O ano sem verão

6 Aug

Quem mora em países onde os invernos costumam ser muito frios, vive em uma eterna espera pelos parcos dois, três meses de verão. O inverno na Suíça é pesado. Primeiro porque dura muito: de novembro à abril a maioria dos dias são frios e chuvosos (ou nevados). Segundo porque é intenso: durante meses os termômetros marcam de 0° pra baixo e é bem normal que faça menos 10° de manhã cedo, bem na hora que a gente sai (no meu caso, à pé) de casa para começar a cumprir o roteiro de obrigações do dia. Terceiro porque é escuro demais: às 16:30 já é noite.

Acho muito engraçado quando vejo reportagens de revistas e blogs brasileiros dando dicas de roupas para o inverno na Europa. Na Alemanha, na Suíça e na Austria ninguém sai de sobretudo de lã ou de shorts jeans com meia-calça e bota de cano alto de couro. No inverno daqui tem que sair de casaco forrado de pluma, bota gore-tex (nem pensar em botinhas Ugg que empapam na primeira neve ou couro que não esquenta nada), luvas, gorro e meias de snowboard (porque são mais leves e aquecem mais). Para conseguir sair de casa de manhã é preciso tempo, bastante tempo e paciência para se vestir.

No inverno se você não usar um creme no corpo e no rosto sua pele racha a ponto de sangrar. O nariz fica permanentemente pingando e os olhos vermelhos por causa do aquecimento. Fora os duzentos vírus diferentes que detonam qualquer um. De gripe à diarréia, é no inverno que a gente pega tudo.

Por isso tanta expectativa para o verão. Em julho e agosto a gente simplesmente só tem que calçar um sapato para sair de casa. Liberdade. As noites com céu azul claro e laranja se estendem até depois das 22:00, as janelas ficam abertas deixando que o ar fresco renove o ambiente das casas. Dá para sentar fora nos bares e restaurantes, frequentar as piscinas públicas, os lagos; andar nas montanhas só de camiseta e calça. Tudo é mais fácil e prazeroso. As férias de verão dão uma renovada no humor, deixam todo mundo mais relaxado e feliz.

Este ano foi o pior verão suíço desde sei lá quantos anos. Choveu, choveu, choveu. Ventou, ventou, ventou.  Cogumelos gigantes cresceram no meu jardim e no meu peito. Com temperaturas maximas de 18 graus ninguém foi para as piscinas, ninguém foi caminhar nas montanhas. Quem tava aqui fugiu para um país ensolarado (meu caso) ou se enfiou no shopping alemão mais próximo (meu caso também que -ufa- consegui aproveitar 3 dias de sol por lá).

Devia ter ficado o mês inteiro de julho num albergue de qualquer cidade medieval italiana tomando vinho barato e me alimentando de pão para o dinheiro render. Mas a vida não é assim e os vintes anos já se foram faz tempo. Pelo menos aproveitei minha broncopneumonia para ler muito, em casa, na Suíça. Como a gente faz nos piores dias de inverno.

Do jeito que foi esse verão, não quero nem imaginar como será o próximo inverno.

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