eine politisch ganz rechts liegende Partei nie mächtig werden wird. Dieses “nie” kam unter anderem, da er in seiner eigenen Welt lebt, einer Welt in der es fast nur Musiker gibt, jung dazu und noch voller Ideale. Ich sagte nie, er habe Recht.

In einer Demokratie wählt das Volk die Regierung. Un da liegt das Problem. Lebt man in einem bestimmten Umfeld, beginnt man mit der Zeit zu denken, dass alle so sind, wie die Leute in diesem Umfeld. So ist es aber nicht. Ein Beispiel von hier: Ein beträchtlicher Anteil der Bevölkerung wählt ganz rechts. Ganz einfach darum, weil sie keine Ausländer mögen, keine Muslime oder Zigeuner hier haben wollen und sehr machistisch und reaktionär denken. Hat man im täglichen Leben keinen näheren Kontakt mit solchen Leuten, die im Übrigen ganz normal sind, sondern lebt nur im Umfeld seiner Freunde, mit denen man Gemeinsamkeiten teilt, kommt man zum Schluss, dass der Rest, die grosse Mehrheit eigentlich, gar nicht existiert.

Hier in der Schweiz, wo die Finanzinstitute sich schon fast für die Regierung halten, fielen die Proteste sehr verhalten aus. Eine Gruppe von etwa 1000 Personen postierte sich am vergangenen Wochenende vor dem Hauptsitz der UBS in Zürich. Im Vergleich zu andern Ländern waren auch die Proteste in Deutschland zaghaft. Die grosse Mehrheit der Protestierenden war jung bis sehr jung. Wie immer machte eine nackte Frau die grössten Schlagzeilen und erschien mit ihren am ganzen Körper aufgemalten Sprüchen gegen den Kapitalismus in allen Zeitungen.

Wirklich grosse Proteste gab es in Italien und Spanien, zwei von der Krise stark betroffene Ländern mit hoher Arbeitslosenrate. Ausserdem legten die Berichterstattungen grossen Wert auf die italienische “Aufregung”. Für viele Leute können die Italiener ja gar nicht anders, sie müssen dauernd ein Durcheinander veranstalten. Aber eigentlich sind sie in deren Augen, wie auch die Griechen und Spanier, nur zu faul, um zu Arbeiten. Viele Leute glauben, dass Griechenland nur darum in einer Krise steckt, weil dort die Leute zu wenig hart zu sich selber sind und die Arbeit scheuen. Und die hart arbeitenden Deutschen müssen dann diese Ausgestossenen durchfüttern.

Das Problem ist, dass es gar nichts mehr nützt, gegen eine Regierung oder den Kapitalismus zu sein. Diejenigen die dieses Finanzsystem am Laufen halten, das sind die Leute selbst, das Volk. Ich spreche mit den Leuten und stelle fest, dass sie kaum etwas wissen über die laufenden Proteste. Kommt man aber auf den Fall des verschollenen deutschen Seglers irgendwo auf einer Pazifikinsel, so wissen alle Bescheid, jedes Detail kennen sie. Die Boulevardzeitungen schenkten dieser Geschichte wesentlich grössere Aufmerksamkeit als den Protesten. Und anstatt zu schreiben, dass er höchstwahrscheinlich durch einen Psychopaten ermordet wurde, bevorzugen sie die Aussage, dass er von Kannibalen aufgefressen wurde. Als ob die Menschen auf der Insel, auf der er verschollen blieb, alles Menschenfresser wären.

Darum kann man noch 1000 Mal protestieren und es wird sich nichts ändern. Gefahr sieht anders aus. Der Marsch der “Nichtempörten” geht in Massen täglich weiter.

Kraftwerk

16 Oct

Começou ontem a exposição Kraftwerk – 3D Video Installation em Munique, Alemanha. Pela primeira vez a banda, pioneiríssima da música eletrônica, ganha não só uma retrospectiva sonora mas também visual com videosinstalações em 3 D. Quem teve sorte conseguiu comprar ingressos para as duas apresentações , também em 3 D, que ocorreram nos dias 12 e 13 últimos.

Kraftwerk no show do dia 13:

Kraftwerk em 1978:

Kraftwerk 3 D Video-Installation

Alten Kongresshalle München

15/10 até/ bis 13/11 2011 / Terça a domingo das 10h – 22h / Di – So 10 – 22 Uhr

O Teatro da Bunte

25 Sep

Durante toda essa semana eu quase não coloquei os pés pra fora de casa. Tento escrever um livro. Nunca pensei que desse tanto trabalho. Tem dias que escrevo por cinco horas seguidas e só preencho três páginas. Parece que isso não vai terminar nunca. Em outros, fiquei mais de oito horas pesquisando um certo tema dentro de um outro tema. Li não sei quantas teses universitárias, documentos e blogs e sites sobre o assunto.

Ao mesmo tempo fiz a besteira de ler dois livros enquanto escrevo. Um é “Os Malaquias” da Andrea del Fuego. O livro todo é muito bom. Conta a história, fantástica, de três órfãos que perderam os pais atingidos por um raio. Não tem aqueles trechos longos e entediantes que quase todos os escritores usam para encher linguiça, para fazer com que o livro vire um livrão. Os trechos que todo mundo tem vontade de pular, e pula mesmo, não existem em “Os Malaquias”. É absolutamente perfeita, ficção real e melancólica, a passagem de uma das personagens pelo banheiro de uma rodoviária. Primeiro romance da escritora, “Os Malaquias” está entre os finalistas do prêmio Jabuti.

O segundo livro que li foi “O Teatro de Sabbath” do Philip Roth. Esse cara é um sacana. Porque ele tira o mérito de muita gente . Como um escritor pode ser tão bom! Cada livro que eu leio dele me faz adorá-lo ainda mais. Mas escrever enquanto lê um Philip Roth é uma cilada total. Porque todas aquelas páginas que escrevi durante dias, fazendo um esforço brutal, simplesmente se diluem e ficam idiotas quando chega a noite e leio uma página de um livro dele.

O que salvou minha escrita foi a academia de ginástica. Essa semana percebi que estava gastando tempo demais na bicicleta. Depois me dei conta que nem era por causa da moça do perfume de baunilha. Minha leitura por ali, essa sim mais do que fantástica, tem nome: Bunte. É lá que eu fiquei sabendo que a “ herdeira do pudim achou o glacê que faltava no seu bolo” na reportagem sobre o casamento de uma moça da família Oetker. No Brasil fica todo mundo tirando sarro das revistas de celebridades mas é que ninguém conhece as revistas de celebridades alemãs. As reportagens sobre os milionários e sobre a realeza européia são maravilhosas. Nas fotos das festas, as socialites são sempre muito loiras, muito altas, muito esticadas e estão sempre sorrindo assustadoramente.

Isso quando não é uma festa temática onde todas as mulheres, inclusive as velhas, estão vestindo um Dirndl, o vestido que era usado na Baviéria e na Austria, por camponesas e empregadass e depois pela aristocracia. Aquele mesmo das garçonetes de festa de cerveja, aquele que esmaga os peitos e vive no imaginário pornográfico de muita gente.

Na falta da versão impressa, dá para acompanhar o mundo com a versão online da Bunte . O destaque de hoje tem uma foto da Jane Fonda e a seguinte legenda: “ Uau! Essa bunda pertence a uma mulher de 73 anos!”.

Clique AQUI para ver um  pouquinho da Oktoberfest (video da Bunte).

E AQUI para ver um video sutil da Bunte sobre cirurgias plásticas de celebridades.

As cartas não mentem jamais

17 Sep

Tô confusa. Essa era a novela da Dara, da Jade ou da Maya?

Parte da Europa está em guerra contra os ciganos. Um ano depois de dar um pé na bunda fenomenal em centenas de ciganos que acampavam na França , Sarkozy acaba de proibir – através de um decreto assinado pelo comissario de polícia de Paris – a mendicância na Champs-Elysées. A maioria dos mendigos nas capitais européias é de pessoas do leste europeu. Muitos são ciganos.

Aqui na Suíça, modernos que somos, a mendicância já é proibida há anos em várias cidades.

Ao mesmo tempo, muitas cidades suíças reservam um terreno semi baldio para que os ciganos possam montar acampamento quando de passagem. Poucas semanas atrás, o terreno desocupado de Wettingen abrigava inúmeros trailers. Entre um trailer e outro dava pra ver cachorros domésticos, varais com roupas secando, uma piscininha de plástico para criança, mesinhas com vasos de flores em cima. Tudo bem arrumado e muito simples, não fossem os carros estacionados. Só carrão.

Além de ver o acampamento, o outro único contato que eu tive com ciganos aqui na Europa foi na piscina pública, mais precisamente na Hallenbad (piscina aquecida e coberta). Eles não eram a cara do Igor e da Dara. Bem pelo contrário. Parecia um arrastão. Eram uns oito ou nove e deviam ter entre 18 e 25 anos. As mulheres usavam lingerie ao invés de biquinis, vermelhonas ou roxas, tudo rendado e muito feio;  e os homens estavam de shorts ou de cuecas o quê os fazia andar com as mãos permanentemente cruzadas sobre as genitálias. Eles entravam na fila do escorregador junto com as crianças, uma vez atrás da outra, sem parar. Riam e gritavam como se estivessem num desses brinquedos insuportáveis da Disney. Com tanta felicidade dava pra ver que faltavam muitos dentes em todos. Também faltavam sobrancelhas nas mulheres, eram todas depiladas e redesenhadas com um traço preto bem fininho. E todo mundo tinha tatuagens com cara de coisa caseira. Eles estavam sempre em bando, no escorregador ou nos trampolins, onde ensaiavam um pulo perfeito mas acabavam caindo direto de barriga ou de costas na água.

Quando eles foram embora, tudo voltou a ser calmo e silencioso. E também sem graça. E não, ninguém roubou ninguém.

Apesar de não existir uma história escrita dos ciganos, sabe-se que chegaram na Europa vindos da India. Os ciganos, muitas vezes chamados de rom, falam romani e se subdividem em vários grupos étnicos: os Roma, que são a maioria na Europa, os Sinti que vivem na Alemanha, os Caló da Espanha e os Romnichals no Reino Unido.

Muitos levam uma vida burguesa, sedentária e os filhos frequentam escolas mas mantêm as tradições ciganas. Outros são artistas ou artesãos e vivem viajando.  Outros têm moradia fixa mas se deslocam parte do ano. Outros vivem de bicos. Outros são muito pobres e vêm mendigar na Europa rica quando não encontram trabalho na Europa pobre.  E claro, existem os que roubam. A Espanha abriga o maior número de ciganos da Europa, seguida pela Romênia e pela França. Mas a Romênia tem o maior número de ciganos pobres.

O mais famoso descendente de ciganos do mundo é Charles Chaplin, filho de músicos , cuja mãe era apenas uma descendente de ciganos . Era nisso que se acreditava até pouco tempo. Cartas descobertas no início do ano afirmam que Chaplin não só era filho de uma cigana como também nasceu e foi criado numa comunidade cigana, na região de West Midlands, na Inglaterra. Cigano ou não, com certeza Chaplin, que viveu e morreu na Suíça, não aprovaria a nova onda de perseguição aos ciganos.

Die Karten lügen nie

Teile Europas sind im Krieg gegen die Zigeuner. Ein Jahr nach dem unglaublichen Rauswurf hunderter Zigeuner aus Frankreich versucht nun Sarkozy, mittels eines unterzeichneten Dekretes des Polizei-Kommissärs von Paris, das Betteln an den Champs-Elysées zu verbieten. Die Mehrzahl der Bettler in den europäischen Hauptstädten kommen aus Osteuropa. Viele davon sind Zigeuner.

Hier in der so modernen Schweiz ist das Betteln in verschiedenen Kantonen schon vor einiger Zeit verboten worden.

Auf der anderen Seite bieten viele schweizer Städte den Fahrenden Plätze an, wo sie für einige Zeit campieren können. Vor ein paar Wochen beherbergte der “Fahrendeplatz” von Wettingen etliche Trailer. Zwischen den Trailern konnte man Hunde und zu zum Trocknen aufgehängte Wäsche entdecken. Ebenso ein Plastikschwimmbecken für Kinder und kleine Tische mit Blumenväschen. Alles sah schön aufgeräumt aus und einfach, wären da nicht auch die Autos gestanden. Alles nur Luxus-Schlitten.

Abgesehen von diesem gesichteten Standplatz war mein einzig anderer Kontakt mit Zigeunern hier in Europa im öffentlichen Schwimmbad, genauer im Hallenbad. Sie sahen nicht gerade aus wie Igor oder Dara. Ganz im Gegenteil. Einem kleinen Gruppenüberfall gleichend kamen acht oder neun Leute zwischen 18 und 25 Jahren ins Schwimmbad. Die Frauen trugen anstatt der Bikinis ihre Lingerie, rote oder lila Spitzenunterwäsche, allerdings ziemlich hässliche. Die Männer trugen Shorts oder Unterhosen, weshalb sie dann auch stets mit gekreuzten Händen vor den Genitalien liefen. Zusammen mit den Kindern standen sie eines nach dem andern Mal in der Kolonne zur Rutschbahn. Sie lachten und schrien, als wären sie auf einer dieser unerträglichen Disney-Bahnen. Bei so viel Fröhlichkeit und Lachen konnte man auch gut sehen, dass allen einige Zähne fehlten. Die Frauen hatten ihre Augenbrauen depiliert und an deren Stelle einen feinen dünnen und schwarzen Strich aufgetragen. Auch besassen alle selbstgefertigte Tätowierungen. Immer blieben sie zusammen, auf der Rutschbahn oder auf dem Sprungbrett, wo sie einen perfekten Sprung ins Wasser übten, aber dann doch immer auf dem Bauch oder Rücken landeten.

Als sie gingen wurde alles wieder ruhig und still. Und auch freudlos. Und nur nebenbei, es wurde niemand bestohlen.

Es gibt keine schriftliche Dokumentation über die Geschichte der Zigeuner, man weiss aber, dass sie ursprünglich von Indien hierher kamen. Unter den Sammelbegriff Zigeuner fallen etliche Ethnien: bekannteste sind hier in Europa die Sinti und die Roma. Die Roma sind europaweit am stärksten vertreten, in Deutschland sind es die Sinti, in Spanien die Caló, in Grossbritanien die Romnichals und in der Schweiz die Jenischen.

Viele sind inzwischen schon an ein bürgerliches Leben gewöhnt, sind sesshaft geworden und die Kinder besuchen die öffentliche Schule. Nur gewisse Traditionen habe sie sich erhalten. Andere sind Artisten oder Handwerker und ziehen umher. Wieder einige haben zwar einen festen Wohnsitz, sind aber Teile des Jahres unterwegs. Einige leben auch von der Hand in den Mund. Wieder andere sind sehr arm und kommen, wenn sie keine Arbeit in den armen europäischen Ländern finde, als Bettler in die reicheren Länder Europas. Und natürlich gibt es auch solche die stehlen. Spanien beherbergt die grösste Anzahl Zigeuner in Europa, gefolgt von Rumänien und Frankreich. Rumänien aber hat den höchsten Anteil an armen Zigeunern.

Der bekannteste aller Zigeunernachkommen ist wohl Charles Chaplin, Kind von Musikereltern, dessen Mutter von Zigeunern abstammt. Mindestens hat man das bis anhin gedacht. Neu entdeckte Briefe bestätigen nun aber nicht nur, dass Chaplin der Sohn einer Zigeunerin war, sondern auch in einer Zigeunergemeinschaft in der Region von West Midlands in England geboren und aufgewachsen ist. Zigeuner oder nicht, auf jeden Fall muss Chaplin die neuste Verfolgungswelle der Zigeuner nicht miterleben.

Der? Die? Das?

6 Sep

Como num joguinho de criança, às vezes a gente avança duas casas e às vezes a gente tem que voltar ao início. Eu moro na Suíça há oito anos. Poderia falar alemão super bem mas não falo. Nos primeiros anos aqui quase não pude estudar. Eu tinha um bebê, que depois virou uma criança pequena, para cuidar. Minha filha é alérgica e tem asma, nada demais, igual a milhões de crianças no mundo todo. Mas isso na prática, significa, tosse, muita tosse, vômitos, falta de ar, urticárias pela pele, nariz sempre pingando, noite e noites sem dormir, idas frequentes à emergência de hospitais.

Tirando um curto período de uns três meses em que pude contar com a ajuda da avó paterna e mais uns outros quatro meses que arrumei uma babysitter brasileira, sempre cuidamos sozinhos da nossa filha. Não por opção mas sim pela falta de opção. Ser estrangeiro com filhos pequenos na Europa pode ser um perrengue total. A avó e a babysitter ajudaram durante uns sete meses, apenas enquanto eu fazia um curso básico de alemão; se não, não dava nem para comprar o antialérgico na farmacinha da esquina.

Sempre exausta por não dormir direito à noite, acabei largando o alemão. Mudei de cidade, esperei minha filha crescer um pouco e entrei de novo num curso. Fiz praticamente inteiro, uns três anos estudando à noite duas vezes por semana. Nesses cursos noturnos, conheci todo tipo de imigrante, até o não imigrante: mulheres do mundo todo cujos maridos vieram para a Suíça por causa do emprego ($$$). Esses maridos, invariavelmente físicos ou engenheiros,  geralmente trabalhavam em empresas gigantes e ganhavam muitíssimo bem. Não falavam uma palavra de alemão porque nessas multinacionais a língua oficial é o inglês. Então as mulheres estudavam para poder resolver as coisas práticas da vida no estrangeiro. Todas faziam questão de falar perfeitamente o alemão para não serem confundidas com os imigrantes. Ou seja, queriam mostrar com a língua o status de “rica” porque quem fala mal são os “pobres”.

Não deixa de ser verdade. Diferente das bonitonas, o imigrante trabalha e trabalha muito. Se ele veio para cá, não foi por causa de um salário milionário numa multinacional mas sim porque não tinha um salário. Ele também veio pensando que aqui os filhos podem ter uma chance muito melhor do que a que ele (não) teve em seus país de origem onde quase todo mundo está ferrado. Eles não têm culpa de não falar direito nem a própria língua; por eles, eles falariam bem, trabalhariam por um bom salário, comeriam bem, viveriam bem. Não é o que todo mundo quer?

Muitos estrangeiros que moram no Brasil falam super mal português mas poucas pessoas se preocupam com isso. O chef Claude Troisgois que apresenta um programa de gastronomia na TV, comete erros enormes de português. Quem se importa? Ninguém porque faz parte dele esse sotaque com todos os erros, faz parte dele ser um francês que trabalha no Brasil. Ele não precisa fingir que é um brasileiro para morar e trabalhar no Brasil. O legal dos estrangeiros no Brasil é que eles misturam a cultura de suas origens, inclusive a língua, com o que eles gostam da cultura brasileira. Ou como diria o próprio Troisgrois, fazem uma mélange danada.

Mas aqui é diferente, falar perfeitamente a língua é um símbolo de status. É a distinção entre o rico  e o pobre, o imigrante e o não imigrante. O tal do “integrado” e o “não integrado” que até agora não entendi direito o que quer dizer. Porque integração na Europa, para muitos, significa você deixar de ser como é e quem sempre foi para se transformar numa cópia de quem você não é.

Na Alemanha, um dos temas preferidos de piadas é o sotaque dos imigrantes turcos. Aqui, as piadas são com o sotaque e o jeito de falar dos imigrantes da ex-Ioguslávia.  Vamos comparar: como no Brasil a escravidão e a imigração européia já eram, quem faz o trabalho pesado nas capitais do sudeste é tradicionalmente o nordestino pobre que estudou muito pouco porque tinha que se virar desde cedo. Imagine se o sotaque do nordestino fosse sempre o centro de piadas… Não teria graça nenhuma,  seria idiota na verdade.

Agora, dois anos depois de nunca mais pegar num livro em alemão, resolvi voltar para um curso. Andei duas casas pra trás no joguinho. Não porque eu quero falar perfeito o alemão e ser considerada uma “mulher de (alta) classe”. Apesar de ficar irritada quando me tratam feito criança por não falar a língua perfeitamente, estou me lixando se acham que sou burra, pobre, puta, homem, mulher, travesti, cachorro ou sei lá o quê.

Eu quero mesmo é entender todos os filmes e ler todos os livros de autores alemães que eu gosto mas principalmente, entender tudinho das piadas da Anke Engelke. Taí uma comediante que consegue fazer piada de estrangeiro/ imigrante com muita graça e leveza; e quase sempre, tirando sarro do preconceito dos próprios alemães.

Domingo

28 Aug

1. A Alemanha é aqui do lado.

2. A Alemanha é o país mais poderoso da Europa. Isso se reflete em tudo. Tem de tudo para todos os gostos. Culturalmente é muito, muito interessante.

3. A Alemanha é mais barata que a Suíça.

4. As cidades grandes da Alemanha abrigam todo tipo de pessoa: rico, pobre, culto, inculto, cristão, muçulmano, punk, hippie… tudo junto e misturado. A mistura de tudo, mais o número elevado de estrangeiros totalmente integrados (ou não) fazem da Alemanha um verdadeiro país multicultural.

5. Na Alemanha eu sou turista,  por isso tudo parece mais legal. Se eu morasse lá e viesse passear na Suíça também enxergaria mais qualidades aqui. Quando a gente está “só de passagem”, tudo é muito mais atraente.

Esses sãos os principais motivos de eu escrever (e ir) tanto sobre a Alemanha mas ainda poderia listar outros.

Domingo de sol no lago/Konstanz (Deutschland).

Comédia alemã

24 Aug

Para quem entende a língua, dois dos melhores comediantes populares da Alemanha: Anke Engelke com seu Ladykracher e Mike “Bully” Herbig com sua Bullyparade.

Deutsche Comedy

Für all diejenigen, welche der deutschen Sprache mächtig sind hier zwei der populärsten deutschen Komiker: Anke Engelke (Ladykracher) und Mike “Bully” Herbig mit der “Bullyparade”.