Ziriguidum telecoteco

4 Nov

O Brasil tem ganhado uma série de reportagens e até edições de revistas inteirinhas dedicadas ao país na Alemanha e na Suíça. A Copa do Mundo e as Olimpíadas estao pondo o Brasil na roda como eu nunca tinha visto antes por aqui. Muitas reportagens criticam a demora na construção dos estádios participantes da Copa e outras falam sobre os casos de corrupção e as consequentes quedas dos vários ministros do governo Dilma. Claro, de uns dias para cá estão falando do câncer de Lula.

O que chama a atenção nas revistas dedicadas ao Brasil, bastante elogiosas, é a repetição de figurinhas. Já faz tempo que as reportagens são uma variação sobre o mesmo tema ou personagem.  Agora essa repetição está sendo ampliada. Rio é sempre favela, paisagem, tráfico e meninas do funk. São Paulo é sempre foto aérea ou panorâmica da imensidão de prédios, trabalho dos motoboys e tamanho da frota de helicópteros. Gente dormindo em redes nos barcos que navegam pelos rios amazônicos, as cataratas de Iguaçu, desfile das escolas de samba no Rio, plantação de café e índio vestido de índio para festa ou com pinturas de guerra, nada disso pode faltar.  Vez ou outra aparece uma foto de igreja em Ouro Preto ou a clássica foto da igreja em Paraty. Nunca vi uma reportagem sequer sobre o sul do Brasil.

A revista da Nespresso, grátis, sempre muito bonita visualmente,  trouxe o Vik Muniz na capa e uma série de reportagens com todos os ingredientes citados no páragrafo acima. Sempre no tom do exclusivo e elegante consumidor Nespresso, pessoa mais cool do mundo. A soberba em pessoa. A Geo alemã fez uma edição muito bonita do Brasil. Apesar dos clichês em todos os textos, escritos por alemães, tem fotos lindas. Mas claro, fotos de escola de samba, motoboy em São Paulo, rede pendurada na Amazônia, meninas gatinhas da favela, futebol, açaí… E agora, muitas revistas, inclusive as de moda, têm feito reportagens sobre Inhotim, o museu do Bernardo Paz em Minas Gerais.

Eu não tenho a mínima idéia de como funciona o marketing para vender um brasileiro no exterior. Mas todas as revistas que falam sobre Artes Plásticas brasileiras falam do Vik Muniz (ainda bem, antes era sobre o Romero Brito), todas que falam sobre gastronomia falam só sobre o Alex Atala e todas que falam de viagens mostram as mesmas paisagens. Cinema é sempre Cidade de Deus ou Tropa de Elite. Literatura, bom literatura brasileira nem existe aqui. Depois que passou a febre Paulo Coelho, passamos a ser inexistentes na Literatura. Arquitetura é Niemeyer e ponto final.

É como se um Brasil enorme não existisse e junto um monte de gente talentosa. Uma pena.

Etliche Berichte sind in der letzten Zeit über Brasilien erschienen, einige Zeitschriften in Deutschland und der Schweiz waren gar gänzlich dem Land gewidmet. Die bevorstehende Fussballweltmeisterschaft und die anstehenden Olympischen Spiele lassen Brasilien hierzulande im Focus erscheinen, wie ich es nie zuvor sah. Viele Berichte kritisieren die Verzögerungen beim Bau der Stadien in denen Weltmeisterschaftsspiele stattfinden sollen, andere behandeln die Korruptionsfälle und die damit verbundenen Rücktritte diverser Minister der Regierung Dilma. Und natürlich wird in jüngster Zeit auch über den an Krebs erkrankten Lula berichtet.

Was in den schmeichelnden Berichten über Brasilien in den Zeitschriften auffällt, ist die Wiederholung alter Klischees. Schon seit einiger Zeit werden gleiche Themen und Personen in den Berichten einfach etwas variiert. Nun werden diese Wiederholungen einfach ausgebaut. Berichte über Rio haben immer Favelas, Landschaft, Verkehr und zu Funkmusik tanzende junge Mädchen drin. Bei Sāo Paulo gibt es immer Luftaufnahmen oder Panoramaansichten mit tausenden von Hochhäusern zu sehen sowie einen Bericht über die Arbeit der Motorradkuriere und die Erwähnung, dass es eine immense Anzahl an Helikoptern in der Stadt gibt. Auf den Seiten über den Amazonas sieht man immer in Hängematten schlafende Leute auf den Booten die dort zirkulieren. Nie fehlen die Wasserfälle, Sambaschulen von Rio beim Karnevalsumzug, Kaffeeplantagen und einheimische Indianer verkleidet als Indianer auf dem Weg zu einem Fest oder mit Kriegsbemalung. Ab und zu erscheint eine Kirche von Ouro Presto oder die klassische Aufnahme der Kirche von Paraty. Nie sah ich einen Bericht über den Süden von Brasilien.

Die Gratiszeitschrift von Nespresso, wie immer schön anzusehen, brachte auf dem Titelblatt Vik Muniz und danach eine Serie zu allen oben aufgezählten Inhalten. Alles im Stile der exklusiven und eleganten Nespresso-Konsumenten; den coolsten Menschen auf dieser Welt. Der Stolz in Person. Das deutsche GEO brachte eine schöne Ausgabe mit dem Thema Brasilien. Abgesehen von den Klischees in jedem der Texte sind auch dort schöne Bilder zu sehen. Und natürlich wieder: Sambaschulen, Motorradkuriere in Sāo Paulo, Hängematten in Booten auf dem Amazonas, wunderschöne Mädchen aus Favelas, Fussball, Acai… Neuerdings bringen viele Zeitschriften, inklusive den Modezeitschriften, Fotos und Berichte über das Inhotim, das Openair-Museum von Bernardo Paz in Minas Geras.

Ich hab nicht die leiseste Ahnung, wie man ein Marketing aufzieht, um Brasilien im Ausland zu vermarkten. Doch alle Zeitschriften die über brasilianische Kunst berichten bringen Vik Muniz (wenigsten über ihn, vorher war es Romero Brito), alle die über die Gastronomie schreiben, berichten über Alex Atala und alle die über die Landschaft schreiben, zeigen stets die gleichen Landstriche. Bei den Kinofilmen ist es “City of God” oder “Tropa de Elite”. Literatur, nun gut, die existiert hier gar nicht. Nachdem das Paulo Coelho – Fieber abflachte sind wir diesbezüglich inexistent in der Literatur. Architektur und Niemeyer soll hier der Abschluss sein.

Als würde es ein riesige Brasilien gar nicht geben, das ein Vielzahl talentierter Leute besitzt. Schade.

One Response to “Ziriguidum telecoteco”

  1. ahoradosaldanha November 5, 2011 at 5:03 am #

    Cliche Brazil Here We Go!

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